Foi protagonizado - sabe-se agora - por José Maria Aznar que manipulou lobbies e grupos de pressão, dispendendo dois milhões de dólares do erário público, para que lhe fosse atribuída a Medalha de Ouro do Congresso Norte-Americano. Confrotado com o facto e com a notícia, o ex-Presidente do governo espanhol retorquiu dizendo que a mesma lhe causava «desprezo». Talvez o mesmo desprezo que as opiniões públicas, cada vez mais, vão sentindo pelos políticos que nos governam.
A nós, neste jardim à beira-mar plantado, resta-nos a consolação de sabermos que não é só em Portugal que as comendas e prebendas se desvalorizam e se prostituem.
Discurso pronunciado por Sua Santidade o Papa João Paulo II, hoje, no Vaticano, ao receber o Presidente dos EUA George W. Bush:
Senhor Presidente
1. Dou minhas cordiais boas-vindas ao senhor, à senhora Bush e à distinta delegação que vos acompanha. Estendo uma cordial e afetuosa saudação a todo o povo norte-americano que o senhor representa. Agradeço-lhe por querer encontrar-se comigo novamente, apesar das dificuldades que lhe propõem seus numerosos compromissos durante esta visita a Europa e Itália, assim como pela viagem que empreenderei amanhã para encontrar-me com os jovens na Suíça.
2. Está visitando a Itália para comemorar o sexagésimo aniversário da libertação de Roma e para honrar a memória de muitos soldados norte-americanos que deram suas vidas por seu país e pela liberdade dos povos da Europa. Uno-me ao senhor na lembrança do sacrifício daquelas mortes valorosas e no pedido a Deus de que não se repitam os erros do passado, que originaram aquelas tragédias atrozes. Hoje também recordo com grande emoção os numerosos soldados que morreram pela liberdade da Europa.
Nosso pensamento se dirige também hoje aos vinte anos nos quais a Santa Sé e os Estados Unidos desfrutam de relações diplomáticas formais, estabelecidas em 1984 sob o presidente Reagan.
Estas relações promoveram o entendimento mútuo em grandes questões de comum interesse e de cooperação prática em áreas diferentes. Faço chegar minha saudação ao presidente Reagan e à senhora Reagan, tão atenta com ele em sua enfermidade. Quero expressar também minha estima a todos os representantes dos Estados Unidos ante a Santa Sé, assim como meu apreço pela competência, sensibilidade e grande compromisso com que favoreceram o desenvolvimento de nossas relações.
3. Senhor presidente, sua visita a Roma acontece em um momento de grande preocupação pela contínua situação de grave agitação no Oriente Médio, tanto no Iraque como na Terra Santa. O senhor conhece bem a clara posição da Santa Sé neste sentido, expressada em numerosos documentos, através de contatos diretos e indiretos, assim como com os muitos esforços diplomáticos que se realizaram desde que o senhor visitou-me pela primeira vez, em Castelgandolfo, em 23 de julho de 2001, e de novo neste palácio apostólico em 28 de maio de 2002.
4. É evidente que o desejo de todos é que a situação se normalize agora o quanto antes possível com a participação ativa da comunidade internacional e, em particular, da Organização das Nações Unidas, para assegurar um rápido regresso da soberania do Iraque, em condições de segurança para se povo. A recente nomeação do chefe de Estado do Iraque e a formação de um governo iraquiano interino são um passo alentador para esta meta. Que uma esperança semelhante de paz se reavive também na Terra Santa e leve a novas negociações, ditadas por um sincero e determinante compromisso de diálogo, entre o governo de Israel e a Autoridade Palestina.
5. A ameaça do terrorismo internacional continua sendo fonte de constante preocupação. Afetou seriamente as normais e pacíficas relações entre Estados e povos desde a trágica data de 11 de setembro de 2001, a qual não duvidei em chamar «um dia escuro na história da humanidade». Nas últimas semanas, outros acontecimentos deploráveis aconteceram, comovendo a consciência cívica e religiosa de todos, fazendo mais difícil, sereno e decidido o compromisso pelos valores humanos compartilhados: na ausência de um compromisso assim nem a guerra nem o terrorismo poderão ser derrotados. Que Deus dê força e êxito àqueles que não deixam de esperar e trabalhar pelo entendimento entre os povos, no respeito da segurança e dos direitos de todas as nações e de todo homem e mulher.
6. Ao mesmo tempo, senhor presidente, aproveito esta oportunidade para reconhecer o grande compromisso de seu governo e de numerosas agências humanitárias de sua nação, em particular as de inspiração católica, para derrotar as condições cada vez mais insuportáveis de vários países africanos, que sofrem por causa de conflitos fratricidas, de pandemias e da pobreza degradante que já não pode ser ignorada.
Acompanho também com grande apreço seu compromisso pela promoção de valores morais na sociedade americana, em particular os que se referem ao respeito da vida e da família.
7. Um entendimento mais completo e profundo entre Estados Unidos e Europa desempenhará sem dúvida um decisivo papel para resolver os grandes problemas que mencionei, assim como outros muitos que a humanidade enfrenta hoje. Que sua visita, senhor presidente, dê um novo e poderoso impulso a esta cooperação.
Presidente, enquanto desempenha sua nobre missão de serviço a sua nação e à paz no mundo, asseguro-lhe minhas orações e invoco cordialmente para o senhor as bênçãos da sabedoria, da força e da paz.
Que Deus conceda paz e liberdade a toda a humanidade!
A fazer fé nos excertos já divulgados, merecerá a pena seguir com atenção a entrevista de Colin Powell à SIC-NOTÍCIAS. Powell é, para muitos, e muito justamente, a distinta voz dissonante numa Administração republicana que levou a visão «unilateralista» ou «imperialista» do papel dos EUA no mundo a extremos nunca dantes atingidos. Numa altura em que parece certa a sua saída de uma eventual nova administração «W.Bush - 2» - caso o Presidente consiga a sua reeleição - há lugar para recear que também o Departamento de Estado venha a ser colocado sob orientação radical na senda dessa inenarrável e sinistra figura chamada Donald Rumsfeld (que tanto tem sido segurada pelo Presidente Bush que correm o risco de cairem os dois).
Ariel Sharon resolveu apresentar um plano (mais um) para acabar com o conflito israel-palestiniano.
Na sua base, a velha ideia da permuta «territórios por paz» - o Estado judaico cederia território(s) à autoridade palestiniana a qual, por seu lado, se comprometia a desenvolver todos os esforços para cessar as hostilidades contra Israel. Até aqui, nada de novo.
A verdadeira «novidade», contudo, surgiu no método utilizado. Em lugar de submeter o plano à aprovação dos órgãos de Estado israelitas - nomeadamente o governo e o Knesset - Sharon decidiu submeter a sua aprovação.... ao seu próprio partido. Em lugar dos governantes, pronunciaram-se os militantes! A desfaçatez do método utilizado já motivou protestos de vários quadrantes, nomeadamente de titulares de órgãos de soberania.
Eis um exemplo perfeito da partidocracia levada ao absurdo. Do mais elementar desrespeito pelas instituições estaduais. Da confusão entre o Estado e o aparelho partidário. Merece a pena ser meditado.
Depois de eleito e investido nas funções de Presidente do governo espanhol, e se exceptuarmos a deslocação a Marrocos, a primeira viagem oficial significativa empreendida por Zapatero é a Paris e a Berlim. A escolha destas duas capitais europeias não é aleatória ou inconsequente. Tem, bem pelo contrário, um significado político muito preciso: sinaliza ao Mundo que a Espanha mudou de campo relativamente ao passado recente e se juntou ao eixo franco-alemão - desde logo em matéria de política iraquiana; logo, vê-lo-emos certamente, em matéria de política europeia. Em síntese - Madrid redefiniu toda a sua política externa. Ora, ao mudar de campo e realinhar as suas alianças internacionais, a Espanha reforçou claramente a visão continental europeia em detrimento da sua visão atlântica. De certa forma a Espanha voltou àquela que tem sido, historicamente, a sua posição tradicional - alinhando ao lado das potências continentais europeias (com elas ou contra elas, mas sempre jogando o jogo delas). Corrigiu, nesse aspecto, a deriva atlantista que Aznar pretendeu imprimir à política externa de Madrid. Este regresso da Espanha socialista às posições clássicas reforça, por paradoxal que possa parecer, a posição de Portugal no contexto euro-atlântico. Em termos históricos, o que constituía uma anormalidade era ver Aznar na foto dos Açores ao lado das potências e Estados euro-atlânticos. Classicamente não era esse o lugar de Espanha. Da mesma forma que era anormal ver a Espanha e Portugal compartilharem uma mesma visão estratégica do relacionamento internacional, aparecendo lado-a-lado com aliados comuns. Ao retornar à sua postura euro-continental, Madrid desguarneceu a vertente atlântica do seu relacionamento exterior. E aí abriu uma oportunidade única para Portugal voltar a recuperar algum protagonismo nesse cenário. Esta consideração estratégica deveria estar bem presente no pensamento de alguns comentadores apressados que já reclamam que Portugal siga a postura espanhola (presume-se que no começo apenas na questão iraquiana para, logo de seguida, o fazer na sua política europeia). Ora, tão estranho seria Portugal seguir agora a posição espanhola como foi a Espanha seguir, no passado recente, as posições euro-atlânticas. A oportunidade para Portugal está aí, liberto agora do peso concorrencial do seu único vizinho europeu. Impõe-se saber aproveitar essa mesma oportunidade.
Esta foi roubada ao Acidental - com a devida vénia ao blog e os cumprimentos para o PPM. Mas achei-a fabulosa e não resisti a pirateá-la. É o exemplo da Espanha de Zapatero, versão Mr. Bean.