setembro 10, 2004

Foi-se!

Cansaram-se. Zarparam. O que só mostra que vale a pena manter a firmeza. E se agora vêm proclamar que ganharam a causa, excelente! Vitórias destas desejamos-lhes muitas!

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julho 24, 2004

A DESLOCALIZAÇÃO DO GOVERNO

RB analisa aqui, de forma pertinente, o processo anunciado de «deslocalização» de algumas Secretarias de Estado. Merece ser lido e reflectido com cuidado. A ideia é boa e seria bom que provasse, funcionasse e fosse desenvolvida. Mas os perigos também são muitos...

Publicado por JPDIAS em 12:26 AM | Comentários (0) | TrackBack

julho 23, 2004

O POETA ALEGRE

Afinal havia outro..... Manuel Alegre candidata-se à liderança do PS, em nome e representação da respectiva ala esquerda. Ninguém, por certo, considera a hipótese, seriamente, de Manuel Alegre ser candidato a primeiro-ministro pelo PS. O próprio, de resto, também tem disso tanta consciência que já se apressou a dizer que é apenas candidato a Secretário-Geral do Partido e que a escolha do candidato à liderança do governo ficará para mais tarde - dando claramente a entender que não será ele próprio. É, assim, o retorno em força do «velho» PS, republicano, socialista, laico e maçon. Do PS que faz falta - em nome da clareza e da transparência do debate político. Porque o PS de Sócrates - menos radicalizado à esquerda, mais aberto ao centro e mais cultor da terceira via - em pouco se distingue das práticas sociais-democratas que tipificaram o consulado de Guterres e que serviram de caldo de cultura para o pântano político que se lhe seguiu, com as manifestações que se lhe conhecem. Se, numa reacção imediata, podemos ser inclinados a pensar que o país ganhará muito mais com um PS socrático do que com um PS alegre, o debate político, esse sairá sempre muito mais empobrecido porque será todo ele mais igual, mais indiferente. É bom que, primeiro no PS, seja reactivado o debate político em torno de causas e valores. E que, num segundo momento, esse diálogo se possa prolongar no país e estender aos restantes partidos do arco constitucional.

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julho 21, 2004

A SENHORA CANDIDATA

Será ela o candidato da ala esquerda de quem se fala no Partido Socialista para defrontar José Sócrates?


No Expresso on line diz-se que sim. Depois dos nomes de Manuel Alegre e de Augusto Santos Silva, será eventualmente Maria de Belém a protagonizar a ala esquerda socialista. Talvez haja, assim, oportunidade de finalmente se fazer o balanço do seu mandato à frente do Ministério da Saúde.

Publicado por JPDIAS em 07:21 PM | Comentários (2) | TrackBack

O GOVERNO (ÚLTIMA PARTE)

Elenco final do XVI Governo Constitucional, incluindo já os Secretários de Estado que tomarão posse:

Primeiro-Ministro: Pedro Santana Lopes. Ministro de Estado, das Actividades Económicas e do Trabalho: Álvaro Barreto. Secretário de Estado-Adjunto e do Trabalho, Luís Paes Antunes Secretário de Estado do Desenvolvimento Económico, Manuel Correa de Barros de Lencastre. Secretária de Estado da Indústria, Comércio e Serviços, Graça Proença de Carvalho. Ministro de Estado e da Defesa Nacional: Paulo Portas. Secretário de Estado para os Assuntos do Mar, Nuno Fernandes Thomaz. Ministro de Estado e da Presidência: Nuno Morais Sarmento. Secretário de Estado-Adjunto do Ministro da Presidência, Feliciano José Barreiras Duarte. Ministro das Finanças e da Administração Pública: António Bagão Félix. Secretário de Estado do Orçamento, Manuel Teixeira. Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Orlando Caliço. Secretário de Estado do Tesouro e das Finanças, Miguel Morais Leitão. Secretária de Estado da Administração Pública, Sofia Galvão. Ministro dos Negócios Estrangeiros e das Comunidades Portuguesas: Embaixador António Monteiro. Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, Henrique de Freitas. Secretário de Estado dos Assuntos Europeus, Mário David. Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Carlos Gonçalves. Ministro da Administração Interna: Daniel Sanches. Secretário de Estado-Adjunto do ministro da Administração Interna, Paulo Pereira Coelho. Secretário de Estado da Administração Interna, Nuno Magalhães. Ministro da Justiça: José de Aguiar Branco. Secretário de Estado-Adjunto do Ministro da Justiça, Paulo Castro Rangel. Secretário de Estado da Justiça, Miguel Macedo. Secretário de Estado da Administração Judiciária, António Rodrigues Ribeiro. Ministro da Saúde: Luís Filipe Pereira. Secretário de Estado-adjunto do Ministro da Saúde: Patinha Antão. Secretária de Estado da Saúde, Regina Bastos. Ministro da Segurança Social, da Família e da Criança: Fernando Negrão. Secretária de Estado-Adjunta do Ministro da Segurança Social, da Família e da Criança, Maria do Rosário Águas. Ministro da Agricultura, Pescas e Florestas: Carlos da Costa Neves. Secretário de Estado-Adjunto do Ministro da Agricultura, Pescas e Florestas, Carlos Oliveira. Secretário de Estado da Agricultura e Alimentação, David Sousa Geraldes. Secretário de Estado das Florestas, Luís Pires Pinheiro. Ministra da Educação: Maria do Carmo da Costa Seabra. Secretário de Estado-Adjunto e da Administração Educativa, José Manuel Canavarro. Secretário de Estado da Educação, Diogo Feio. Ministra da Ciência e Ensino Superior: Maria da Graça da Silva Carvalho. Secretário de Estado da Ciência e Inovação, Pedro Nunes. Ministro das Cidades, Administração Local, Habitação e Desenvolvimento Regional: José Luís Arnaut. Secretário de Estado da Administração Local, José Cesário. Secretário de Estado do Desenvolvimento Regional, José Eduardo Martins. Ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações: António Mexia. Secretário de Estado-Adjunto e das Obras Públicas, Jorge Costa. Secretário de Estado dos Transportes e Comunicações, Jorge Borrego. Ministro da Cultura: Maria João Bustorff Silva. Secretário de Estado dos Bens Culturais, José Amaral Lopes. Secretário de Estado das Artes e Espectáculos, Teresa Caeiro. Ministro do Ambiente e do Ordenamento do Território: Luís Nobre Guedes. Secretário de Estado-Adjunto do Ministro do Ambiente e do Ordenamento do Território, Jorge Moreira da Silva. Ministro do Turismo: Telmo Correia. Secretário de Estado-Adjunto do Ministro do Turismo, Carlos Martins. Ministro-Adjunto do Primeiro-Ministro: Henrique Chaves. Secretário de Estado da Juventude, Pedro Duarte. Secretário de Estado do Desporto, Hermínio Loureiro. Ministro dos Assuntos Parlamentares: Rui Gomes da Silva. Secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros: Domingos Jerónimo

Publicado por JPDIAS em 05:49 PM | Comentários (1) | TrackBack

julho 20, 2004

BAGÃO FELIX SUBSTITUI DIRECTOR-GERAL DOS IMPOSTOS

Anuncia-se aqui que o recentemente nomeado Director-Geral dos Impostos irá ser exonerado pelo novo Ministro das Finanças e Administração Pública, Bagão Felix, que nele não vê competência ou perfil para o cargo e acha excessivo o vencimento que aufere, para além de expressar dúvidas sobre o respectivo processo de recrutamento. É uma boa notícia, que repõe em su sitio uma situação que tinha todos os contornos de imoralidade. Espera-se, agora, que aqueles que tanto criticaram a escolha de Manuela Ferreira Leite tenham a humildade suficiente para aplaudirem a decisão do novo Ministro. Decisão que, sendo Bagão Felix um dos nomes que transitaram do anterior para o actual governo, está à vista que estava longe de ser consensual no anterior executivo.

Publicado por JPDIAS em 11:43 AM | Comentários (1) | TrackBack

julho 17, 2004

A SURPRESA DE PAULO PORTAS....

..... indisfarçável e bem visível na reportagem televisiva quando ouve a designação do seu cargo como Ministro de Estado, da Defesa Nacional e dos Assuntos do Mar. Assuntos do Mar????!!!!

Publicado por JPDIAS em 06:37 PM | Comentários (6) | TrackBack

RECUSEI SER MINISTRO

Agradeço a honra que o Buíça me concedeu aqui, nomeando-me para o seu governo, mas não posso aceitar a pasta que me atribuiu.

Publicado por JPDIAS em 05:59 PM | Comentários (5) | TrackBack

O GOVERNO (PENÚLTIMA PARTE)

Primeiro-Ministro: Pedro Santana Lopes
Ministro de Estado, das Actividades Económicas e do Trabalho: Álvaro Barreto
Ministro de Estado e da Defesa Nacional: Paulo Portas
Ministro de Estado e da Presidência: Nuno Morais Sarmento
Ministro das Finanças e da Administração Pública: António Bagão Félix
Ministro dos Negócios Estrangeiros e das Comunidades Portuguesas: Embaixador António Monteiro
Ministro da Administração Interna: Daniel Sanches
Ministro da Justiça: José de Aguiar Branco
Ministro da Saúde: Luís Filipe Pereira
Ministro da Segurança Social, da Família e da Criança: Fernando Negrão
Ministro da Agricultura, Pescas e Florestas: Carlos da Costa Neves
Ministra da Educação: Maria do Carmo da Costa Seabra
Ministra da Ciência e Ensino Superior: Maria da Graça da Silva Carvalho
Ministro das Cidades, Administração Local, Habitação e Desenvolvimento Regional: José Luís Arnaut
Ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações: António Mexia
Ministro da Cultura: Maria João Bustorff Silva
Ministro do Ambiente e do Ordenamento do Território: Luís Nobre Guedes
Ministro do Turismo: Telmo Correia
Ministro-Adjunto do Primeiro-Ministro: Henrique Chaves
Ministro dos Assuntos Parlamentares: Rui Gomes da Silva
Secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros: Domingos Jerónimo.

A última parte (lista completa de Secretários de Estado) - as soon as possible.

Publicado por JPDIAS em 05:35 PM | Comentários (0) | TrackBack

julho 16, 2004

MIGUEL SOUSA TAVARES VS PSL

Seria particularmente credível a crítica de MST a PSL ínsita no post anterior se entre ambos não existisse o «partis-pris» de que a Visão de ontem dava conta. São as razões pessoais que obnubilam o juízo crítico e retiram legitimidade e credibilidade a quem faz a crítica. E o comentador, em nome da isenção e da transparência, tinha o dever de assumir a divergência prévia. Só lhe ficava bem. E assim, já poderíamos dar o devido desconto à sua prosa.

Publicado por JPDIAS em 03:27 PM | Comentários (2) | TrackBack

E PORTUGAL SEGUE DENTRO DE MOMENTOS

Miguel Sousa Tavares, n'O Público de hoje e aqui, a merecer ser lido (bold da nossa responsabilidade)

Nestas coisas do amor à pátria tenho uma noção um bocado antiquada e simplista: acho que o amor à pátria consiste em estar disposto a servi-la em caso de necessidade sem perguntar primeiro "quanto?", em declarar tudo o que se ganha ao fisco, em votar nas eleições, nem que seja em branco, em defender, por palavras e actos concretos, o seu património histórico, natural e cultural. A onda de histeria patriótica que invadiu o país a propósito do Euro deixou-me meio perplexo, como no dia 26 de Abril de 1974, ao descobrir, igualmente nas ruas, que, afinal, todo o país era composto de resistentes à ditadura. O patriotismo das emoções e das multidões é certamente mais fácil do que o patriotismo dos deveres serenamente cumpridos. Até porque o primeiro dura o espaço de um acontecimento e o segundo a vida toda.

Cavalgando a onda de emoção patriótica, o Presidente Sampaio, lágrima ao canto do olho, condecorou como heróis nacionais e símbolo do tal "patriotismo moderno" que ele propõe os jogadores e técnicos da selecção nacional, que, jogando com todas as vantagens do seu lado, cometeram a proeza de ganhar três jogos à tangente, empatar um e perder dois. E muita gente que inesperadamente se deixou contaminar por essa onda do patriotismo das bandeirinhas acordou passados uns dias para o pesadelo real da moscambilha política cozinhada por Barroso e Santana e consentida por Sampaio. Portugal regressou assim, de um só golpe, à sua triste realidade.

O que há de comum entre Barroso, Santana e Sampaio é que todos três são emanações do mundo partidário, sem correspondência no mundo dos cidadãos. Salvaguardando o passado profissional e o percurso de resistente de Sampaio no antigo regime (que nunca é de esquecer), todos três atingiram o cume da carreira política por sobretudo terem sabido estar no lugar certo e na posição partidária certa, no momento adequado. E, enfim, todos três mostraram estar imediatamente disponíveis para abandonar as funções públicas para as quais haviam sido eleitos, quando no horizonte lhes surgiu a oportunidade de qualquer coisa de melhor ou mais grandioso. Talvez por isso, por essa origem comum no mundo partidário, nenhum dos três terá verdadeiramente percebido a genuína e instintiva revolta surda que os respectivos desempenhos nesta tragicomédia geraram entre tanta gente de bem.

Muitos dos votantes de Sampaio - e até muitos outros que, não tendo votado nele, estavam contudo indignados com o negócio privado que Barroso e Santana lhe propunham - quiseram iludir-se até ao fim, acreditando que o Presidente não caucionaria uma solução que, sendo embora possível e constitucional, era politicamente ilegítima e eticamente chocante. Quiseram acreditar que Sampaio não cederia a esquecer as razões dos que nele haviam votado, sob pena de esvaziar para o futuro qualquer sentido político da eleição presidencial por sufrágio universal. E que não premiaria a indecente deserção do primeiro-ministro, que, saindo de uma demolidora derrota eleitoral, havia jurado publicamente, semanas antes, que entendera a mensagem e iria redobrar esforços ao serviço de uma boa governação. Quiseram acreditar que Sampaio não se tinha comprometido previamente com Durão Barroso - como este deixou bem implícito -, que o primeiro-ministro poderia ir à sua vida sem problemas, que ele ali estaria para aceitar a solução dinástico-partidária que lhe apresentassem, mesmo que ela não tivesse qualquer sustentação, real ou presumida, na vontade dos governados.

Eu - confesso-o com toda a sinceridade - nunca esperei de Sampaio outra coisa que não aquilo que ele acabou por fazer. A sua decisão foi a única condizente com todo o seu passado político em democracia, de homem temente das rupturas, das clarificações, dos conflitos regeneradores. Foi assim o seu mandato na Câmara de Lisboa, tem sido assim o seu mandato em Belém. E se o primeiro acabou porque lhe surgiu a oportunidade da Presidência, o segundo acabou já também, de facto, com o seu suicídio político de sexta-feira passada. O "droit de regard" que diz manter sobre a governação de Santana Lopes não passa de uma tentativa de se iludir a si próprio e mais ninguém. Tudo o que daqui para diante ousar contra esse Governo terá sempre a imagem cruel de uma tardia emenda e de uma inútil tentativa de sossegar retroactivamente a sua consciência. Nunca um Presidente se havia colocado assim nas mãos de uma maioria e de um governo. Sampaio entregou literalmente o jogo; deixou-se destrunfar e destrunfou-nos a nós todos. Com uma agravante: é que o cidadão Jorge Sampaio, que eu sempre respeitei e respeito, independentemente de discordâncias políticas, sabe que caucionou perante o país uma solução que representa o triunfo do oportunismo, do caciquismo partidário e da mediocracia. Ele acaba de entregar a gestão do país e do Estado a quem nunca deu provas de respeitar a gestão da coisa pública, a quem nunca mostrou noção de serviço público e, pelo contrário (basta ter lido os artigos semanais de Santana Lopes no "Diário de Notícias" para o perceber), sempre entendeu o desempenho de cargos públicos como sucessivos trampolins para a sua carreira pessoal.

Ou seja, o mesmo Presidente que, quinze dias atrás, apelava ao patriotismo das bandeirinhas, convoca-nos agora para continuarmos de bandeiras ao alto, a acreditar que a pátria pode ser servida por quem obteve o seu mando pelas piores razões e por quem esgota os seus méritos políticos conhecidos na longa e insidiosa sedução dos "lobbies" e das estruturas partidárias, movidas pela mediocridade e pela ambição.

Leio que dos 109 conselheiros nacionais do PSD, dois fugiram a dar a cara, dois abstiveram-se e 105 votaram a favor de Pedro Santana Lopes para primeiro-ministro. Dezenas ouvi eu num passado recente prometerem guerra sem tréguas à insaciável ambição de poder de Santana Lopes: mas, ou desistiram e se conformaram, aceitando que há momentos em que o partido pode ser mais importante que o país, ou estão já prontos a servir-se das benesses do poder, sob as suas múltiplas e cada vez mais explícitas formas. Leio que o próprio Santana Lopes jurou na RTP que um dos seus vícios é "trabalhar muito" e que deixou "obra feita" em Lisboa. Leio que Durão Barroso anda a seduzir os Verdes europeus jurando que sempre foi ambientalista e a seduzir os sociais-democratas jurando que é contra "a arrogância e o unilateralismo americano" (tê-lo-á dito ao seu amigo George?). Constato, pois, que já vale tudo e tudo será perdoado: as solenes promessas quebradas sem qualquer pudor; os cargos confiados pelos eleitores que se abandonam à primeira oportunidade de benefício pessoal; as mentiras, públicas e notórias, ditas com a maior desfaçatez; a ascensão partidária, rumo ao poder, alicerçada nas promessas feitas a todos os "lobbies" e sustentadas nos dinheiros dos pagadores de impostos; a mais venal confusão entre o Estado, o partido, os escritórios de advogados e os interesses clientelares do orçamento público. Estamos a um passo, a um passo apenas, da fronteira final do "fartar vilanagem".

E constato que vou ter a governar-me na Câmara de Lisboa alguém que nem sei quem é; a primeiro-ministro alguém que apenas se candidatou à Câmara de Lisboa; na presidência da Comissão Europeia alguém que foi o maior derrotado das eleições europeias, alguém que na hora decisiva se pôs ao lado da "arrogância e do unilateralismo" americano contra a Europa e alguém que jurou aos portugueses que não fugia, como o seu antecessor. E na Presidência da República alguém que se esqueceu de quem e porquê o elegeu. Ou seja: ninguém, de facto, me representa e, todavia, eu votei em todas as eleições. Entre mim e esta democracia há qualquer coisa que não bate certo. Ou será entre mim e o "patriotismo moderno"?

Publicado por JPDIAS em 03:08 PM | Comentários (1) | TrackBack

NA VÉSPERA

Vasco Pulido Valente, no DN de hoje e aqui, a merecer ser lido (bold da nossa responsabilidade)

Em 1995, depois de um longo Governo, Cavaco saiu serenamente, e deixou o País de maneira geral próspero e em ordem. Saiu farto do PSD, da imprensa e da televisão. Com ele acabou uma era. Professor de Economia, Cavaco vinha do Banco de Portugal e tinha sido um excepcional ministro das Finanças. Valia por si próprio no mundo «normal» entre gente «normal». Em 2002, a meio do segundo mandato, Guterres resolveu fugir e deixou o País num estado deplorável. Em 2004, fugiu Barroso, com uma desculpa que absurdamente passou por «honrosa», e deixou o País mais pobre, mais confuso e sem esperança numa adiada e sempre duvidosa «retoma». E, agora, veio o dr. Santana Lopes. Por muito estranho que pareça, num ponto essencial Guterres, Barroso e Lopes não se distinguem: são os três puros produtos partidários. Na vida civil nenhum deles vale coisíssima nenhuma. Tirando um ou outro emprego aos vinte anos, todo o dinheiro que ganharam foi ganho na política ou pela política. Pior: nem na política fizeram nada de notável, antes de chegarem ao poder. Guterres nunca sequer passou pelo Governo; Barroso é o autor do inominável acordo de Bicesse; e Lopes protegeu o «teatro de revista», plantou umas palmeiras na Figueira da Foz (não exactamente um acto heróico) e legou a Lisboa um saco de sarilhos. Sem excepção, os três só mostraram talento para a intriga e a manobra partidária. A partir de Cavaco, Portugal ficou entregue a pequenos conspiradores de pequenas seitas. Ninguém se deve admirar com a irresponsabilidade e o essencial oportunismo que eles constantemente mostraram. Ou com a contínua degradação do País, que eles consentiram, quando não promoveram. Hoje há um ar de irrealidade no advento de Santana Lopes. Ninguém acredita que está a suceder o que está a suceder. É um sentimento comum em véspera de catástrofe.

Publicado por JPDIAS em 02:52 PM | Comentários (1) | TrackBack

julho 15, 2004

O GOVERNO (PARTE II)

Ministro de Estado e dos Assuntos Económicos - Álvaro Barreto

Novas partes do filme - as soon as possible.

Publicado por JPDIAS em 09:25 PM | Comentários (1) | TrackBack

FREITAS DO AMARAL....

...anuncia na revista Visão de hoje que vai de férias e não voltará tão cedo. O desagrado com a decisão presidencial de nomear PSL primeiro-ministro fê-lo aborrecer-se com o país e interromper a sua participação cívica e política por algum tempo. Onde é que já vimos algo semelhante?

Publicado por JPDIAS em 02:58 PM | Comentários (2) | TrackBack

O GOVERNO (PARTE I)

Primeiro Ministro - Pedro Santana Lopes
Ministro da Defesa Nacional (e de Estado?) - Paulo Portas
Ministro dos Negócios Estrangeiros - António Monteiro
Ministro das Finanças - António Bagão Félix


Novas partes do filme - as soon as possible

Publicado por JPDIAS em 12:47 AM | Comentários (2) | TrackBack

julho 14, 2004

BAGÃO FÉLIX NAS FINANÇAS!


Uma boa escolha de PSL. Bagão Félix, homem estruturalmente sério, é daqueles políticos que, o que faz, faz bem. Democrata-cristão convicto, vai ser um bom Ministro das Finanças - e garante de que a política financeira do Estado não entrará em «roda livre». Aqui, uma boa síntese curricular do novo Ministro das Finanças.

Publicado por JPDIAS em 10:15 PM | Comentários (1) | TrackBack

O TACHO

Vale a pena atentar no certeiro post de Rui A. aqui.

Publicado por JPDIAS em 05:30 PM | Comentários (1) | TrackBack

ANTÓNIO VITORINO



Demonstrou indisponibilidade para se candidatar a Secretário-Geral do Partido Socialista alegando falta de motivação. Muito em breve saber-se-á aquilo que o motiva!

Publicado por JPDIAS em 05:22 PM | Comentários (1) | TrackBack

O ESTADO DA NAÇÃO....

..... nesta altura: sem governo (o que existe está apenas em funções de gestão) e sem oposição (o principal partido da oposição está sem liderança e atolado nas suas questiúnclas internas). Alguém sentiu a falta?

Publicado por JPDIAS em 04:30 PM | Comentários (0) | TrackBack

julho 13, 2004

ANTÓNIO VITORINO...

... voltou a virar as costas ao Partido Socialista. Mais uma vez! E outra vez quando o Partido precisava dele. No futuro, quando quiser e se quiser «chegar lá», não faltarão os «amigos» que se encarregarão de recordar estas «negas».

O caminho fica, assim, aberto para José Sócrates. Do mal.... o menos (na perspectiva do interesse nacional).

Publicado por JPDIAS em 07:22 PM | Comentários (2) | TrackBack

ELES PEDEM, ELES PERDEM (OUTRA VEZ!)

Como já aqui havíamos previsto, o Presidente da República promulgou a última lei de revisão da Constituição.

Obviamente não a vetou nem a sujeitou ao Tribunal Constitucional.

Mais uma vez, a extrema-esquerda, a esquerda comunista e a extrema-direita pediram e perderam.

Publicado por JPDIAS em 06:35 PM | Comentários (1) | TrackBack

UMA BOA NOTÍCIA

Via DN, de hoje, uma boa notícia:

«O CDS/PP reingressou ontem no Partido Popular Europeu (PPE) por unanimidade, numa reunião daquela família política em Bruxelas. O CDS/PP, representado pelos eurodeputados Luís Queiró e Ribeiro e Castro, fica assim integrado no mesmo grupo político europeu do seu parceiro de coligação, o PSD.

O CDS/PP foi afastado do PPE em 1992, sob a liderança de Manuel Monteiro, por se considerar que não tinha suficientes credenciais europeias. O partido integrou desde então o grupo da Europa das Nações. Mas Luís Queiró lembrou que, «desde 1998», existia o «objectivo estratégico» de regresso «à família originária, onde nascemos como partido europeu e como partido democrático». Ribeiro e Castro salientou a coincidência do regresso ao PPE com a celebração do trigésimo aniversário do CDS-PP, a 19 de Julho.

Os centristas portugueses relançam assim a sua imagem europeia, podendo reforçar o peso da aliança com o PSD. Para o cabeça-de-lista da coligação, João de Deus Pinheiro, «poderemos almejar ocupar um ou outro posto que potencie mais os interesses portugueses».

O Parlamento Europeu (PE) distribui na próxima semana os cargos de coordenação política, para o que conta o peso de cada grupo. O líder do PPE, Hans-Gert Poettering, classificou o regresso do PP como «um facto positivo» que abre um bom ambiente de cooperação.

A decisão ocorreu na véspera do início das audições a Durão Barroso pelos grupos políticos europeus e que precedem a votação do PE sobre a sua nomeação para a presidência da Comissão Europeia.

Se Barroso não espera (amanhã) problemas de maior com o PPE, a audição de hoje com o Partido Socialista Europeu (PSE) tem contornos delicados devido às reservas ali sentidas à sua nomeação. O seu líder, Martin Schulz, disse esperar conhecer melhor as ideias de Barroso sobre a forma como pretende conduzir a Comissão. Mas descreveu o PSE como «não muito entusiasmado» com a escolha de Durão.

Para o líder do CDS/PP, Paulo Portas, a decisão do PPE é «histórica» e permite manter «a nossa liberdade e a nossa identidade quanto à posição de questões importantes na área europeia, numa linha, como tenho dito há vários anos, que é europeísta e protectora do interesse de Portugal».

Curiosa a reacção de Manuel Monteiro à notícia em causa:

«O ex-presidente Manuel Monteiro disse ao DN que «a reentrada do CDS no PPE é demonstrativa da falta de coluna vertebral que caracteriza a actual liderança do partido».

Não tendo desmentido categoricamente isto, em matéria de coluna vertebral (ou de falta dela) há quem fale de cátedra!

Publicado por JPDIAS em 06:13 PM | Comentários (0) | TrackBack

julho 12, 2004

AS MANIF'S ESPONTÂNEAS CONTRA SANTANA

Via Razão das Coisas, as primeiras imagens em directo e ao vivo das manifestações de desagrado contra a indigitação de PSL para primeiro-ministro. Convocadas pelo BE via sms. Confiram aqui.

Publicado por JPDIAS em 08:20 PM | Comentários (0) | TrackBack

CORRER ATRÁS DO TACHITO

Estes estavam especialmente apressados. Não perderam tempo a tratar do tachito. Sampaio também lhes trocou as voltas. Não foi só à esquerda e à extrema-esquerda. Foi também à extrema-direita.

Publicado por JPDIAS em 08:02 PM | Comentários (0) | TrackBack

A MAROSCA ESTAVA MESMO PREPARADA!

Então não é que a «marosca» denunciada aqui e a que havíamos já feito referência aqui, parece que estava mesmo preparada? Ora leiam isto! Ao que chegou o despudor e a falta de vergonha!

Publicado por JPDIAS em 02:43 PM | Comentários (0) | TrackBack

julho 10, 2004

OS EXTREMOS TOCAM-SE

Extrema-esquerda e extrema-direita queriam eleições.

Extrema-esquerda e extrema-direita perderam.

Portugal não terá ganho muito.

Portugal teria perdido muito mais se a vontade da extrema-esquerda e da extrema-direita tivessem tido sucesso.

Publicado por JPDIAS em 08:05 PM | Comentários (2) | TrackBack

COLIGAÇÃO PS - BE - PND?

Este sítio, além de ser um Reduto selecto, costuma andar bem informado. Mas esta notícia é estranha. Será que a «marosca» estava preparada?

Publicado por JPDIAS em 07:33 PM | Comentários (0) | TrackBack

julho 09, 2004

FRANCISCO LOUÇÃ

Vejo agora na TV as trombas do dito reagindo à decisão de Sampaio. Destila ódio. Sinto o mesmo que já senti a propósito da Ana Gomes! Há muito que a política portuguesa não me deixava tão contente. Se a extrema-esquerda está furiosa, eu só tenho mesmo é que estar feliz, não é mesmo?

Publicado por JPDIAS em 11:58 PM | Comentários (0) | TrackBack

UM SACO DE GATOS CHAMADO PS

A demissão de Ferro Rodrigues veio confirmar plenamente o que já se suspeitava - a paz no Partido Socialista era uma paz podre. Ou, se quisermos, uma paz conseguida pelos piores motivos: pelo «cheiro» a poder, pela proximidade a que acreditavam que estava o regresso ao poder. Em nome disso, calavam as divergências, cerravam fileiras em torno do Secretário-Geral que sabiam fraco e fragilizado. Bastou a certeza que não chegavam ao poder tão cedo para que a tal unidade se evidenciasse e viesse ao de cima! Bela unidade. Bela coesão.

Daí que, apesar de se ter considerado aqui que a solução PSL para a liderança do governo não era uma boa solução, qualquer solução que pudesse conduzir este PS ao poder tivesse sido, inquestionavelmente, uma solução muito pior para o país.

Publicado por JPDIAS em 11:32 PM | Comentários (0) | TrackBack

ANA GOMES

Há muito tempo que a vida política portuguesa não me dava uma alegria tão grande como a que tive ao ver as «trombas» da dita senhora ao comentar a decisão de Sua Excelência! Que diferença relativamente à postura de outros membros do seu próprio partido.

Publicado por JPDIAS em 11:16 PM | Comentários (0) | TrackBack

A DECISÃO

Jorge Sampaio decidiu. Como já tínhamos evidenciado aqui, tratou-se de uma decisão. A menos má que poderia ter tomado.

Publicado por JPDIAS em 11:09 PM | Comentários (2) | TrackBack

O DISCURSO DE SAMPAIO



Para memória futura, aqui fica o texto integral da comunicação que Jorge Sampaio acaba de proferir - a comunicação que deixou a esquerda à beira de um ataque de nervos!

Portugueses,
Fui confrontado com a demissão do Governo como consequência da aceitação por parte do Sr. Primeiro-Ministro do convite que lhe foi endereçado para presidir à Comissão Europeia. Ou seja, com a interrupção do mandato do Governo por sua própria iniciativa.

Entendi e entendo que a presença de um português à frente da Comissão Europeia é um factor positivo e prestigiante para Portugal.

O Senhor Primeiro Ministro sabia que não podia fazer depender a sua opção pessoal do modo como fosse resolvido o problema criado pela sua demissão. A decisão do Presidente da República, perante essa circunstância, é sempre uma decisão autónoma e livre.

A alternativa é conhecida de todos: ou o Presidente da República nomeia um novo Primeiro Ministro, indicado pelo partido maioritário na Assembleia da República, ou dissolve a Assembleia da República, e convoca eleições gerais antecipadas.

Ponderei, sempre e até ao fim, ambas as possibilidades.

E nesse processo, mesmo antes de ouvir os partidos políticos com representação parlamentar e o Conselho de Estado, entendi consultar um conjunto de personalidades, incluindo os antigos Presidentes da República e Primeiros Ministros.

Foi uma decisão complexa, dada a controvérsia sobre a melhor forma de resolver o problema. Qualquer das alternativas comportava custos. A opinião pública tinha a percepção destes custos e, por isso, dividiu-se entre os dois caminhos para resolver a crise. Acresce que, ao contrário do que aconteceu quando da demissão do Primeiro-Ministro António Guterres, na sequência das últimas eleições autárquicas, onde então se verificou consenso partidário, regista -se agora uma forte divergência.

Nestas circunstâncias, o Presidente da República tem de avaliar e decidir, de acordo com a Constituição e com a sua interpretação do interesse nacional.

Tenho reafirmado, ao longo dos meus dois mandatos, a importância da estabilidade política enquanto factor de desenvolvimento nacional e de regular funcionamento das instituições democráticas.

A estabilidade política associada ao regular funcionamento das instituições significa:

- em primeiro lugar, que os cidadãos, quando são chamados a eleger os seus representantes na Assembleia da República, têm, por essa via, a possibilidade de escolher, indirectamente, um Governo para os quatro anos seguintes;

- em segundo lugar, que, ao longo desses quatro anos, o Governo, com respeito das regras constitucionais, deve ter a possibilidade de realizar, livre e responsavelmente, o programa sufragado nas eleições;

- finalmente, que, no termo da legislatura, os eleitores julgarão a actividade do Governo.

Não compete ao Presidente da República governar. Mas já lhe compete garantir as condições de regularidade, legitimidade e autenticidade democráticas de todo este processo.

Se estas condições estiverem garantidas, entende o Presidente da República que o mandato do Governo não deve ser interrompido antes do fim da legislatura, pese embora o resultado de outras eleições entretanto verificadas.
Desde que o Governo saído das eleições parlamentares continue a dispor de consistência, vontade e legitimidade políticas, a demissão ou impedimento permanente do Primeiro-Ministro não é motivo bastante para, por si só, impor a necessidade de eleições antecipadas.

Posto isto, a minha avaliação concentrou-se, naturalmente, na análise das consequências para a situação política e parlamentar da demissão do Primeiro Ministro.

Será que mudou algo de essencial que possa justificar uma interrupção do mandato da Assembleia da República?

Ou, ao invés, tanto quanto é possível avaliar neste momento, existem condições para garantir um novo Governo, com uma maioria estável na Assembleia da República, que possa assegurar a sua permanência nos dois últimos anos da legislatura?

Na sequência das audiências dos partidos políticos, a actual maioria garantiu-me poder constituir um novo Governo, que permita dar continuidade e cumprir o Programa do anterior; e que essa maioria se comprometeu assegurar, até ao final da legislatura, o mesmo apoio que deu ao governo cessante.

Nestas condições a dissolução da Assembleia da República teria de ser considerada a solução que mais se afastaria da estabilidade política.

Um quadro de continuidade das políticas essenciais, onde, além do mais, se incluem a Europa, a política externa, a defesa, a justiça, bem como as políticas de consolidação orçamental, são fundamentais para que possa optar-se pela constituição de um novo Governo.

Muito especialmente, quero ainda chamar a atenção para a proximidade de um novo ciclo eleitoral, que inclui as eleições regionais e as autárquicas, com que quaisquer Governos estariam sempre defrontados, para sublinhar que os critérios de austeridade, de sobriedade e de orientação estratégica dos investimentos do Estado, não vinculam só o Governo e a administração central. Devem ser obrigatórios para todas as administrações e entidades públicas, a par, naturalmente, da isenção política que perante aqueles actos eleitorais deverão manter.

Resta, assim, a questão da legitimidade da actual maioria para formar um novo Governo.

Nas últimas eleições parlamentares, os partidos políticos submeteram ao eleitorado diferentes programas e candidatos, sem que nenhum tivesse obtido uma maioria absoluta.

Nesse contexto, a legitimidade para formar Governo adveio, num primeiro momento, do voto popular e da representação parlamentar obtida, que, logo a seguir, deu lugar à formação de uma nova coligação maioritária na Assembleia da República, que garantiu a aprovação do Programa de Governo.

Ora um e outro factor, garantem-me, permanecem inalterados.

Os resultados de referência continuam a ser os verificados nas eleições parlamentares de 2002; a possibilidade de acordo parlamentar maioritário em torno do Programa de Governo permanece válida.

Nesse sentido, decidi dar oportunidade à actual maioria de formar um novo Governo, pelo que endereçarei o correspondente convite ao Presidente do Partido Social Democrata, agora que, neste quadro, estão esgotadas outras possibilidades.

Justifica-se reiterar aqui que tem de ser rigorosamente respeitada a continuidade das políticas essenciais – repito, a Europa, a política externa, a defesa, a justiça, bem como as políticas de consolidação orçamental.

Fique claro que é por estas vias de continuidade e pelo rigor indispensável que passarão os critérios permanentes da minha avaliação das condições de manutenção da estabilidade governamental; e utilizarei a plenitude dos meus poderes constitucionais para assegurar que esses critérios serão respeitados. Sempre terei por inaceitáveis viragens radicais nestas políticas, pois foram elas as sufragadas pelo eleitorado

Portugueses,

O Presidente da República permanece fiel à sua obrigação constitucional de garantir o regular funcionamento das instituições democráticas e mantém intactos todos os seus poderes constitucionais, incluindo o poder de dissolução da Assembleia da República. Continuo, finalmente, a poder garantir os princípios em nome dos quais fui eleito e em nome dos quais tenho pautado a minha actuação como Presidente da República.

Ouvi todas as opiniões.

Todos entenderão, porém, que preze a coerência com a minha interpretação dos poderes presidenciais e a preservação do estatuto de Presidente da República como Presidente de todos os Portugueses.

Sei bem que muitos portugueses e seus representantes políticos propunham que tomasse outra decisão. Considerei e considero inteiramente compreensíveis e legítimas as suas posições. Estou certo de que, mau grado a minha diferente opção, entenderão os argumentos que me levaram a escolher o caminho da indigitação de um novo Primeiro-Ministro.

Não tomei esta decisão de ânimo leve. Ponderei profundamente as consequências de ambas as decisões. Procurei ser fiel ao meu passado, às minhas convicções políticas e ao programa com que duas vezes me apresentei ao eleitorado. Decidi apoiado numa longa experiência política e no profundo conhecimento do país que hoje tenho. Pesei, com rigor, os caminhos que melhor servem Portugal, nas circunstâncias concretas em que ele se encontra.

Não posso ignorar que as exigências da nossa situação económica e financeira, com uma retoma ainda incipiente, uma consolidação orçamental longe de estar garantida e uma situação social particularmente gravosa, me aconselham também este caminho.

E, assim, por convicção e coerência, decidi.

Tenho consciência de que Portugal atravessa um momento difícil que impõe ao Presidente da República a máxima ponderação dos riscos das diversas alternativas e a necessidade de assegurar a continuidade do regime constitucional.

Nesse regime - que não fiquem dúvidas - a nossa opção é pela democracia representativa, de que não sou o notário, mas sim o garante; e que, por isso, não há razões de oportunidade, por mais compreensivas que sejam, que possam abrir caminho e criar um precedente para futuros desvios plebiscitários.

Sei que posso contar com todos para, com serenidade e uma visão de futuro, ultrapassar esta situação e para defender os valores essenciais da democracia portuguesa.

Muito obrigado.

Publicado por JPDIAS em 10:35 PM | Comentários (0) | TrackBack

julho 08, 2004

COM AMIGOS (APOIOS) DESTES, QUEM PRECISA DE INIMIGOS?



Publicado por JPDIAS em 11:40 AM | Comentários (4) | TrackBack

julho 07, 2004

À ATENÇÃO DO SENHOR PRESIDENTE DA REPÚBLICA

Na longa feira de vaidades e interminável desfile de entidades ou pseudo-entidades que tem calcorreado o Palácio de Belém para dar o seu douto parecer e avisado conselho ao Senhor Presidente da República sobre a melhor forma de resolver a actual crise política, este modesto escriba da blogosfera nas horas vagas não foi convocado nem contemplado para opinar. Em todo o caso, porque opinião existe, aí fica a mesma consignada confiante em que alguma mão amiga a faça chegar ao seu eminente destinatário.

Parece evidente que o Presidente da República enfrenta um dilema sério e grave. O referido desfile de «conselheiros», porém, em nada deve ter contribuído para melhor formar o juízo de Sua Excelência - antes deu à dita crise uma dimensão «apalhaçada» que era bem dispensável. Que poderão tais ilustres personalidades ter ido dizer a Sua Excelência, que Sua Excelência e os seus mais próximos conselheiros - incluindo os de Estado, que também os há para isso mesmo, para aconselharem Sua Excelência - não lhe pudessem transmitir? Nada. Absolutamente nada.

E o dilema de Sampaio, reduzindo as coisas à sua maior simplicidade, resumir-se-á a isto: Sampaio sabe, ou tem obrigação de saber, que nenhuma das atitudes que tome - nomear PSL primeiro-ministro ou convocar eleições antecipadas - é boa para o País. Mas Sampaio também sabe, também tem obrigação de saber, que se a decisão final lhe pertence por inteiro, nos cenários existentes ele não pode interferir em nada. Estão para além dele e das suas competências. O que significa que, na prática, Sampaio sabe-se refém sempre de uma má decisão. Qualquer que venha a ser a decisão que tome - será sempre má e nefasta para o país. Dispenso-me de invocar os prós e os contras de cada uma das soluções - já enunciados à exaustão pelos militantes de cada uma delas. Pela minha parte, limito-me a constatar o evidente - Sampaio, por muito que apregoe que a decisão é dele (e é-o!) está refém de cenários para os quais não contribuiu e que antecipadamente se sabe que serão cenários negativos.

Não é, pois, fácil, a decisão presidencial a tomar em breve. Entrámos num caminho sempre perigoso, do qual se conhece o princípio mas do qual nunca se pode conhecer antecipadamente o fim - o caminho da escolha entre não uma boa e uma má decisão, mas o caminho da escolha entre duas más decisões. Numa palavra, a escolha do mal menor. Mas nem por ser menor deixa de ser um mal.

Por isso, baixem-se as expectativas dado que, de Belém, nunca poderá sair uma boa decisão. Sairá, sempre, uma má decisão. Qualquer que ela seja.

Publicado por JPDIAS em 05:21 PM | Comentários (1) | TrackBack

julho 05, 2004

ACABADO O EURO ....

.... do nosso contentamento, da nossa alegria, da nossa esperança, do nosso fado e da nossa desilusão, eis-nos voltados ao doce remanso de um quotidiano mais trivial, mais real, mais «português».

Publicado por JPDIAS em 11:25 AM | Comentários (2) | TrackBack

julho 02, 2004

NÃO CUSTA NADA DIVULGAR....

.... a petição on line dirigida ao Senhor Presidente da República para que resolva a crise política em curso através da convocação de eleições legislativas antecipadas. O texto está aqui e quem quiser assinar pode fazê-lo aqui.

Publicado por JPDIAS em 12:14 AM | Comentários (3) | TrackBack

julho 01, 2004

PORTUGAL VISTO DE ESPANHA

Do diário digital espanhol El Confidencial, edição de hoje, com a devida vénia, uma visão espanhola sobre Portugal:

ELOGIO DE PORTUGAL, UN PAÍS CON UNA FEROZ LIBERTAD DE EXPRESIÓN, DEL QUE LOS ESPAÑOLES TENEMOS MUCHO QUE APRENDER

Muchos españoles están descubriendo estos días, aparentemente sorprendidos, la existencia en la casa de al lado de un vecino llamado Portugal, un vecino bastante más pobre que nosotros pero capaz de organizar una evento tan importante como un Campeonato de Europa de fútbol, de construir una serie de estadios, todos magníficos, de ganar a la millonaria selección española, e incluso de colocar como presidente de la Comisión Europea a uno de sus políticos, José Manuel Durao Barroso.

Ese país, cuya selección jugó y ganó ayer la primera semifinal de dicho campeonato contra Holanda, lo cual ya es de por sí un triunfo, sigue siendo un gran desconocido para España y los españoles. ¿Por qué? Porque los españoles, con la inveterada suficiencia de quien se cree superior, se han negado siempre a entender -en realidad ni siquiera lo han intentado- a Portugal y los portugueses.

Cuando la realidad es que España y los españoles tendrían -tendríamos- mucho que aprender de nuestros vecinos atlánticos. Aprender y lamentar la ausencia en España de esa elite intelectual, empresarial y política que habla idiomas, elite muy cercana a Gran Bretaña y a la cultura francesa, muy poco hispanófila, pero muy tolerante, muy abierta, muy cosmopolita.

En Portugal sería impensable contar con un presidente de la República que no hablara francés e inglés. La mayoría de los portugueses se esfuerzan por hablar español ante españoles, haciendo gala de una actitud cívica en el trato que tan difícil es de encontrar en el páramo hispano.

El presidente, Jorge Sampaio, vive en su casa, en su propio domicilio, como el primer ministro. A ninguno le da por convertirse en un Trillo. Nadie enloquece con el cargo. Nadie se prevale de su condición. Antonio Vitorino, actual comisario europeo, dimitió de su cargo como ministro -socialista, por
cierto- tras descubrirse un desfase de 8.000 escudos (unas 6.000
pesetas) en las cuentas de su ministerio.

Semanas atrás, el presidente ZP se trasladó a Lisboa en su primera visita relámpago al país vecino, y no se quedó a cenar con Durao Barroso a pesar de haber sido invitado. Todo un síntoma. Vistas así las cosas, no es extraña esa inveterada desconfianza que comparte la clase política portuguesa hacia España, desconfianza que la prensa se encarga de mantener viva. Sus razones tendrán.

Todo el edificio de ese Portugal Abierto -la vieja aspiración de quienes aquí persiguen una España Abierta capaz de superar sus viejos atavismos- se asienta seguramente sobre una feroz libertad de expresión que todos defienden y que se manifiesta en los debates -políticos, económicos- que se celebran en la televisión y en los textos que aparecen en diarios y semanarios (de gran importancia en el país vecino).

Comparar esa libertad de prensa, ese valor cívico del que hacen gala las elites portuguesas para hablar alto y claro, y criticar lo que juzgan merecedor de crítica, con el miedo a hablar de nuestros ricos, de nuestros empresarios, de nuestros políticos, fieles devotos de la ley del silencio, y con el secretismo y la rendición a los poderes políticos y económicos que hoy caracteriza a la prensa española -no digamos ya a la televisión- es como para echarse a llorar. ¿De qué presumen, entonces, los españoles ante Portugal y los portugueses? Ese es, sin duda, uno de los grandes misterios de la Historia Universal.

Publicado por JPDIAS em 11:52 PM | Comentários (2) | TrackBack

«O DISCURSO DE DURÃO BARROSO», OU «COMO SER-SE PRESIDENTE DA COMISSÃO EUROPEIA É MAIS IMPORTANTE QUE SER-SE PRIMEIRO-MINISTRO DE PORTUGAL»

O discurso (renúncia? demissão? justificação? abandono?) de Durão Barroso ao país, a 29 do corrente - ou a tese segundo a qual ser-se Presidente da Comissão Europeia é mais importante do que ser Primeiro-Ministro de Portugal, independentemente das crises que daí possam resultar:

«Realiza-se hoje, em Bruxelas, uma reunião do Conselho Europeu que indigitará o próximo Presidente da Comissão Europeia.

Antes de partir para essa reunião quero aqui mesmo, em Lisboa, informar em primeiro lugar os Portugueses da minha decisão: vou aceitar o convite que me foi dirigido pelos chefes de Estado e de Governo europeus para me candidatar à Presidência da Comissão.

Tomo esta decisão num momento excepcional da vida da União Europeia, após o alargamento a vinte e cinco Estados membros e a aprovação de uma Constituição Europeia.

Entendo que um político, ao assumir responsabilidades no seu país, assume igualmente responsabilidades no plano da União Europeia. Nada do que é europeu nos é estranho.

Nenhum líder nacional se deve furtar a dar o contributo que lhe seja pedido para a construção de uma União Europeia cada vez mais forte, cada vez mais coesa e mais justa, mais interveniente na cena internacional.

Portugal deve muito à Europa. E quando esta pede a colaboração de um Português para uma missão importante, Portugal não deve dizer que não.

Mas tomo esta decisão também com a certeza de assim servir o interesse de Portugal. O lugar de Presidente da Comissão Europeia é certamente o cargo mais relevante que qualquer português pode desempenhar no plano europeu e internacional.

A construção europeia é essencial para a afirmação do nosso projecto nacional. As questões europeias, hoje mais do que nunca, são uma dimensão permanente da nossa vida colectiva e já não apenas um aspecto da política externa portuguesa.

Servir o projecto europeu é também servir Portugal.

Não foi uma decisão fácil. Ao ponderá-la, pensei nos portugueses e na forma como também poderia defender o seu futuro.

Quero, desde logo, ressaltar o apoio unânime que hoje mesmo recebi do meu Governo.

Quero também, muito sensibilizado, agradecer especialmente ao Senhor Presidente da República as felicitações que quis dirigir-me pelo convite que me foi formulado.

Mantive permanentemente informado o Senhor Presidente da República ao longo de todo este processo de decisão.

Nesta ocasião, quero afirmar o meu pleno respeito pela autonomia de decisão do Senhor Presidente da República, no que diz respeito à resolução da situação que irá abrir-se com o pedido de demissão que oportunamente apresentarei.

Quero, igualmente, afirmar a minha confiança na solução que virá a ser encontrada. O facto de o Primeiro-Ministro cessar funções por motivos de relevante interesse nacional não deve prejudicar a estabilidade política, não deve comprometer a linha que o País tem vindo a seguir.

Portugal tem hoje uma democracia responsável, madura, consolidada. Tomo, por isso, esta decisão com uma confiança inabalável nas nossas instituições democráticas. Com a convicção de que, no absoluto respeito pelos poderes de cada órgão de soberania, se manterá a estabilidade política e será dada continuidade ao projecto que foi sufragado pelos Portugueses nas últimas eleições legislativas.

O primeiro dever de qualquer Português é servir o seu País onde quer que esteja. Continuarei a fazê-lo, como europeu, mas sobretudo com o orgulho de ser Português».

Publicado por JPDIAS em 06:33 PM | Comentários (1) | TrackBack

junho 29, 2004

FALÁCIA POLÍTICA É.....

..... defender, a qualquer custo, a formação de um governo no actual quadro parlamentar em nome da estabilidade política e invocar que a convocação de eleições antecipadas poderá significar, sempre, instabilidade política.

Há governos cujas lideranças poderão ser causadoras de tanta ou maior instabilidade do que o recurso a eleições antecipadas. Há eleições que se poderão revelar menos instabilizadoras do que certos governos.

Publicado por JPDIAS em 10:11 PM | Comentários (1) | TrackBack

junho 23, 2004

O REFERENDO E A PERGUNTA

O governo antecipou-se ao show-off mediático da oposição e anunciou a realização, no início de 2005, de um referendo precedendo a ratificação do Tratado institutivo da denominada Constituição Europeia.

É bom que o referendo se faça e é bom que, também em questões europeia, se separem as águas que houver a separar e que, ultimamente, tão misturadas e confusas parecem andar.

Mas adquirida como certa a realização do referendo, coloca-se a questão de saber qual a pergunta a formular aos eleitores - sendo certo que, aconselha a Constituição da República, manda a prudência e recomenda o bom-senso, tal pergunta deve ser inteligível, simples, directa, formulada em termos de poder ser respondida com «sim» ou «não». Mas a Constituição da República manda mais - manda também que, a aprovação de Tratados internacionais (como é o caso) não pode ser feita por referendo. É matéria da estrita responsabilidade da Assembleia da República que é a quem compete, constitucionalmente, proceder a tal acto.

Acresce que, a propósito do tema da aprovação do Tratado institutivo da denominada Constituição Europeia não se deve caír no erro ou na tentação de discutir a pertença e a presença de Portugal na União Europeia. É provável que as euro-radicalidades o façam, que não resistam à tentação da mistura - a nós cumpre-nos desmontar o argumento e, caso ocorra o facto, denunciar a falácia.

Posto isto, impõe-se perguntar - mas, afinal, que deverá ser perguntado aos portugueses nesse tantas vezes tão reclamado referendo sobre matéria europeia? É essa a discussão que, aparentemente, começa a fazer o seu caminho. Pela nossa parte as dúvidas são quase nenhumas. Atendendo à necessidade de conciliar a injunção constitucional que proibe referendos visando a aprovação de tratados internacionais com a determinação política de realizar um referendo a propósito do Tratado institutivo da denominada Constituição Europeia, a pergunta a colocar em referendo aos portugueses não poderá nem deverá, necessariamente, ser muito diferente desta formulação: «Concorda que a Assembleia da República aprove, para ratificação posterior por parte do Presidente da República, o Tratado instituidor da Constituição Europeia?». O que for para além disto será supérfluo. O que ficar aquém disto será insuficiente. Têm a palavra os Senhores Deputados.

Os mesmos Senhores Deputados que, caso o referendo possa ser considerado vinculativo, se acharão vinculados ao seu resultado, qualquer que ele venha a ser, devendo, na Assembleia da República, votar em conformidade com a voz do povo; e que, caso o referendo não obtenha efeito vinculativo - por nele não participarem mais de metade dos eleitores recenseados - manterão intacta a soberania do seu arbítrio, no juízo que houver que ser formulado em sede parlamentar sobre o mesmo Tratado.

Publicado por JPDIAS em 03:52 PM | Comentários (2) | TrackBack

junho 22, 2004

AS FÉRIAS FUTEBOLÍSTICAS DA POLÍTICA

O governo, qualquer governo, devia desejar que houvesse, pelo menos, um Europeu de futebol por ano. Abençoado e santo tempo de pausa política. As atenções concentradas nos jogos, na organização, no «escalonamento» da selecção ideal... Não há discussão nem conversa sobre a inflação, o desemprego, a retoma, a remodelação governamental ou a Constituição Europeia. O país parece ter entrado num doce remanso, propiciador de algum descanso e algumas tréguas. Politicamente parece ter encerrado para balanço. Para descanso dos políticos. Mas também para algum descanso nosso - que também o merecemos. Deviamos colocar nas nossas fronteiras (onde quer que elas existam, signifique o conceito o que significar....) um aviso mais ou menos do seguinte teor: «A política regressa a 5 de Julho».

Publicado por JPDIAS em 01:36 AM | Comentários (1) | TrackBack

junho 16, 2004

A RESPOSTA...

... de PG ao que escrevi aqui. Como sempre - bem sustentada e sólida. Algumas discordâncias ou pontos de vista diferentes vão ser apontadas assim que surja um tempinho! Mas vale a pena ler!

Publicado por JPDIAS em 01:47 AM | Comentários (0) | TrackBack

E VÃO TRÊS!

Depois de Ferro Rodrigues e João Soares (por ordem cronológica), José Lamego acaba de anunciar que se candidatará a Secretário-Geral do Partido Socialista no próximo Congresso. Não há fome que não dê em fartura.

Publicado por JPDIAS em 01:10 AM | Comentários (0) | TrackBack

SOBRE A UTILIDADE DOS PARTIDOS RESIDUAIS

De entre os blogues de que sou leitor assíduo e regular, há dois que visito de forma quase «compulsiva» pela excelência do seu conteúdo, pela firmeza e clarividência das suas posições, pela sobriedade que adoptam a qual, note-se, não se pode confundir com ligeireza. Têm esses dois blogues a particularidade de os seus responsáveis serem simpatizantes confessos (ou mesmo mais do que isso) de uma força política daquelas que, por regra, só se ouve falar em momento de eleições - e nem de todas as eleições: o PNR, Partido Nacional Renovador. Pois muito bem - na sequência das recentes eleições, em que o dito partido alcançou cerca de 8.000 votos, questionei directamente esses dois responsáveis ou simpatizantes da dita agremiação sobre a (in)utilidade da manutenção de partidos políticos que não existem a não ser em épocas eleitorais, que a maioria esmagadora do eleitorado não conhece, que quase pode reunir não os seus dirigentes mas os seus votantes em assembleia geral numa grande sala, que apenas «existem» porque sim, porque vão a votos, porque estão no boletim de voto - mas pelos quais quase ninguém dá no intervalo dos actos eleitorais. A pergunta foi formulada com elevação e correcção, sem carácter provocatório, e foi determinada por uma razão suplementar - é que, nesses partidos, pelo menos naquele de que cuido agora, até se nota um corpo doutrinário sólido, valores e princípios seguros (alguns dos quais subscreveria sem qualquer hesitação), enfim, conteúdo e substância. Porém, contados os votos, é o que se vê. Na questão que formulei alvitrei a hipótese de saber se, em vez de serem partidos autónomos, não ganhariam mais em serem correntes devidamente organizadas e estruturadas de partidos maiores. De partidos com possibilidade de exercerem ou influenciarem o exercício do poder. É que não me esqueço que, no sistema que vivemos, os partidos são feitos para exercerem o poder. Ora, penaliza-me ver ideias e valores válidos perorarem pelas ruas da amargura, votados ao desconhecimento e à inconsequência. Ademais, reconheço, nem sequer é o espírito ou a ânsia de protagonismo dos principais dirigentes que move tais projectos (ninguém os conhece, ninguém sabe quem são - ao contrário de outros, de outros simulacros de partidos que apenas assentam em ânsias de protagonismo pessoal ou em mal-resolvidos ajustes de contas pessoais que, por isso mesmo, por serem e estarem mal resolvidos, apenas se justificam como instrumentos para o exercício da vindicta privada sob a capa do alto desígnio do serviço público).
Esta é, reconheço, uma dúvida que tem pairado no meu espírito. Não sei se os meus interlocutores directamente «visados» terão tempo, paciência ou disposição para uma resposta que, por certo, poderia motivar importante e interessante troca de impressões. Do que for sucedendo, aqui será deixada a devida nota.

Publicado por JPDIAS em 12:01 AM | Comentários (2) | TrackBack

junho 13, 2004

DIFERENTES MAS IGUAIS

"O povo é que me elegeu e só o povo é que pode tirar-me o mandato" - Fátima Felgueiras no seu melhor? Não! Aqui, Avelino Ferreira Torres. Tão diferentes. Tão iguais! Desprezíveis.

Publicado por JPDIAS em 07:09 PM | Comentários (0) | TrackBack

junho 11, 2004

A DÚVIDA

Embora se recusem a assumi-lo expressamente, ninguém no PS terá grandes dúvidas sobre a relação causa-efeito entre as cenas de terceiro mundismo político vividas na lota de Matosinhos e o infausto incidente que acabaria por vitimar Sousa Franco. Mesmo que a prova definitiva sobre tal relação de causa-efeito não possa ser estabelecida de forma conclusiva, a suspeita permanecerá eterna. Mas em face dela, outra dúvida maior não deixa de surgir e de acorrer à mente - que diriam esses mesmos dirigentes socialistas se os incidentes que ocorreram em Matosinhos e que precederam tão trágico acontecimento tivessem sido protagonizados por membros, militantes ou simpatizantes de outros partidos políticos? Alguém já pensou na hipótese?

Publicado por JPDIAS em 11:15 PM | Comentários (4) | TrackBack

junho 04, 2004

AVISO À POPULAÇÃO

Considerando o actual desenvolvimento da campanha eleitoral para as próximas eleições para o Parlamento Europeu e a altíssima relevância de tudo quanto na mesma tem sido discutido, sobretudo a pensar nos meus adversários políticos (nos convictos, nos de estimação e nos outros) faz-se público o seguinte

AVISO À POPULAÇÃO

Ai daquele que me chame gordo! Não porque não o seja, mas porque constitui um atentando aos portadores de deficiência física, o que implica que eu exija que a pessoa que profira tal afirmação, por certo um fascista, um racista, um xenófobo, um extremista de direita, um salazarista serôdio da pior espécie, um alguém que não pertence à democracia, se retracte de imediato para comigo e para com todos os deficientes.

[Via Veritatis, com a devida vénia]

Publicado por JPDIAS em 03:46 PM | Comentários (0) | TrackBack

junho 01, 2004

REINCIDÊNCIAS

Não aprenderam que justiça e política não se podem nem se devem confundir. Não aprenderam nada com os erros do passado. Preparam-se para repetir o erro - se isto for verdade. Já deixa de ser falta de jeito político. Passa a ser burrice.

Publicado por JPDIAS em 06:43 PM | Comentários (0) | TrackBack

OUTRO CASO DE INSANIDADE POLÍTICA

Mas será que ninguém pode fazer nada à senhora que profere estes dislates? Corrê-la da lista de candidatos? Mandá-la para casa? Interditá-la politicamente. Será que ninguém pode fazer nada?

Publicado por JPDIAS em 11:29 AM | Comentários (1) | TrackBack

maio 31, 2004

A INDIGNIDADE POLÍTICA

Consiste em afirmações deste jaez, proferidas por aprendizes de políticos, que da política pretendem fazer profissão, sem que da vida tenham qualquer experiência ou qualquer vivência. Com pseudo-políticos destes, como se pode pretender dignificar a política? Lamentável e lastimável. Aguarda-se que, quem tem mais responsabilidade, condene com igual veemência tais desmandos irresponsáveis.

Publicado por JPDIAS em 04:54 PM | Comentários (0) | TrackBack

maio 25, 2004

CASAMENTOS

A propósito dos casamentos por conveniência em política, e «casando-se» muito com o que aqui foi escrito e sustentado, o meu amigo JMP escreveu no seu Nortadas uma reflexão que vale a pena transcrever e sobre ela meditar. Aqui fica, na íntegra, com um abraço de amizade para o autor:

«O Congresso do PSD foi um sério aviso ao CDS. Foi um sério aviso à postura de "casamento para toda a vida" que o CDS tem tomado nos ultimos tempo. Convém não confundir que em Politica os "casamentos" são sempre "por conveniência" e que este se regem por regras diferentes dos casamentos "por amor" (que devem ser a regra da vida real). Para o PSD o "casamento" com o CDS é por conveniência. Convém porque não tem maioria, convém porque é uma boa justificação para a implementação de algumas politicas combatidas por algumas correntes internas do PSD (a justificação dos compromissos da coligação são excelentes nestes casos) e convém concentar a preocupação de oposição apenas à esquerda.
Para o CDS o "casamento" parece ser "por amor" o que é grave porque deste modo vai correr mal. Sugiro que o CDS se organize rápidamente, que aproveite estes dois anos para se implantar em zonas onde relamente possa ter sucesso eleitoral, sugiro que aposte nas próximas eleições locais. Sugiro ainda que o CDS escolha os melhores para ocupar cargos importantes e relevo, onde a sua acção possa trazer verdadeiro valor acrescentado e que deste modo se possa ver a diferença do CDS.
Se tudo se mantiver como agora eu acho que já vi este filme em 1983, no final da primeira AD...»

Publicado por JPDIAS em 08:33 PM | Comentários (0) | TrackBack

maio 24, 2004

SALVATERRA DE MAGOS

Felgueiras, Marco de Canavezes, Gondomar.... agora Salvaterra da Magos com a operação «Sirene Oculta». Autarcas do PS, do PSD, do CDS-PP. Moral da história: ninguém tem legitimidade para invocar qualquer tipo de autoridade moral. Em todos os quadrantes políticos se encontram vestígios de irregularidades ou corrupção. Ali o futebol, aqui e agora a corporação local de Bombeiros. Um traço comum, independentemente da cor partidária, sempre autarcas envolvidos. Não estará na hora de repensar o enquadramento jurídico das nossas autarquias locais?

Publicado por JPDIAS em 12:10 AM | Comentários (2) | TrackBack

maio 21, 2004

LEGISLATIVAS 2006: UNIDOS OU SEPARADOS?

Há coisas que não fazem sentido. Ou parece não fazerem sentido. Ou só farão sentido em nome de rebuscados e complexos juízos de tacticismo político. O que é mau porquanto, em política, a clareza de processos e a transparência de métodos deve ser sempre privilegiada. Mas vamos aos factos: a escassas semanas de um acto eleitoral em que ambos os partidos do governo vão coligados, no começo do seu Congresso vários dirigentes do PSD têm-se desmultiplicado em declarações sustentando que, nas próximas eleições legislativas, os dois partidos da coligação deverão apresentar-se ao eleitorado de forma autónoma. Cada qual por si. Cada qual contando os seus próprios votos. Cada qual ficando a saber o que vale e quanto vale junto do eleitorado. Com uma coligação a governar e a apresentar-se em conjunto a umas eleições daqui a escassas semanas, estas declarações parecem suicidárias. No limite - não contribuem em nada para a estabilidade e para a boa convivência que se exige em nome dos interesses do país. Nessa medida, são surpreendentes e causam admiração e perplexidade. Mas uma vez que o tema está lançado para o debate e para a discussão, aqui fica mais uma opinião e mais um contributo para essa mesma discussão: será bom que, nas Legislativas de 2006, a democracia-cristã portuguesa tenha uma voz própria e autónoma que a represente individualizadamente e não fique diluída numa coligação mais ampla. Será bom que cada Partido possa contar os seus votos e saber quanto, efectivamente, vale e quanto, de facto, representa. Será bom, portanto, que a coligação dure até às eleições legislativas, eventualmente subscreva um programa comum pré-eleitoral, mas se apresente a votos com os seus partidos autonomizados e individualizados. Este não seria, certamente, o tempo desta discussão. Mas como a mesma está lançada, esta opinião também fica dada.

Publicado por JPDIAS em 09:27 PM | Comentários (5) | TrackBack

CÁUSTICA...

.... esta prosa de Clara Ferreira Alves no DD. Ora leiam:

DIGAOMANEL PONTO COME

«Eu não queria fazer mais humor do que aquele que tenho feito ao longo da minha vida com o respeitoso Manuel Monteiro, fundador do PP, fundador do Partido Nova Democracia, fundador do que ele quiser, e ajudado a fundar pelo Independente e pelo Paulo Portas. Mas, o Manuel Monteiro, cuja existência política é ténue e tão discreta que nem se nota a maioria das vezes, resolveu fazer um site com o seu nome, uma coisa assim para o modernaço, que dê voz e nome à Nova Democracia e institua o diálogo cibernético e interactivo com o leitor. E o votante.

Mas, como tudo o que o Manel faz, e note-se a tentativa de transformar o soturno Manuel no popular e coloquial Manel, o site www.DigaoManel.com apresenta um inegável e inconfundível cheiro a mofo. Ele tem site, ele tem blog, ele tem chat, ele tem meeting up, ele tem tudo, o que não tem é graça nenhuma. Cores mortas e frias, líderes pálidos, propostas ínfimas, grafismo estrénuo, fotografias de além-túmulo. Não perca a local sobre a visita do líder à feira de Famalicão, em que o povo lhe demonstrou a maior «simpatia». Este tipo de discurso até nos faz sentir saudades do Almirante Américo Tomás na feira da Golegã.

No site, uma foto do dia remete-nos para senhores que não conhecemos e quase certamente não queremos conhecer. O resto das fotos parecem retiradas de documentos de identidade passados de prazo, BI´s e passaportes caducos. A Nova Democracia já nasceu velha. Por outro lado, não se pode dizer que um site que aparece postado em diversos lugares da cidade, anunciado em grandes outdoors estratégicos que acentuam a depressão urbana, tenha tido um êxito por aí além. 18% dos inquiridos votantes dizem que gostam do site. 46/% dizem que não gostam. E mais 35% acham o site muito bom. Ok, pode dizer-se que a maioria gosta de dizer ao Manel ponto come, mas, a maioria é meia dúzia de gatos pingados. No princípio desta semana, 592 se pronunciaram, eu incluída.

Não chega para formar uma base partidária que queira mudar a democracia em Portugal. Não chega sequer para uma base de tarte. Resta-me desejar ao Manuel Monteiro que se mantenha à tona, o que apesar de tudo tem conseguido fazer soletrando de quando em vez meia dúzia de frases piedosas na televisão. Do género: «a democracia portuguesa está comatosa». Pois está, pois está, e diga-se ao Manel com toda a franqueza, ele é o mais comatoso de todos».

Publicado por JPDIAS em 12:57 AM | Comentários (0) | TrackBack

DURÃO BARROSO PROPÕE A EXONERAÇÃO DE AMILCAR THEIAS. ARLINDO CUNHA É O NOVO MINISTRO DAS CIDADES


Um mau ministro que sai.
Um bom ministro que entra.
O Governo ficou melhor.

Publicado por JPDIAS em 12:39 AM | Comentários (1) | TrackBack

maio 20, 2004

CRISE? QUAL CRISE?

Guterres não faria melhor!


Cuidado - o poder cega. E os cidadãos não são estúpidos!

Publicado por JPDIAS em 11:57 PM | Comentários (0) | TrackBack

maio 19, 2004

FORÇA PORTUGAL!

Por razões óbvias, um site que PP - POLÍTICA PURA recomenda vivamente

FORÇA PORTUGAL
Publicado por JPDIAS em 10:59 PM | Comentários (0) | TrackBack

CONCORDATA. TEXTO INTEGRAL

Transcreve-se, infra, na íntegra, o texto da Concordata celebrada entre a Santa Sé e Portugal, ontem outorgado na Cidade do Vaticano pelo Secretário de Estado da Santa Sé, Cardeal Angelo Sodano, e o Primeiro-Ministro de Portugal, Durão Barroso:

A Santa Sé e a República Portuguesa,

Afirmando que a Igreja Católica e o Estado são, cada um na própria ordem, autónomos e independentes;

Considerando as profundas relações históricas entre a Igreja Católica e Portugal e tendo em vista as mútuas responsabilidades que os vinculam, no âmbito da liberdade religiosa, ao serviço do bem comum e ao empenho na construção de uma sociedade que promova a dignidade da pessoa humana, a justiça e a paz;

Reconhecendo que a Concordata de 7 de Maio de 1940, celebrada entre a Santa Sé e a República Portuguesa, e a sua aplicação contribuíram de maneira relevante para reforçar os seus laços históricos e para consolidar a actividade da Igreja Católica em Portugal em beneficio dos seus fieis e da comunidade portuguesa em geral;

Entendendo que se torna necessária uma actualização em virtude das profundas transformações ocorridas nos planos nacional e internacional: de modo particular, pelo que se refere ao ordenamento jurídico português, a nova Constituição democrática, aberta a normas do direito comunitário e do direito internacional contemporâneo, e, no âmbito da Igreja, a evolução das suas relações com a comunidade política;

Acordam em celebrar a presente Concordata, nos termos seguintes:

Artigo 1

1. A Santa Sé e a República Portuguesa declaram o empenho do Estado e da Igreja Católica na cooperação para a promoção da dignidade da pessoa humana.

2. A República Portuguesa reconhece a personalidade jurídica da Igreja Católica.

3. As relações entre a Santa Sé e a República Portuguesa são asseguradas mediante um Núncio Apostólico junto da República Portuguesa e um Embaixador de Portugal junto da Santa Sé.

Artigo 2

1. A República Portuguesa reconhece à Igreja Católica o direito de exercer a sua missão apostólica e garante o exercício público e livre das suas actividades, nomeadamente as de culto, magistério e ministério, bem como a jurisdição em matéria eclesiástica.

2. A Santa Sé pode aprovar e publicar livremente qualquer norma, disposição ou documento relativo à actividade da Igreja e comunicar sem impedimento com os bispos, o clero e os fieis, tal como estes o podem com a Santa Sé.

3. Os bispos e as outras autoridades eclesiásticas gozam da mesma liberdade em relação ao clero e aos fiéis.

4. É reconhecida à Igreja Católica, aos seus fiéis e ás pessoas jurídicas que se constituam nos termos do direito canónico a liberdade religiosa, nomeadamente nos domínios da consciência, culto, reunião, associação, expressão pública, ensino e acção caritativa.

Artigo 3

1. A República Portuguesa reconhece como dias festivos os Domingos.

2. Os outros dias reconhecidos como festivos católicos são definidos por acordo nos termos do artigo 28.

3. A República Portuguesa providenciara no sentido de possibilitar aos católicos, nos termos da lei portuguesa, o cumprimento dos deveres religiosos nos dias festivos.

Artigo 4

A cooperação referida no nº 1 do artigo 1 pode abranger actividades exercidas no âmbito de organizações internacionais em que a Santa Sé e a República Portuguesa sejam partes ou, sem prejuízo do respeito pelo direito internacional, outras acções conjuntas, bilaterais ou multilaterais, em particular no espaço dos Países de língua oficial portuguesa.

Artigo 5

Os eclesiásticos não podem ser perguntados pelos magistrados ou outras autoridades sobre factos e coisas de que tenham tido conhecimento por motivo do seu ministério.

Artigo 6

Os eclesiásticos não têm a obrigação de assumir os cargos jurados, membros de tribunais e outros da mesma natureza, considerados pelo direito canónico como incompatíveis com o estado eclesiástico.

Artigo 7

A República Portuguesa assegura, nos termos do direito português, as medidas necessárias à protecção dos lugares de culto e dos eclesiásticos no exercício do seu ministério e bem assim para evitar o uso ilegítimo de práticas ou meios católicos.

Artigo 8

A República Portuguesa reconhece a personalidade jurídica da Conferência Episcopal Portuguesa, nos termos definidos pelos estatutos aprovados pela Santa Sé.

Artigo 9

1. A Igreja Católica pode livremente criar, modificar ou extinguir, nos termos do direito canónico, dioceses, paróquias e outras jurisdições eclesiásticas.

2. A República Portuguesa reconhece a personalidade jurídica das dioceses, paróquias e outras jurisdições eclesiásticas, desde que o acto constitutivo da sua personalidade jurídica canónica seja notificado ao órgão competente do estado.

3. Os actos de modificação ou extinção das dioceses, paróquias e outras jurisdições eclesiásticas, reconhecidas nos termos do número anterior, serão notificados ao órgão competente do Estado.

4. A nomeação e remoção dos bispos são exclusiva competência da Santa Sé, que delas informa a República Portuguesa.

5. A Santa Sé declara que nenhuma parte do território da República Portuguesa dependerá de um bispo cuja sede esteja fixada em território sujeito a soberania estrangeira.

Artigo 10

1. A Igreja Católica em Portugal pode organizar-se livremente de harmonia com as normas do direito canónico e constituir, modificar e extinguir pessoas jurídicas canónicas a que o Estado reconhece personalidade jurídica civil.

2. O Estado reconhece a personalidade das pessoas jurídicas referidas nos artigos 1, 8 e 9 nos respectivos termos, bem como a das restantes pessoas jurídicas canónicas, incluindo os institutos da vida consagrada e as sociedades de vida apostólica canonicamente erectos, que hajam sido constituídas e participadas à autoridade competente pelo bispo da diocese onde tenham a sua sede, ou pelo seu legítimo representante, até à data da entrada em vigor da presente Concordata.

3. A personalidade jurídica civil das pessoas jurídicas canónicas, com excepção das referidas nos astigos1, 8 e 9, quando se constituírem ou forem comunicadas após a entrada em vigor da presente Concordata, é reconhecida através da inscrição em registo próprio do Estado em virtude de documento autêntico emitido pela autoridade eclesiástica competente de onde conste a sua erecção, fins, identificação, órgãos representativos e respectivas competências.

Artigo 11

1. As pessoas jurídicas canónicas reconhecidas nos termos dos artigos I, 8, 9 e 10 regem-se pelo direito canónico e pelo direito português, aplicados pelas respectivas autoridades, e têm a mesma capacidade civil que o direito português atribui às pessoas colectivas de idêntica natureza.

2. As limitações canónicas ou estatutárias à capacidade das pessoas jurídicas canónicas só são oponíveis a terceiros de boa fé desde que constem do Código de Direito Canónico ou de outras normas, publicadas nos termos do direito canónico, e, no caso das entidades a que se refere o nº 3 do artigo 10 e quanto às matérias ai mencionadas, do registo das pessoas jurídicas canónicas.

Artigo 12

As pessoas jurídicas canónicas, reconhecidas nos termos do artigo 10, que, além de fins religiosos, prossigam fins de assistência e solidariedade, desenvolvem a respectiva actividade de acordo com o regime jurídico instituído pelo direito português e gozam dos direitos e benefícios atribuídos às pessoas colectivas privadas com fins da mestria natureza.

Artigo 13

1. O Estado português reconhece efeitos civis aos casamentos celebrados em conformidade com as leis canónicas, desde que o respectivo assento de casamento seja transcrito para os competentes livros do registo civil.

2. As publicações do casamento fazem-se, não só nas respectivas igrejas paroquiais, mas também nas competentes repartições do registo civil.

3. Os casamentos 'in articulo mortis', em iminência de parto, ou cuja imediata celebração seja expressamente autorizada pelo ordinário próprio por grave motivo de ordena moral, podem ser contraídos independentemente do processo preliminar das publicações.

4. O pároco envia dentro de três dias cópia integral do assento do casamento à repartição competente do registo civil para ser aí transcrita; a transcrição deve ser feita no prazo de dois dias e comunicada pelo funcionário respectivo ao pároco até ao dia imediato àquele em que foi feita, com indicação da data.

5. Sem prejuízo das obrigações referidas no nº 4, cuja incumprimento sujeita o respectivo responsável à efectivação das formas de responsabilidade previstas no direito português e ao direito canónico, as partes podem solicitar a referida transcrição, mediante a apresentação da cópia integral da acta do casamento.

Artigo 14

1. O casamento canónico produz todos os efeitos civis desde a data da celebração, se a transcrição for feita no prazo de sete, dias. Não o sendo, só produz efeitos relativamente a terceiras, a contar da data da transcrição.

2. Não obsta à transcrição a morte de um ou de ambos os cônjuges

Artigo 15

1. Celebrando o casamento canónico os cônjuges assumem por esse mesmo facto, perante a Igreja, a obrigação de se aterem às normas canónicas que o regulara e, em particular, de respeitarem as suas propriedades essenciais.

2. A Santa Sé, reafirmando a doutrina da Igreja Católica sobre a indissolubilidade do vinculo matrimonial, recorda aos cônjuges que contraírem o matrimónio canónico o grave dever que lhes incumbe de se não valerem da faculdade civil de requerer o divórcio.

Artigo 16

1. As decisões relativas à nulidade e à dispensa pontifícia do casamento rato e não consumado pelas autoridades eclesiásticas competentes, verificadas pelo órgão eclesiástico de controlo superior, produzem efeitos civis, a requerimento de qualquer das partes, após revisão e confirmação, nos termos do direito português, pelo competente tribunal do Estado.

2. Para o efeito, o tribunal competente verifica:

a) Se são autênticas;

b) Se dimanam do tribunal competente;

c) Se foram respeitados os princípios do contraditório e da igualdade; e

d) Se nos resultados não ofendem os princípios da ordem pública internacional do Estado português.

Artigo 17

1. A República Portuguesa garante o livre exercício da liberdade religiosa através da assistência religiosa católica aos membros das forças armadas e de segurança que a solicitarem, e bem assim através da prática dos respectivos actos de culto.

2. A Igreja Católica assegura, nos termos do direito canónico e através da jurisdição eclesiástica de um ordinário castrense, a assistência religiosa aos membros das forças armadas e de segurança que a solicitarem.

3. O órgão competente do estado e a autoridade eclesiástica competente podem estabelecer, mediante acordo, as formas de exercício e organização da assistência religiosa nos casos referidos nos números anteriores.

4. Os eclesiásticos podem cumprir as suas obrigações militares sob a forma de assistência religiosa católica às forças armadas e de segurança, sem prejuízo do direito de objecção de consciência.

Artigo 18

A República Portuguesa garante à Igreja Católica o livre exercício da assistência religiosa católica às pessoas que, por motivo de internamento em estabelecimentos de saúde, de assistência, de educação ou similar, ou detenção em estabelecimento prisional ou similar, estejam impedidas de exercer, em condições normais, o direito de liberdade religiosa e assim a solicitem.

Artigo 19

1. A República Portuguesa, no âmbito da liberdade religiosa e do dever de o Estado cooperar com os pais na educação dos filhos, garante as condições necessárias para assegurar, nos termos do direito português, o ensino da religião e moral católicas nos estabelecimentos de ensino público não superior, sem qualquer forma de discriminação.

2. A frequência do ensino da religião e moral católicas nos estabelecimentos de ensino público não superior depende de declaração do interessado, quando para cauto tenha capacidade legai, dos pais ou do seu representante legal.

3. Em nenhum caso o ensino da religião e moral católicas pode ser ministrado por quem não seja considerado idóneo pela autoridade eclesiástica competente, a qual certifica a referida idoneidade nos termos previstos pelo direito português e pelo direito canónico.

4. Os professores de religião e moral católicas são nomeados ou contratados, transferidos e excluídos do exercício da docência da disciplina pelo Estado de acordo com a autoridade eclesiástica competente.

5. É da competência exclusiva da autoridade eclesiástica a definição do conteúdo do ensino da religião e moral católicas, em conformidade com as orientações gerais do sistema de ensino português.

Artigo 20

1. A República Portuguesa reconhece à Igreja Católica o direita de constituir seminários e outros estabelecimentos de formação e cultura eclesiástica.

2. O regime interno dos estabelecimentos de formação e cultura eclesiástica não está sujeito a fiscalização do Estado.

3. O reconhecimento dos efeitos civis dos estudos, graus e, títulos obtidos nos estabelecimentos de formação e cultura eclesiástica é regulado pelo direito português, sem qualquer forma de discriminação relativamente a estudos de idêntica natureza.

Artigo 21

1. A República Portuguesa garante à Igreja Católica e às pessoas jurídicas canónicas reconhecidas nos termos dos artigos 8 a 10, no âmbito da liberdade de ensino, o direito de estabelecerem e orientarem escolas e m todos os níveis de ensaio e formação, de acordo com o direito português, sem estarem sujeitas a qualquer forma de discriminação.

2. Os graus, títulos e diplomas obtidos nas escolas referidas no número anterior são reconhecidos nos termos estabelecidos pelo direito português para escolas semelhantes na natureza e na qualidade.

3. A Universidade Católica Portuguesa, erecta pela Santa Sé em 13 de Outubro de 1967 e reconhecida pelo Estado português em 15 de Julho de 1971, desenvolve a sua actividade de acordo com o direito português, nos termos dos números anteriores, com respeito pela sua especificidade institucional.

Artigo 22

1. Os imóveis que, nos termos do artigo VI da Concordata de 7 de Maio de 1940, estavam ou tenham sido classificados como "monumentos nacionais" ou como de "interesse público" continuam com afectação permanente ao serviço da Igreja. Ao Estado cabe a sua conservação, reparação e restauro de harmonia com plano estabelecido de acordo com a autoridade eclesiástica, para evitar perturbações no serviço religioso; à Igreja incumbe a sus guarda e regime interno, designadamente no que respeita ao horário de visitas, na direcção das quais poderá intervir um funcionário nomeada pelo Estado.

2. Os objectos destinados ao culto que se encontrem em algum museu do Estado ou de outras entidades públicas são sempre cedidos para as cerimónias religiosas no templo a que pertenciam, quando este se ache na mesma localidade onde os ditos objectos são guardados. Tal cedência faz-se a requisição da competente autoridade eclesiástica, que vela pela guarda dos objectos cedidos, sob a responsabilidade de fiel depositário.

3. Em outros casos e por motivos justificados, os responsáveis do Estado e da Igreja podem acordar em ceder temporariamente objectos religiosos para serem usados no respectivo local de origem ou em outro locai apropriado.

Artigo 23

1. A República Portuguesa e a Igreja Católica declaram o seu empenho na salvaguarda, valorização e fruição dos bens, móveis e imóveis, de propriedade da Igreja Católica ou de pessoas jurídicas canónicas reconhecidas, que integrara, o património cultural português.

2. A República Portuguesa reconhece que a finalidade própria dos bens eclesiásticos deve ser salvaguardada pelo direito português, seta prejuízo da necessidade de a conciliar com outras finalidades decorrentes da sua natureza cultural, com respeito pelo princípio da cooperação.

3. As autoridades competentes da República Portuguesa e as da Igreja Católica acordam em criar uma Comissão bilateral para o desenvolvimento da cooperação quanto a bens da igreja que integrem o património cultural português.

4. A Comissão referida no número anterior tem por missão promover a salvaguarda, valorização e fruição dos bens da Igreja, nomeadamente através do apoio do Estado e de auras entidades públicas às acções necessárias para a identificação, conservação, segurança, restauro e funcionamento, sem qualquer forma de discriminação em relação a bens semelhantes, competindo-lhe ainda promover, quando adequado, a celebração de acordos nos termos do artigo 28.

Artigo 24

1. Nenhum templo, edifício, dependência ou objecto afecto ao culto católico pode ser demolido, ocupado, transportado, sujeito a obras ou destinado pelo Estado e entidades públicas a outro fim, a não ser mediante acordo prévio com a autoridade eclesiástica competente e por motivo de urgente necessidade pública.

2. Nos casos de requisição ou expropriação por utilidade pública, será sempre consultada a autoridade eclesiástica competente, mesmo sobre o quantitativo da indemnização. Em qualquer caso, não será praticado acto algum de apropriação ou utilização não religiosa sem que os bens expropriados sejam privados do seu carácter religioso.

3. A autoridade eclesiástica competente tem direito de audiência prévia, quando forem necessárias obras ou quando se inicie procedimento de inventariação ou classificação como bem cultural.

Artigo 25

1. A República Portuguesa declara o seu empenho na afectação de espaços a fins religiosos.

2. Os instrumentos de planeamento territorial deverão prever a afectação de espaços para fins religiosos.

3. A Igreja Católica e as pessoas jurídicas canónicas têm a direito de audiência prévia, que deve ser exercido nos termos do direito português, quanto às decisões relativas à afectação de espaços a fins religiosos em instrumentos de planeamento territorial.

Artigo 26

1. A Santa Sé, a Conferência Episcopal Portuguesa, as dioceses e demais jurisdições eclesiásticas, bem como outras pessoas jurídicas canónicas constituídas pelas competentes autoridades eclesiásticas para a prossecução de fins religiosos, desde que lhes tenha sido reconhecida personalidade civil nos termos dos artigos 9 e 10, não estão sujeitas a qualquer imposto sobre:

a) As prestações dos crentes para o exercício do culto e ritos;

b) Os donativos para a realização dos seus fins religiosos;

c) O resultado das colectas públicas com fins religiosos;

d) A distribuição gratuita de publicações com declarações, avisos ou instruções religiosas e sua afixação nos lugares de culto.

2. A Santa Sé, a Conferência Episcopal Portuguesa, as dioceses e demais jurisdições eclesiásticas, bem como outras pessoas jurídicas canónicas constituídas pelas competentes autoridades eclesiásticas para a prossecução de fins religiosos, às quais tenha sido reconhecida personalidade civil nos termos dos artigos 9 e 10, estão isentas de qualquer imposto ou contribuição geral, regional ou local, sobre:

a) Os lugares de culto ou outros prédios ou parte deles directamente destinados à realização de fins religiosos;

b) As instalações de apoio directo e exclusivo às actividades com fins religiosos;

c) Os seminários ou quaisquer estabelecimentos destinados à formação eclesiástica ou ao ensino da religião católica;

d) As dependências ou anexos dos prédios descritos nas alíneas a) a c) a uso de instituições particulares de solidariedade social;

e) Os jardins e logradouros dos prédios descritos nas alíneas a) a d) desde que não estejam destinados a fins lucrativos;

f) Os bens móveis de carácter religioso, integrados nos imóveis referidos nas alíneas anteriores ou que deles sejam acessórios.

3. A Santa Sé, a Conferência Episcopal Portuguesa, as dioceses e demais jurisdições eclesiásticas, bem como outras pessoas jurídicas canónicas constituídas pelas competentes autoridades eclesiásticas para a prossecução de fins religiosos, desde que lhes tenha sido reconhecida personalidade civil nos termos dos artigos 9 e 10, estão isentas do imposto de selo e de todos os impostos sobre a transmissão de bens que incidam sobre:

a) Aquisições onerosas de bens imóveis para fins religiosos;

b) Quaisquer aquisições a título gratuito de bens para fins religiosos;

c) Actos de instituição de fundações, uma vez inscritas no competente registo do Estado nos termos do artigo 10.

4. A autoridade eclesiástica responsável pelas verbas que forem destinadas à Igreja Católica, nos termos do artigo seguinte, está isenta de qualquer imposto sobre essa fonte de rendimento.

5. As pessoas jurídicas canónicas, referidas nos números anteriores, quando também desenvolvam actividades com fins diversos dos religiosos, assim considerados pelo direito português, como, entre outros, os de solidariedade social, de educação e cultura, além dos comerciais e lucrativos, ficam sujeitas ao regime fiscal aplicável à respectiva actividade.

6. A República Portuguesa assegura que os donativos feitos às pessoas jurídicas canónicas, referidas nos números anteriores, às quais tenha sido reconhecida personalidade civil nos termos desta Concordata, produzem o efeito tributário de dedução à colecta, nos termos e limites do direito português.

Artigo 27

1. A Conferência Episcopal Portuguesa pode exercer o direito de incluir a Igreja Católica no sistema de percepção de receitas fiscais previsto no direito português.

2. A inclusão da Igreja Católica no sistema referido no número anterior pode ser objecto de acordo entre os competentes órgãos da República e as autoridades eclesiásticas competentes.

Artigo 28

O conteúdo da presente Concordata pode ser desenvolvido por acordos celebrados entre as autoridades competentes da Igreja Católica e da República Portuguesa.

Artigo 29

1. A Santa Sé e a República Portuguesa concordam em instituir, no âmbito da presente Concordata e em desenvolvimento do princípio da cooperação, uma Comissão paritária.

2. São atribuições da Comissão paritária prevista no número anterior:

a) Procurar, em caso de dúvidas na interpretação do texto da Concordata, uma solução de comum acordo;

b) Sugerir quaisquer outras medidas tendentes à sua boa execução.

Artigo 30

Enquanto não for celebrado o acordo previsto no artigo 3, são as seguintes as festividades católicas que a República Portuguesa reconhece como dias festivos: Ano Novo e Nossa Senhora, Mãe de Deus (1 de Janeiro), Corpo de Deus, Assunção (15 de Agosto), Todos os Santos (1 de Novembro), Imaculada Conceição (8 de Dezembro) e Natal (25 de Dezembro).

Artigo 31

Ficam ressalvadas as situações jurídicas existentes e constituídas ao abrigo da Concordata de 7 de Maio de 1940 e do Acordo Missionário.

Artigo 32

1. A Santa Sé e a República Portuguesa procederão à elaboração, revisão e publicação da legislação complementar eventualmente necessária.

2. Para os efeitos do disposto no número anterior, a República Portuguesa e a Santa Sé efectuarão consultas recíprocas.

Artigo 33

A presente Concordata entrará em vigor com a troca dos instrumentos de ratificação, substituindo a Concordata de 7 de Maio de 1940.

Assinada em três exemplares autênticos em língua portuguesa e em língua italiana, fazendo todos fé, aos 18 dias do mês de Maio do ano de 2004.

Pela Santa Sé

Cardeal Angelo Sodano

Secretário de Estado

Pela República Portuguesa

José Manuel Durão Barroso

Primeiro-ministro de Portugal

Publicado por JPDIAS em 10:35 PM | Comentários (3) | TrackBack

maio 18, 2004

CONCORDATA ENTRE PORTUGAL E A SANTA SÉ

Foi hoje assinada a nova Concordata entre o Estado português e a Santa Sé. O texto agora assinado deverá, ainda, ser aprovado pela Assembleia da República e ratificado pelo Presidente da República. Para conhecimento e informação, deixa-se aqui o conteúdo integral da Concordata ainda em vigor, assinado a 7 de Maio de 1940 e alterado a 15 de Fevereiro de 1975:

Concordata entre a entre a Santa Sé e a República Portuguesa


Em nome da Santíssima Trindade
Sua Santidade o Sumo Pontífice Pio XII, e Sua Excelência o Presidente da República Portuguesa, dispostos a regular por mútuo acordo e de modo estável a situação jurídica da Igreja Católica em Portugal, para a paz e maior bem da Igreja e do Estado, resolveram concluir entre si uma solene Convenção que reconheça e garanta a liberdade da Igreja e salvaguarde os legítimos interesses da Nação Portuguesa, inclusivamente no que respeita às Missões Católicas e ao Padroado do Oriente.
Para tal efeito, Sua Santidade nomeou seu Plenipotenciário Sua Eminência Reverendíssima o Senhor Cardeal Luigi Maglione, Seu Secretário de Estado, e o Senhor Presidente da República Portuguesa nomeou Seus Plenipotenciários: Sua Excelência o Sr. General Eduardo Augusto Marques, antigo Ministro das Colónias, Presidente da Câmara Corporativa, Gran Cruz das Ordens militares de Cristo, de S. Bento d'Aviz e da Ordem do Império Colonial;
Sua Excelência o Sr. Doutor Mário de Figueiredo, antigo Ministro da justiça e dos Cultos, Professor e Director da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, Deputado e Gran Cruz da Ordem militar de S. Tiago da Espada;
Sua Excelência o Sr. Doutor Vasco Francisco Caetano de Quevedo, Enviado Extraordinário e Ministro Plenipotenciário junto da Santa Sé, Gran Cruz da Ordem militar de Cristo e Cavaleiro de Gran Cruz da Ordem de S. Gregório Magno; os quais, trocados os seus respectivos plenos poderes e achados em boa e devida forma, acordaram nos artigos seguintes:

Artigo 1º
A República Portuguesa reconhece a personalidade jurídica da Igreja Católica.
As relações amigáveis com a Santa Sé serão asseguradas na forma tradicional por que historicamente se exprimiam, mediante um Núncio Apostólico junto da República Portuguesa e um Embaixador da República junto da Santa Sé.

Artigo 2º
E garantido à Igreja Católica o livre exercício da sua autoridade: na esfera da sua competência, tem a faculdade de exercer os actos do seu poder de ordem e jurisdição sem qualquer impedimento.
Para tanto, a Santa Sé pode livremente publicar qualquer disposição relativa ao governo da Igreja e, em tudo quanto se refere ao seu ministério pastoral, comunicar e corresponder-se com os prelados, clero e todos os católicos de Portugal, assim como estes o podem com a Santa Sé, sem necessidade de prévia aprovação do Estado para se publicarem e correrem dentro do País as bulas e quaisquer instruções ou determinações da Santa sé.
Nos mesmos termos, gozam desta faculdade os Ordinários e demais Autoridades eclesiásticas relativamente ao seu clero e fiéis.

Artigo 3º
A Igreja Católica em Portugal pode organizar-se livremente de harmonia com as normas do Direito Canónico, e constituir por essa forma associações ou organizações a que o Estado reconhece personalidade jurídica.
O reconhecimento por parte do Estado da personalidade jurídica das associações, corporações ou institutos religiosos, canonicamente erectos, resulta da simples participação escrita à Autoridade competente feita pelo Bispo da diocese, onde tiverem a sua sede, ou por seu legítimo representante.
Em caso de modificação ou de extinção, proceder-se-á do mesmo modo que para a constituição, e com os mesmos efeitos.

Artigo 4º
As associações ou organizações a que se refere o artigo anterior, podem adquirir bens e dispor deles nos mesmos termos por que o podem fazer, segundo a legislação vigente, as outras pessoas morais perpétuas, e administram-se livremente sob a vigilância e fiscalização da competente Autoridade eclesiástica. Se porém, além de fins religiosos, se propuserem também fins de assistência e beneficência em cumprimento de deveres estatutários ou de encargos que onerem heranças, legados ou doações, ficam, na parte respectiva, sujeitas ao regime instituído pelo direito português para estas associações ou corporações, que se tornará efectivo através do Ordinário competente e que nunca poderá ser mais gravoso do que o regime estabelecido para as pessoas jurídicas da mesma natureza.

Artigo 5º
A Igreja pode livremente cobrar dos fiéis colectas e quaisquer importâncias destinadas á realização dos seus fins, designadamente no interior e á porta dos templos, assim como dos edifícios e lugares que lhe pertençam.

Artigo 6º
É reconhecida á Igreja Católica em Portugal a propriedade dos bens que anteriormente lhe pertenciam e estão ainda na posse do Estado, como templos, paços episcopais e residências paroquiais com seus passais, seminários com suas cercas, casas de institutos religiosos, paramentos, alfaias e outros objectos afectos ao culto e religião católica, salvo os que se encontrem actualmente aplicados a serviços públicos ou classificados como «monumentos nacionais» ou como «imóveis de interesse público».
Os bens referidos na alínea anterior que não estejam actualmente na posse do Estado podem ser transferidos à Igreja pelos seus possuidores sem qualquer encargo de carácter fiscal, desde que o acto de transferência seja celebrado dentro do prazo de seis meses a contar da troca das ratificações desta Concordata.
Os imóveis classificados como «monumentos nacionais» e como «de interesse público», ou que o venham a ser dentro de cinco anos a contar da troca das ratificações, ficarão em propriedade do Estado com afectação permanente ao serviço da Igreja. Ao Estado cabe a sua conservação, reparação e restauração de harmonia com plano estabelecido de acordo com a Autoridade eclesiástica, para evitar perturbações no serviço religioso; á Igreja incumbe a sua guarda e regime interno, designadamente no que respeita ao horário de visitas, na direcção das quais poderá intervir um funcionário nomeado pelo Estado.
Os objectos destinados ao culto que se encontrem em algum museu do Estado ou das autarquias locais ou institucionais serão sempre cedidos para as cerimónias religiosas no templo a que pertenciam, quando este se ache na mesma localidade onde os ditos objectos são guardados. A cedência far-se-á a requisição da competente Autoridade eclesiástica, que velará pela guarda dos objectos cedidos, sob a responsabilidade de fiel depositário.

Artigo 7º
Nenhum templo, edifício, dependência ou objecto do culto católico pode ser demolido ou destinado pelo Estado a outro fim, a não ser por acordo prévio com a Autoridade eclesiástica competente ou por motivo de urgente necessidade pública, como guerra, incêndio ou inundação.
No caso de expropriação por utilidade pública, será sempre ouvida a respectiva Autoridade eclesiástica, mesmo sobre o quantitativo da indemnização. Em qualquer caso, não será praticado acto algum de apropriação sem que os bens expropriados sejam privados do seu carácter sagrado.

Artigo 8º
São isentos de qualquer imposto ou contribuição, geral ou local, os templos e objectos nele contidos, os seminários ou quaisquer estabelecimentos destinados á formação do clero, e bem assim os editais e avisos afixados á porta das igrejas, relativos ao ministério sagrado; de igual isenção gozam os eclesiásticos pelo exercício do seu múnus espiritual.
Os bens e entidades eclesiásticos, não compreendidos na alínea precedente, não poderão ser onerados com impostos ou contribuições especiais.

Artigo 9º
Os Arcebispos e Bispos residenciais, seus coadjutores cum iure successionis e auxiliares, os párocos, os reitores dos seminários, e em geral os directores e superiores de institutos ou associações dotados de personalidade jurídica com jurisdição em uma ou mais províncias do País, deverão ser cidadãos portugueses.

Artigo 10º
A Santa Sé, antes de proceder á nomeação de um Arcebispo ou Bispo residencial ou de um coadjutor cum iure successionis, salvo o que está disposto a respeito do Padroado e do Semi-Padroado, comunicará o nome da pessoa escolhida ao Governo Português a fim de saber se contra ela há objecções de carácter político geral. 0 silêncio do Governo, decorridos trinta dias sobre a referida comunicação, será interpretado no sentido de que não há objecções. Todas as diligências previstas neste artigo ficarão secretas.

Artigo 11º
No exercício do seu ministério, os eclesiásticos gozam da protecção do Estado, nos mesmos termos que as autoridades públicas.

Artigo 12º
Os eclesiásticos não podem ser perguntados pelos magistrados ou outras autoridades sobre factos e coisas de que tenham tido conhecimento por motivo do sagrado ministério.

Artigo 13º
Os eclesiásticos são isentos da obrigação de assumir os cargos de jurados, membros de tribunais ou comissões de impostos, e outros da mesma natureza, considerados pelo Direito Canónico como incompatíveis com o estado eclesiástico.

Artigo 14º
O serviço militar será prestado pelos sacerdotes e clérigos sob a forma de assistência religiosa às forças armadas e, em tempo de guerra, também nas formações sanitárias. Todavia o Governo providenciará para mesmo em caso de guerra o dito serviço militar se realize com o menor prejuízo possível para a cura de almas das populações na Metrópole e no Ultramar Português.

Artigo 15º
O uso do hábito eclesiástico ou religioso por parte de seculares ou de pessoas eclesiásticas ou religiosas a quem tenha sido interdito por medida das competentes Autoridades eclesiásticas, oficialmente comunicada às autoridades do Estado, é punido com as mesmas penas que o uso abusivo de uniforme próprio dum emprego público.
É punido nos mesmos termos o exercício abusivo de jurisdição e de funções eclesiásticas.

Artigo 16º
E assegurado á Igreja Católica o livre exercício de todos os actos de culto, privado ou público, sem prejuízo das exigências de polícia e trânsito.

Artigo 17º
Para garantir a assistência espiritual nos hospitais, refúgios, colégios, asilos, prisões e outros estabelecimentos similares do Estado, das Autarquias locais e institucionais e das Misericórdias, que não tenham capela e serviço privativo para este efeito, é livre o acesso ao pároco do lugar e ao sacerdote encarregado destes serviços pela competente Autoridade eclesiástica, sem prejuízo da observância dos respectivos regulamentos, salvo em caso de urgência.

Artigo 18º
A República Portuguesa garante a assistência religiosa em campanha, às forças de terra, mar e ar e, para este efeito, organizará um corpo de capelães militares que serão considerados oficiais graduados.
O Bispo que desempenhar as funções de Ordinário Castrense, será nomeado pela Santa Sé de acordo com o Governo.
Para as expedições coloniais poderá ser nomeado Ordinário Castrense um Bispo que tenha sede na respectiva colónia.
O Ordinário Castrense pode nomear, de acordo com o Governo, um Vigário Geral.
Os capelães militares serão nomeados, de entre os sacerdotes apurados para os serviços auxiliares, pelo Ordinário Castrense, de acordo com o Governo.
Os capelães militares têm jurisdição paroquial sobre as suas tropas, e estas gozam, quanto aos seus deveres religiosos, dos privilégios e isenções concedidos pelo Direito Canónico.

Artigo 19º
O Estado providenciará no sentido de tomar possível a todos os católicos, que estão ao seu serviço ou que são membros das suas organizações, o cumprimento regular dos deveres religiosos nos domingos e dias festivos.

Artigo 20º
As associações e organizações da Igreja podem livremente estabelecer e manter escolas particulares paralelas às do Estado, ficando sujeitas, nos termos do direito comum , a fiscalização deste e podendo, nos mesmos termos, ser subsidiadas e oficializadas.
O ensino religioso nas escolas e cursos particulares não depende de autorização do Estado, e poderá ser livremente ministrado pela Autoridade eclesiástica ou pelos seus encarregados.
É livre a fundação dos seminários ou de quaisquer outros estabelecimentos de formação ou alta cultura eclesiástica. 0 seu regime interno não está sujeito á fiscalização do Estado.
A este deverão, no entanto, ser comunicados os livros adoptados de disciplinas não filosóficas ou teológicas. As autoridades eclesiásticas competentes cuidarão que no ensino das disciplinas especiais, como no da História, se tenha em conta o legítimo sentimento patriótico português.

Artigo 21º
O ensino ministrado pelo Estado nas escolas públicas será orientado pelos princípios da doutrina e moral cristãs tradicionais do País. Consequentemente ministrar-se-á o ensino da religião e moral católicas nas escolas públicas elementares, complementares e médias aos alunos cujos pais, ou quem suas vezes fizer, não tiverem feito pedido de isenção.
Nos asilos, orfanatos, estabelecimentos e institutos oficiais de educação de menores, e de correcção ou reforma, dependentes do Estado, será ministrado, por conta dele, o ensino da religião católica e assegurada a prática dos seus preceitos.
Para o ensino da religião católica, o texto deverá ser aprovado pela Autoridade eclesiástica e os professores serão nomeados pelo Estado de acordo com ela; em nenhum caso poderá ser ministrado o sobredito ensino por pessoas que a Autoridade eclesiástica não tenha aprovado como idóneas.

Artigo 22º
O Estado Português reconhece efeitos civis aos casamentos celebrados em conformidade com as leis canónicas, desde que a acta do casamento seja transcrita nos competentes registos do estado civil.

As publicações do casamento far-se-ão não só nas respectivas igrejas paroquiais, mas também nas competentes repartições do registo civil.
Os casamentos in articulo mortis, em iminência de parto, ou cuja imediata celebração seja expressamente autorizada pelo Ordinário próprio por grave motivo de ordem moral, poderão ser contraídos independentemente do processo preliminar das publicações.
O pároco enviará dentro de três dias cópia integral da acta do casamento, á repartição competente do registo civil para ser aí transcrita; a transcrição deve ser feita no prazo de dois dias e comunicada pelo funcionário respectivo ao pároco até ao dia imediato àquele em que foi feita com indicação da data.
O pároco que, sem graves motivos, deixar de enviar a cópia da acta, dentro do prazo, incorre nas penas de desobediência qualificada; e o funcionário do registo civil que não fizer a transcrição no tempo devido incorrerá nas penas cominadas pela lei orgânica do serviço.

Artigo 23º
O casamento produz todos os efeitos civis desde a data da celebração se a transcrição for feita no prazo de sete dias. Não o sendo, só produz efeitos relativamente a terceiros, a contar da data da transcrição.
Não obsta á transcrição a morte de um ou ambos os cônjuges.

Artigo 24º
Em harmonia com as propriedades essenciais do casamento católico, entende-se que, pelo próprio facto da celebração do casamento canónico, os cônjuges renunciarão à faculdade civil de requererem o divórcio, que por isso não poderá ser aplicado pelos tribunais civis aos casamentos católicos.

Artigo 25º
O conhecimento das causas concernentes à nulidade do casamento católico e à dispensa do casamento rato e não consumado , e reservado aos tribunais e repartições eclesiásticos competentes.
As decisões e sentenças destas repartições e tribunais, quando definitivas subirão ao Supremo Tribunal da Assinatura Apostólica para verificação, e serão, depois, com os respectivos decretos daquele Supremo Tribunal, transmitidas, pela via diplomática, ao Tribunal da Relação do Estado, territorialmente competente, que as tomará executivas e mandará que sejam averbadas nos registos do estado civil, à margem da acta do casamento.

Artigo 26º
A divisão eclesiástica do Ultramar Português será feita em dioceses e circunscrições missionárias autónomas. Dentro de umas e de outras podem ser erectas direcções missionárias pelos respectivos prelados, de acordo com o Governo.
Os limites das dioceses e circunscrições missionárias serão fixados de maneira a corresponderem, na medida do possível, à divisão administrativa.

Artigo 27º
A vida religiosa e o apostolado missionário nas dioceses serão assegurados pelo respectivo bispo residencial, e nas circunscrições missionárias por corporações missionárias.
As corporações missionárias reconhecidas estabelecerão em Portugal continental ou ilhas adjacentes casas de formação e de repouso para o seu pessoal missionário. As casas de formação e de repouso de cada corporação constituem um único instituto, subsidiado pelo orçamento da Metrópole.
Às dioceses e circunscrições missionárias, às outras entidades eclesiásticas e aos institutos religiosos das colónias, e bem assim aos institutos missionários, masculinos e femininos, que se estabelecerem em Portugal continental ou ilhas adjacentes,é reconhecida a personalidade jurídica.
As dioceses e as circunscrições missionárias serão subsidiadas pelo Estado.

Artigo 28º
Os Ordinários das dioceses e circunscrições missionárias, quando não haja missionários portugueses em número suficiente, podem, de acordo com a Santa Sé e com o Governo, chamar missionários estrangeiros, os quais serão admitidos nas missões da organização missionária portuguesa, desde que declarem submeter-se às leis e tribunais portugueses. Esta submissão será a que convém a eclesiásticos.
Quando dentro de cada diocese ou circunscrição missionária forem estabelecidas novas direcções missionárias, a nomeação dos respectivos directores, não podendo recair em cidadão português, só será feita depois de ouvido o Governo Português.
Todos os missionários, do clero secular ou de corporações religiosas, nacionais ou estrangeiros, estarão inteiramente sujeitos à jurisprudência ordinária dos prelados das dioceses e circunscrições missionárias, no que se refere ao trabalho missionário.

Artigo 29º
São consideradas em vigor as disposições da Concordata de 21 de Fevereiro de 1857, ressalvadas pela Concordata de 23 de junho de 1886, e as da Concordata de 23 de Junho de 1886, umas e outras na parte não atingida por acordos posteriores, designadamente pelos de 15 de Abril de 1928 e de 11 de Abril de 1929 e por esta Convenção.

Artigo 30º
Se vier a surgir qualquer dúvida na interpretação desta Concordata, a Santa Sé e o Governo Português procurarão de comum acordo uma solução amigável.

Artigo 31º
A presente Concordata, cujos textos em língua portuguesa e em língua italiana farão igualmente fé, será ratificada e entrará em vigor logo que sejam trocados os instrumentos de ratificação, salvo na parte cuja execução depende de legislação interna complementar da República Portuguesa, em que entrará em vigor só com essa mesma legislação. A entrada em vigor desta não poderá diferir-se além do prazo de dois meses a contar da ratificação.

Feito em duplo exemplar.

Cidade do Vaticano, 7 de Maio de 1940.

L. + S.L. Card. MAGLIONE
L. + S.EDUARDO AUGUSTO MARQUES
L. + S.MARIO DE FIGUEIREDO
L. + S.VASCO FRANCISCO CAETANO DE QUEVEDO

_____________________

APENDICE

Protocolo Adicional (1975) Protocolo adicional à Concordata
entre a Santa Sé e a República Portuguesa
de 7 de Maio de, 1940

A SANTA SÉ E O GOVERNO PORTUGUÊS, afirmando a vontade de manter o regime concordatário vigente para a paz e o maior bem da Igreja e do Estado, tomando em consideração, por outro lado, a nova situação apresentada pela parte portuguesa no que se refere à disposição contida no artigo XXIV da Concordata de 7 de Maio de 1940, acordaram no que segue:

I - O artigo XXIV da Concordata de 7 de Maio de 1940 é modificado da seguinte forma:
«Celebrando o casamento católico, os cônjuges assumem por esse mesmo facto, perante a Igreja, a obrigação de se aterem as normas canónicas que o regulam e, em particular, de respeitarem as suas propriedades essenciais.
A Santa Sé, reafirmando a doutrina da Igreja Católica sobre a indissolubilidade do vínculo matrimonial, recorda aos cônjuges que contraírem o matrimónio canónico o grave dever que lhes incumbe de se não valerem da faculdade civil de requerer o divórcio».

II - Mantêm-se em vigor os outros artigos da Concordata de 7 de Maio de 1940.

III - O presente Protocolo, cujos textos em língua portuguesa e em língua italiana farão igualmente fé, entrará em vigor logo que sejam trocados os instrumentos de ratificação.

Feito em duplo exemplar.

Cidade do Vaticano, 15 de Fevereiro de 1975.

GIOVANNI Card. VILLOT. FRANCISCO SALGADO ZENHA.

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NUNCA FEZ MAL A NINGUÉM


Ministros e generais assistiam, esta terça-feira, à demonstração do funcionamento dos canhões de água - um dos instrumentos de segurança do Euro 2004 -, quando foram atingidos pelo jacto. Pelas imagens da SIC, pode ver-se que, pelo menos os canhões de água, revelaram-se bastante eficazes a dispersar multidões.

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maio 16, 2004

OU HÁ MORALIDADE OU COMEM TODOS

Sob o título em epígrafe, o Último Reduto postou um texto que constitui uma análise lúcida de PG sobre a pretensão dos novos democratas (ou democratas novos?) recém-nascidos e recém-aparecidos presumirem de gente crescida e reivindicarem lugar nos debates entre os principais candidatos às próximas eleições europeias. PP - POLÍTICA PURA, que aqui já se pronunciou sobre o tema no mesmo sentido do que agora fez PG, transcreve, com a devida vénia ao Último Reduto, o texto em apreço:

«Tenho lido, em blogues cujos autores são tidos como próximos da Nova Democracia, reacções cheias de indignação face à decretada ausência do dr. Monteiro dos debates políticos televisivos e radiofónicos em volta das eleições europeias. Toda uma injustiça! - dizem eles - que o que se passa decorre do medo que a coligação da "maioria" tem do dr. Monteiro! Ainda que tentando dar o devido desconto pelo facto de tais indignações partirem de quem tem vestida tão monteirista e promissora camisola, a verdade é que há argumentos fantásticos a serem esgrimidos, acompanhados da prática pela política do "olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço"...
A verdade é que o dr. Monteiro parece desconhecer que às próximas eleições europeias se apresentam treze partidos e coligações. Repito: treze. De modo que não se lobriga qualquer razão para que nos debates não estejam presentes todos os candidatos: os treze. O que é curioso - e se regista - é que o primeiro a tentar quebrar a regra da democracia para todos foi justamente o dr. Monteiro que, na sua firme vontade de escrever o mais que pode, se dirigiu por carta a alguns cabeças de lista às eleições, desafiando-os para debates; mas fê-lo apenas em relação a alguns adversários. Ou seja, atirou a primeira pedra, esquecendo eventualmente a máxima que manda não fazer aos outros o que não gostamos que nos façam a nós...
No entretanto, foi o dr. Monteiro "corrido" dos debates que vinha anunciando, o que também não deixa de ter a sua graça. Afinal de contas, se ele queria discutir apenas com alguns, não pode retirar a esses alguns o direito de não quererem conversas com ele (o que até se consegue compreender).
Em todo o caso, "lento" que sou a entender estes vícios eleitorais, ainda alguém me tentará explicar qual a razão que justificaria a presença do tal candidato nos "grandes" debates: acaso tem representação parlamentar por cá? acaso a Nova Democracia tem deputados eleitos em Estrasburgo? Pois, parece que não tem. Será organização política nascida do poder divino? Não creio. De modo que já devia o dr. Monteiro dar-se por imensamente satisfeito por andar ao colo da comunicação social. Já não é pouco».

Publicado por JPDIAS em 07:50 PM | Comentários (2) | TrackBack

maio 15, 2004

O AGITADOR

Há muito tempo que ele não fazia ondas e estava quieto. O que é contra a sua natureza.

Publicado por JPDIAS em 06:39 PM | Comentários (0) | TrackBack

ESTOU MAIS TRANQUILO

Estou mais tranquilo. Ela acredita em Portugal e nos portugueses. E eu que pensava que não! Ufa!!!!

Publicado por JPDIAS em 06:17 PM | Comentários (0) | TrackBack

maio 12, 2004

500 MILHOES DE EUROS (100 MILHÕES DE CONTOS)

Foi quanto António Champalimaud deixou em legado para instituir uma Fundação com o objectivo de desenvolver a investigação científica ligada ao domínio da saúde. Em vida criou riqueza para o país. Na hora da morte resolve beneficiar o seu país com um considerável acervo patrimonial mostrando que a riqueza pode e deve ter uma finalidade social. Poderia ter optado por enriquecer os seus herdeiros. Preferiu beneficiar o seu país. Portugal fica em dívida perante a sua memória.

Publicado por JPDIAS em 09:32 PM | Comentários (0) | TrackBack

MAS SERÁ QUE NINGUÉM OS PODE MANDAR CALAR?

Notícia d'O Público de hoje:

«Dirigentes do PSD-Madeira exigem a expulsão de Pacheco Pereira e de LuÍs Filipe Menezes do partido. Pacheco Pereira - que se deslocou ao Funchal para participar num dos painéis integrados no congresso regional, durante o qual justificou o alargamento da UE e contestou a tese europeísta em detrimento da opção transatlântica - vai ser alvo de um voto de protesto, a apresentar pela JSD madeirense no congresso nacional, pelas suas declarações na SIC-Notícias a favor da extinção das jotas. O líder dos jovens sociais-democratas madeirenses e filho do secretário-geral do PSD-M, Jaime Filipe Ramos, acha que aquele eurodeputado "está a mais na política e no partido" e "se enganou" ao escolher o PSD, pelo que "deveria sair do partido". Igualmente acusado de "elitista" e de "bastardo político" foi Luís Filipe Menezes, por ter considerado Sampaio o melhor Presidente da República e criticado Jardim por fazer obra à custa dos contribuintes continentais. O PSD "só tem a ganhar se se livrar desses idiotas", declarou um dos vice-presidentes do PSD-Madeira, Miguel de Sousa, no congresso regional».

Mas será que ninguém pode mandar calar estes idiotas?

Publicado por JPDIAS em 08:10 PM | Comentários (1) | TrackBack

maio 11, 2004

MINISTROS DAS FINANÇAS RETIRAM PORTUGAL DA LISTA DE PAÍSES COM DÉFICE EXCESSIVO

Com a aprovação desta deliberação acabou, portanto, a possibilidade de serem invocados os - MUITOS - erros do passado e da governação socialista para justificar as medidas do presente e as dificuldades com que o país se tem debatido. A notícia é boa e tem de ser levada a crédito da austeridade que tem sido imposta e suportada. Porém, doravante os responsáveis por eventuais repetições de défices excessivos, a haver necessidade de os encontrar, já serão outros.


Publicado por JPDIAS em 07:02 PM | Comentários (1) | TrackBack

maio 08, 2004

O NOVO CÓDIGO DA ESTRADA

O Governo acaba de aprovar as alterações ao Código da Estrada que agravam de forma substancial as multas e penalidades acessórias para quem prevarique e viole as regras de circulação. Dirão alguns que as medidas são exageradas; as penalizações desproporcionadas; que prevaleceu o economicismo. Todos estes argumentos seriam pertinentes se o nosso nível de civilidade não fizesse com que fôssemos o país da Europa com mais alta taxa de sinistralidade rodoviária.

Para pôr termo à verdadeira guerra civil que se trava todos os dias nas estradas portuguesas não basta prevenir, esclarecer, formar, informar. Não chegam as campanhas, os spots televisivos, a sensibilização da opinião pública. Tudo isso já foi feito e sem resultado digno de realce.

Haverá, pois, que lançar mão de outros instrumentos, eventualmente mais dissuasores. Ora, uma das finalidades de qualquer pena - sabem-no os criminalistas - é, também - não só, mas também - o seu efeito dissuasor e inibidor de comportamentos legalmente censuráveis. Nessa medida, por muito impopular que possa parecer, por (alguns) votos que possa custar, o caminho seguido de agravação substancial das penalidades emergentes da violação das regras de circulação rodoviária é o adequado e o necessário.

D'O blog do Caldas, com a devida vénia, fica a súmula das alterações agora introduzidas:

O novo Código da Estrada

Excesso de velocidade em auto-estradas:
- entre 120 e 140 km/h - 200 euros de multa
- entre 140 e 150 km/h - 300 euros de multa
- entre 150 e 200 km/h - 1000 euros de multae eventual apreensão de carta
- mais de 200 km/h - 1600 euros de multa

Excesso de velocidade nas cidades:
- mais de 110 km/h - multa até 2500 euros

Excesso de álcool:
- entre os 0,5 e 0,8 gramas de álcool - 700 euros de multa
- entre 0,8 e 1,2 gramas de álcool - 2000 euros de multa
- mais de 1,2 gramas de álcool - 2500 euros de multa e pena de prisão até 2 anos

Prazo para pagamento de multas - 15 dias úteis

Prazo de prescrição de coimas - 2 anos

Uso de telemóveis durante a condução - multa de 600 euros e eventual apreensão de carta (auriculares e sistemas de mãos-livres continuam a ser permitidos)

É proibido deitar beatas de cigarros acesas pela janela dos carros

Estacionar em cima dos passeios pode dar direito a ficar sem carta

É obrigatório o uso de colete reflector quando se sair do carro em situação de emergência

É obrigatório usar um autocolante amarelo com o limite de 90 km/hora durante os três primeiros anos de carta

Transporte de crianças
No banco da frente é proibido. Atrás, só com o sistema de retenção ou cadeirinha. Multa de 600 euros

Conduzir sem cinto de segurança: multa de 400 euros

Publicado por JPDIAS em 03:34 PM | Comentários (0) | TrackBack

maio 07, 2004

MEIAS VERDADES DE UMA CERTA IMPRENSA E DE OUTROS TANTOS COITADITOS

PP - POLÍTICA PURA seguiu com inusitado interesse a pretensa polémica a propósito do «escândalo nacional» que consistiu no facto de o Ministro da Defesa ter dado «boleia» a três militantes do CDS-PP numa viagem de helicóptero que fez entre as ilhas açoreanas do Corvo e da Terceira.

Agora que os esclarecimentos começam a vir ao de cima, sabe-se que a verdade da história não foi toda contada.

Desde logo a omissão «casual» de referência ao facto de os militantes em causa do CDS-PP serem, também, titulares de órgãos autárquicos e regionais - e nessa qualidade poderem acompanhar um Ministro da República em visita à Região Autónoma.

Depois, o supostamente púdico jornalista que escreveu esta pérola de peça jornalística «esqueceu-se» de denunciar que, no mesmo vôo, o mesmo Ministro da Defesa deu igual «boleia» a ilustres jornalistas que se deslocaram idênticamente às custas do erário público. Mas sobre isso, o autor da brilhante prosa, mais uns quantos coitaditos do costume, nada disseram.

Os primeiros porque se devem julgar com direito natural a transporte em helicóptero ministerial; os segundos porque, coitaditos, são o que são à custa da imprensa, que os alimenta e os mantém politicamente vivos, e por isso nada a criticar à classe jornalistica que vamos tendo.

Para mais esclarecimentos e uma outra versão da história, mais completa por revelar o que muitos quiseram omitir, o texto infra publicado n'O blog do Caldas, cuja leitura se recomenda (com a devida vénia àquele blog amigo):

PIP passa a ser a sigla VIP para jornalistas: Press Important People. Segundo os mesmos, serão os únicos admitidos em helicópteros oficiais.
O presidente do Governo Regional dos Açores resolveu fazer barulho por o ministro da Defesa Nacional, no helicóptero militar em que se deslocara, ter "dado boleia", entre o Corvo e a Terceira, a "militantes do PP", acusando-o de transformar o dito helicóptero num "táxi do PP".
O gabinete do ministro da Defesa esclareceu prontamente que este não teve qualquer problema em transportar no helicóptero da Força Aérea, em que se deslocara, João Greves e Inácio Pimentel, como autoridades institucionais, pois são presidentes da câmara e da assembleia municipal do Corvo, bem como Alvarino Pinheiro, por ter sido o deputado regional que intercedeu por diversos assuntos legislativos do interesse da ilha.
E acrescentou que, no mesmo helicóptero, viajaram também jornalistas que cobriram a inauguração do memorial a ex-combatentes. Recorde-se que o ministro Paulo Portas esteve, há dias, na ilha do Corvo [ v. Homenagem aos combatentes ] em cumprimento de funções oficiais, a convite do presidente da câmara, e participou em cerimónias de total abrangência política, para a qual foram convidados deputados regionais do PS e do PSD, eleitos pelo Corvo, tal como os vereadores de todos os partidos.
Mas, apesar do esclarecimento, jornais houve que deram sequência e destaque ao ataque desabrido de Carlos César.

Três conclusões:

1. Para alguns jornalistas, só jornalistas é que são admitidos, sem crítica, em helicópteros oficiais. Autoridades regionais e locais, nunca. PIP only.

2. Para Carlos César e estes jornalistas, as autoridades regionais e locais, quando sejam militantes do CDS-PP, têm que deslocar-se, em ocasiões semelhantes, por estrada e em viatura própria, do Corvo para a Terceira ou vice-versa. A opinião pública aguarda, assim, com acrescido interesse os planos de Carlos César e do seu governo quanto à próxima construção da nova auto-estrada que quebrará o isolamento do Corvo, ligando esta ilha ao grupo central do arquipélago.

3. O motivo real da fúria de Carlos César: andou, desde há meses, sinuosamente, a ver se lançava uma campanha contra o governo da República, porque, alegadamente, não fiscalizaria suficientemente a actividade pesqueira nos mares dos Açores. Depois, tornou-se claro que este governo, sob impulso de Paulo Portas e com o apoio de Sevinate Pinto, incrementara significativamente os meios e o orçamento para a fiscalização nos mares dos Açores. E mais: tornou-se também claro que, anteriormente, tinha sido a gestão dos "camaradas socialistas" do governo de Guterres que havia levado os meios operacionais da Marinha e da Força Aérea a um estado calamitos de quase absoluta indigência e grande incapacidade. Problema que foi sendo resolvido e superado, com o governo PSD/CDS-PP. Daí, tanta fúria... Entende-se a fúria. Mas não tem razão.

Publicado por JPDIAS em 04:53 PM | Comentários (0) | TrackBack

maio 04, 2004

A MALDADE...

O RB não perdoa uma!!!! Mas desta vez fez uma maldade muito grande!!!! Pediram para o povo dizer ao Manel e o RB disse! Ora vejam aqui o que ele disse ao Manel....

Publicado por JPDIAS em 05:41 PM | Comentários (0) | TrackBack

abril 30, 2004

O CERCO APERTA-SE

Notícia TVI: «Auditoria das Finanças indicia «favores» ao FC Porto. PJ fez buscas a casa do ex-autarca do Porto Nuno Cardoso. A Polícia Judiciária fez, esta semana, uma busca em casa de Nuno Cardoso, o antigo presidente da Câmara do Porto. Foi na terça-feira passada no âmbito de uma investigação que está a ser feita à Câmara do Porto. Em causa estarão, sobretudo, as ligações entre o FC Porto e a Câmara, sendo abrangidos os períodos em que foram presidentes Nuno Cardoso e Fernando Gomes».

Lentamente o cerco vai-se apertando. Não podem fugir sempre. Hoje já tiveram de vir dizer que foi «apenas» um bom negócio. Os amigos ex-autarcas já estão sob investigação. Hão-de chegar lá!

Publicado por JPDIAS em 05:21 PM | Comentários (2) | TrackBack

abril 27, 2004

COERÊNCIA POLÍTICA É.....

.... não ceder ao populismo fácil do futebol nem utilizar os êxitos desportivos para fins políticos, ainda que, eventualmente, isso possa custar alguns votos. Mas os votos perdem-se num dia e conquistam-se no dia seguinte. E a razão e os princípios é que se têm ou não se têm. E uma vez perdidos. perdidos para sempre.

«A maioria PSD/CDS-PP da Câmara do Porto chumbou esta terça-feira uma proposta dos vereadores socialistas de abrir as portas dos paços do concelho ao FC Porto, com o intuito de celebrar a conquista da SuperLiga. O clube das Antas vê-se assim impedido novamente de festejar a vitória do campeonato nacional na varanda principal da sede do município, onde antigamente eram ovacionados pelos adeptos e simpatizantes azuis e brancos que por norma enchem a Avenida dos Aliados e a Praça da Liberdade quando os dragões se consagram vencedores de uma prova em que estejam inseridos. A proposta socialista, rejeitada pelos seis vereadores da maioria PSD/CDS-PP (incluindo o presidente, Rui Rio) e com a abstenção do autarca da CDU Rui Sá, propunha que a autarquia, enquanto «legítima representante de todos os portuenses», "abrisse os Paços do Concelho aos atletas, treinadores e dirigentes do FC Porto em dia a combinar"».

[Via Diário Digital, com a devida vénia]

Publicado por JPDIAS em 07:58 PM | Comentários (2) | TrackBack

ORDEM DA LIBERDADE PARA BIN LADEN. JÁ!

Atentas as reacções ao nosso post anterior, que tal fazer-se a petição em termos formais? ORDEM DA LIBERDADE PARA BIN LADEN. JÁ! É um desafio à blogosfera nacional!

Publicado por JPDIAS em 03:13 PM | Comentários (1) | TrackBack

O IMPARCIAL SUGERE .......

.... E o PP - POLÍTICA PURA apoia e junta-se desde já à iniciativa: ORDEM DA LIBERDADE PARA OSAMA BIN LADEN! JÁ! Os apoiantes da iniciativa podem subscrever a petição na caixinha de comentários. Prometemos fazer chegá-la a Sua Excelência o Presidente da República, residente no Palácio de Belém, em Lisboa!

Publicado por JPDIAS em 12:48 AM | Comentários (6) | TrackBack

O CDS-PP E ISABEL DO CARMO

De Francisco Mota Ferreira, no Diário Digital de hoje, que se transcreve com a devida vénia:

«A Ordem da Liberdade destina-se a «distinguir serviços relevantes prestados em defesa dos valores da civilização, em prol da dignificação do homem e à causa da liberdade». À luz deste princípio, a atribuição desta condecoração a Isabel do Carmo só pode ser uma piada de mau gosto.
Mais. Esta escolha mostra uma faceta do Presidente da República que Jorge Sampaio e alguma esquerda não conseguem esconder quando em causa estão comemorações passadas de uma época que felizmente poucos têm alguma nostalgia.

Isabel do Carmo e as pessoas que partilham das suas ideias não fizeram o 25 de Abril. Mas têm responsabilidade no caos e anarquia que se assistiu em Portugal até ao 25 de Novembro, quando se afastou em definitivo o risco de Portugal cair numa obscura ditadura comunista.

Porém hoje, 30 anos passados, alguma esquerda ainda olha para esse período com saudade. E, nas últimas semanas, foram muitos os que expressaram pena pelo desvio que se fez na revolução.

Por tudo isto, não é de estranhar que Jorge Sampaio encare como natural uma condecoração a Isabel do Carmo. No final de contas, no passado, o PR também bebeu a cartilha da ideologia radical de esquerda defendida pelo MES.

Mas a atribuição da Ordem da Liberdade a Isabel do Carmo não seria grave se a própria já tivesse dado sinais de alguma evolução ideológica e olhasse hoje para o passado como os reflexos de excessos de uma juventude por natureza rebelde.

O problema é que não é isso que se passa. Isabel do Carmo não é democrática, parou no tempo e continua a acreditar nos perigos do fascismo (???), na luta de classes, no proletariado e na revolução popular.

Percebe-se por isso porque é que o CDS/PP não quer participar neste circo comemorativo e alega que não pode estar numa cerimónia onde é agraciada uma pessoa que «esteve envolvida em organizações violentas e bombistas». Felizmente ainda há alguém com coragem que diz «não» a esta fantochada!».

Publicado por JPDIAS em 12:46 AM | Comentários (0) | TrackBack

abril 26, 2004

SE HOUVESSE VERGONHA EM PORTUGAL (II) ....

A propósito do post anterior, e para quem tiver dúvidas sobre a excelência do pensamento democrático da condecorada, recomendo vivamente um salto À Razão das Coisas, onde poderá ficar esclarecido sobre as bases e a essência da sua afeição à democracia. A não perder!

Publicado por JPDIAS em 02:49 PM | Comentários (2) | TrackBack

SE HOUVESSE VERGONHA EM PORTUGAL....

..... Muitos dos já condecorados com a «Ordem da Liberdade» em Portugal não hesitariam um minuto que fosse e aprestar-se-iam a devolver a sua condecoração, ao saberem que a mesma irá ser atribuída a Isabel do Carmo, terrorista do PRP (BR), já em tempos amnistiada pelo nosso Capitulacionista-mor Mário Soares. Tal comenda ficar-se-á a dever, por certo, aos brilhantes serviços prestados à causa democrática nacional, pondo bombas, manejando explosivos e tentando instaurar a ditadura do proletariado. Sem dúvida que é merecida a distinção...

Publicado por JPDIAS em 02:35 PM | Comentários (2) | TrackBack

abril 25, 2004

DEMOCRACIA E LIBERDADE

D'O Quinto dos Impérios, com a devida vénia, um post que cremos de justiça divulgar:

«"Em 25 de Abril de 1974 findava a II República, a de um regime mais interessado na autoridade que no povo, mais zeloso do estado que da sociedade, mais proprietário da história que servidor da nação. Começou a III República mas, apesar disso, 1974 marca mais um fim do que um princípio, pois não conseguiu ser um início adulto de um novo regime. Ficará na história como um regime intercalar, onde alguns tentaram tomar como definitivo o que em democracia sempre será transitório".

Adelino Amaro da Costa dizia a verdade de modo tão simples e belo, que a própria verdade parecia ainda mais verdadeira do que já era».

Publicado por JPDIAS em 10:26 PM | Comentários (1) | TrackBack

REGRESSO AO PASSADO

Televisões e rádios, hoje não escapa uma! Dia de glória! Por todas elas voltaram a passar cromos de ontem como Vasco Gonçalves, Rosa Coutinho, Vasco Lourenço, Otelo Saraiva de Carvalho - todos os militares de Abril que constituem exemplo brilhante de democracia. Só devem ter faltado, mesmo, os que já morreram. Não há paciência para voltar a ter que conviver com tais democratas. Feche-se a televisão, cale-se a rádio. E aproveitemos o tempo bom e o maravilhoso dia de sol.

Publicado por JPDIAS em 05:40 PM | Comentários (0) | TrackBack

IMITAR A DEMOCRACIA

O ensaio de Vasco Pulido Valente, no Diário de Notícias de hoje, que se transcreve na íntegra abaixo, e que serve ou contribui para desmistificar alguns mitos de Abril que, 30 anos depois da Revolução, ainda permanecem. Vale a pena ler. Com a devida vénia ao DN, aqui fica o texto:

O «25 de Abril» foi feito porque o Exército, digo bem, o Exército (a Força Aérea e a Marinha não passaram de pequenos comparsas) não queria e, em certa medida, não podia, continuar a guerra. Não vamos discutir as razões (corporativas, demográficas, diplomáticas) deste facto, mas subsiste que ele esteve na origem de tudo. Os «capitães» (patente genérica) que se pronunciaram contra a ditadura (do pronunciamento falaremos depois) não tinham um plano, ou sequer uma ideia, para o país. Normalmente pouco educados, se pensavam no assunto, era para partilhar os lugares-comuns «socializantes» da oposição urbana e estudantil. Por si só, o famoso «Programa do MFA», incoerente e sumário, revela bem o vácuo para que se empurraram os portugueses, tanto aqui como em África. Por um lado, prometia eleições. Por outro, a «reforma agrária» e «uma estratégia antimonopolista», dois pontos cruciais, retirados da vulgata do PC. Suponho que à altura se tratava principalmente de angariar o apoio ecuménico da Esquerda e Centro-Esquerda contra a putativa resistência do regime. Como a seguir se constatou, ninguém mediu com seriedade, ou sensatez, as prováveis consequências do «Programa». A irresponsabilidade, típica entre militares, reinava. Pior ainda: como não se podia decentemente pôr um capitão ou um major à frente do Estado, o MFA entrou numa aliança indefinida com o general Spínola e o general Costa Gomes. Megalómano e autoritário e, além disso, ignorante, Spínola «escrevera» um livro (de facto escrito por oficiais da sua confiança), o Portugal e o Futuro, em que propunha uma «Comunidade Lusíada» ou coisa assim, e em que velhos preconceitos (do tipo: o nosso preto é nosso amigo) se misturam a uma inconcebível imprudência e à mais vertiginosa estupidez. Logo do princípio existiram, portanto, dois programas, um pior do que outro, e duas facções. Faltava «sair» e estabelecer o caos.

A «REVOLUÇÃO»

A «revolução de Abril», como romântica e fraudulentamente lhe chama a Esquerda, foi um mero pronunciamento clássico. Para quem não saiba: uma unidade ou grupo de unidades declara a sua oposição ao governo do dia (geralmente, mas não necessariamente, ocupando alguns lugares de importância estratégica - estradas, pontes, praças, portos, aeroportos, telégrafo, telefones, rádio, televisão e por aí fora) e, a seguir a esta desobediência activa, espera para ver o que decidem as forças militares fora da conjura. Se estas não marcham em massa contra os insurrectos, se não se mexem ou se aderem, o «golpe» ganhou. Manda a tradição que não haja violência. O pronunciamento é, como se dizia, um exercício de «contar espingardas». Quase nenhuma espingarda se apresentou a defender Caetano e as que apareceram, examinada a situação, retiraram em paz. Só a Guarda Republicana, aqui e ali, resistiu algum tempo; não muito e não muito convictamente.

Verdade que em Lisboa o «povo» veio desde o começo para a rua aplaudir as tropas e que esse apoio cresceu com a certeza da impunidade. E verdade também que, uma vez consumada a derrota do regime, houve por Portugal inteiro manifestações de grande entusiasmo e extraordinária dimensão. Isto, de certa maneira, legitimava o «golpe» contra uma ditadura, a que o país tinha um ódio tão universal e tão violento. Não legitimava mais nada. Como não legitimava nada, o assalto, inaugurado a 26 de Abril, a toda a espécie e género de autoridade, ligada ou não ao regime, que nos primeiros meses chegou espontaneamente a inimagináveis proporções. À sombra do Salazarismo e do Caetanismo viviam e cresciam mil tiranias diversas. O ajuste de contas era inevitável (e não deixou, em parte, de ser salutar), mas também não permitia que se tirasse dele qualquer conclusão política. Infelizmente, o MFA, já «aconselhado» pela Extrema-Esquerda, pelo PC e até pelo PS, resolveu arrogar para si, na única base da efervescência popular, uma fiança metafísica, com a designação absurda de «legitimidade revolucionária», com que durante anos justificou o seu poder absoluto e arbitrário. A revolução, propriamente dita, nunca existiu. Existiu, a partir de 28 de Setembro de 1974, uma tentativa, conduzida pelo Partido Comunista, para tomar conta do Estado e estabelecer pela força em Portugal um regime soviético, de que no seu lugar se tratará.

A DESCOLONIZAÇÃO

Para começar, convém esclarecer um equívoco hoje comum: apesar da propaganda jacobina e da pregação salazarista (o célebre mapa da Europa com as colónias sobrepostas), o nacionalismo português jamais verdadeiramente incluiu o império de África. Em 1910, a população branca em Angola e Moçambique andava por 15 000 pessoas; no fim da Segunda Guerra por 70 000. Só em meados da década de 50 e principalmente quando começou a guerra é que os números subiram. Os portugueses não emigravam para África. Emigravam para o Brasil e, a seguir, emigraram para a Europa. Para países ricos, não para países pobres. Como se compreenderá. O que, juntamente com a crónica miséria da «metrópole», teve dois consideráveis resultados. Por um lado, a colonização portuguesa, que durou de facto vinte anos (de 1955 a 1974), não chegou para criar em Angola e Moçambique (e menos na Guiné) uma sociedade moderna ou semimoderna, capaz de se autogovernar. E, por outro lado, os portugueses, a quem a ditadura obrigava a defender o império, não o estimavam e mesmo gostariam de o perder. Assim, sem colonização, a descolonização estava sempre condenada a ser um desastre e os portugueses assistiriam sempre, como assistiram, com indiferença a esse desastre.

O MFA nascera para impor o abandono imediato de África. A «liberdade», a democracia e o socialismo real ou irreal eram, se eram, corolários desse objectivo e ocupavam na cabeça dos «capitães de Abril» um lugar remoto e obscuro. Spínola, na sua perpétua inconsciência, ainda tentou impor a «Comunidade», que tão laboriosamente congeminara, e até desceu a discursar às tropas, certamente estupefactas, sobre as pseudoglórias de Marracuene e Magul. Mas Spínola não tinha peso militar e em Julho, no essencial, perdera. Não podia senão perder. O exército no terreno não esperara um minuto para se render e já em Maio, da Guiné a Moçambique, confraternizava aliviada e ardorosamente com o inimigo.

Neste clima, negociar era impossível, porque era claramente inútil. Não se negoceia depois da derrota e essa fora consumada. Restava combinar, e apenas combinar, a entrega de África aos vários «movimentos de libertação», mesmo sabendo que eles não controlavam nada, nem ninguém. Não existia alternativa, excepto evidentemente a de entregar Portugal à Extrema-Esquerda, ao PC e aos «capitães», para garantir que, ele também, seria destruído. Mas, nesta altura, é bom lembrar que o MFA gozou do apoio unânime do país. Não me refiro aos slogans pleonásticos que se escreviam nas paredes. Lembro que não se ouviu um protesto, uma crítica, o mais vago lamento. Para espanto dos que não o conheciam bem, o país mostrou com um silêncio clamoroso que não queria a guerra e que não queria a África. E que não dispensava a menor solidariedade ou compaixão aos brancos que, para seu mal, lá viviam. Nos negros nem pensou.

AVENTURAS DE SPÍNOLA

No Verão de 1974, a insurreição contra a autoridade mudou de carácter e começou a ser obviamente dirigida pelo PC e pela Extrema-Esquerda e a atingir, além do Estado (e daquilo que dele dependia), empresas privadas, fundações (como a Gulbenkian), a propriedade urbana, a propriedade rural (no Ribatejo e no Alentejo), a banca e os seguros. Spínola, então Presidente da República, e a Junta de generais que o acompanhava não tinham maneira de parar isto. O Governo era um apêndice sem força, nem prestígio. Os partidos, excepto o PC, ainda na infância, não contavam. E o MFA (por razões que se explicarão) incitava o tumulto, em vez de o limitar.

A única maneira de estabelecer alguma ordem neste caos crescente era criar uma legitimidade superior à legitimidade «revolucionária» de que o MFA se reclamava. Era simplesmente e, por outras palavras, fazer eleições. Mas, se o «Programa» do MFA prometia eleições para uma futura Constituinte, agora os perigos de uma consulta formal à cidadania (e não ao «povo» que berrava na rua) e do que essa Constituinte viesse a decidir estavam à vista. Se a Direita ganhasse, afastaria fatalmente o MFA de cena e não trataria com brandura os fautores da descolonização e do «levantamento» interno. A ruína (em África) de interesses materiais de peso, 800 000 brancos sem destino, o assalto ao Estado e a devastação da economia interna não se podiam esquecer ou perdoar. Em Agosto, o medo entrou, para ficar, na política portuguesa. O medo do conservadorismo indígena, abalado como nunca na história; o medo dos larguíssimos milhares de voluntários da «revolução», sobre quem pesava a eventual vingança da gente que haviam humilhado ou liquidado; e, acima de tudo, o medo do MFA. O medo, muito mais do que qualquer ideologia ou plano consciente, iria dali em diante determinar a acção à Esquerda e à Direita. Sem perceber esta realidade básica, não se percebe muito.

Spínola resolveu cortar o mal pela raiz, como quem comanda uma operação na Guiné. Do alto da sua inenarrável arrogância, o problema parecia elementar. Primeiro, provocava a sua eleição para Presidente da República: um Presidente com poderes sem limite, que disporia do exército, da GNR e das polícias. Depois, fabricava diligentemente uma Constituição a seu gosto e medida. E, por fim, posto o «povo» no seu lugar, referendava a Constituição. Esta manobra presumia a total passividade da Extrema-Esquerda, do PC e do PS e também que o MFA se deixaria pacificamente imolar. Não admira que as coisas não corressem bem. Falhou uma tentativa ingénua de usar o Governo para os preliminares, de que Sá Carneiro foi em parte responsável e que, na prática, só serviu para remover o Governo (o I Provisório) e dar lugar a outro (o II), presidido pelo coronel Gonçalves, de futura fama. Cortado este caminho, Spínola apelou directamente ao país. A «maioria silenciosa» devia manifestar o seu desejo de ordem e o seu horror ao comunismo e ele, em resposta, convocaria (sem autoridade) a imediata eleição do Presidente. Era a velha ideia de opor a «rua» moderada à «rua» revolucionária. Mas, por enquanto, a «rua» moderada, pouco inclinada a melodramas, ficou tranquilamente em casa e a loucura culminou com uma patética tourada no Campo Pequeno. O miguelismo, sempre o último recurso da Direita portuguesa, encontrava o espírito «moço de forcado» para salvar a Pátria com meia dúzia de nacionalistas, neofascistas, filhos-família e os basbaques do costume. O espectáculo não impressionou o MFA, que prendeu uma centena de pessoas (por um puro motivo político) e na cadeia deliberadamente as maltratou. Spínola, esse, saiu logo de cena com um discurso apocalíptico. O MFA seguiu para a Esquerda, em direcção ao PC. A hipótese de casamento andava no ar.

O MOMENTO DE ÁLVARO CUNHAL

Retrospectivamente, parece impossível como não se percebeu desde o princípio a estratégia de Cunhal. O desembarque no aeroporto da Portela (que vi sem ver) foi uma cópia fiel (e, de resto, encenada) do desembarque de Lenine na estação da Finlândia. O rápido desenvolvimento do partido, com uma política de «porta aberta» para quem fosse útil, era um exercício de manual. A conservação da CDE, agora supérflua, cumpria a regra de «unir» para mandar. A eficiência e rapidez com que o partido tomou conta dos sindicatos vinha nos livros. Como vinha nos livros a necessidade da «Aliança Povo-MFA», na verdade PC-MFA, para infiltrar e eventualmente dominar o exército. E, por último, lá estava a receita universal de uma outra aliança, a aliança operário-camponesa, no caso um ersatz que a ocupação do Estado, a «reforma agrária» e as nacionalizações deviam tornar «realidade». Contra os conselhos do poder soviético (ou, pelo menos, da sua ala mais sóbria), Álvaro Cunhal queria mesmo repetir em Portugal a revolução de Outubro e, é permitido suspeitar, não se achava muito inferior ao mestre.

Este programa, que parece impraticável, tinha no entanto uma grande vantagem: só ele oferecia, à superfície, uma absoluta segurança ao MFA e uma carreira aos seus cabecilhas. O MFA, convém repetir, vivia no medo da retribuição. Demolir Spínola e a Direita política, sobretudo aquela Direita política, não garantia nada. Se não se arrasassem as forças que dominavam a economia, tarde ou cedo uma nova Direita fundaria o seu regime e tarde ou cedo o MFA pagaria com a obscuridade e a miséria (e até talvez, muito «legalmente», com a cadeia) a sua espécie de «libertação». Para sobreviver, o MFA precisava de enterrar o mundo velho. E mais: precisava de preservar indefinidamente o seu poder. Os «capitães» não descobriram isso depressa. Não compreenderam à partida o significado e o alcance do abandono de África. Nem sequer pressentiram a infalível queda do antigo regime e até houve uma altura em que, para evitar sarilhos, se tentaram entender com Caetano. Aceitaram o «programa» do MFA como quem aceita uma formalidade. E, no Verão de '74, ainda alguns se inclinavam para Sá Carneiro. A necessidade é que os trouxe ao PC. Porque o PC oferecia a tábua rasa; e porque, como eles, não queria eleições.

Em Janeiro de 1975, a revolução de Álvaro Cunhal estava a caminho. Os «saneamentos» continuavam com entusiasmo e, agora, com método. O partido controlava ministérios, controlava câmaras, controlava quase toda a imprensa, a televisão e a rádio. Através das «comissões de trabalhadores» (outra figura clássica), conseguia estabelecer um clima de intimidação em centenas de empresas, que, por seu lado, os sindicatos levavam lentamente à parede. E, como sempre, a «inteligência» indígena proclamava como glória a sua vassalagem ao poder do dia. Felizmente, a estratégia de Cunhal tinha dois pontos fracos, de que ele não se apercebeu; ou que o exemplo de Lenine (como a versão soviética o apresentava) não permitia considerar.

Em primeiro lugar, a base social e geográfica da presuntiva revolução era estreita. Geograficamente, o território comunista não ia além da grande Lisboa, do vale do Tejo e do Alentejo (o velho território do jacobinismo). Um exame dos movimentos de Cunhal em '74 e '75 mostra que ele quase nunca passou a sua fronteira. Este limite, no entanto, não decidia tudo. Com pouco mais do que isso, Afonso Costa dominara o país pelo terror e Lenine partira, em proporção, com muito menos. Socialmente, também o PC se reduzia aos «trabalhadores» e a uma modesta parte da pequena-burguesia. Na «rua» faziam com certeza uma enorme impressão. Mas Cunhal, com trinta anos de cadeia e de exílio, vivia em 1940 (como o Rumo à Vitória claramente prova) e não vira, ou registara, a transformação da economia e a emergência de uma nova classe média, com alguma instrução e prosperidade, que a tornavam incapaz de embarcar numa aventura soviética. Essa classe, «progressista» mas conservadora, não existia na época revolucionária histórica. O abismo entre as «duzentas famílias» da imaginação marxista e as «massas» que «nada tinham a perder» fora preenchido. E a «força do PC» talvez não bastasse.

Em segundo lugar, a aliança com o MFA punha um problema, que Álvaro Cunhal sempre ignorou ou fingiu ignorar (pelo menos, não disse ou escreveu uma palavra sobre ele): o problema da divisão do poder. O MFA e, em geral, os militares «comprometidos» não se importavam de colaborar e proteger o PC, na medida em que o PC os servia. Mas, fora uma minoria militante, recentemente convertida, por muito que declarassem o seu amor à revolução, não tencionavam ficar subordinados à hierarquia do partido, quando as coisas viessem a estabilizar. Se não gostavam da ideia de eleições, rejeitavam a autoridade magistral, perpétua e absoluta do PC. Queriam o que Cunhal não lhes podia dar: a partilha do poder. Não um acordo formal, que sabiam precário. Uma partilha que implicasse a independência do MFA. Mas como, sem eleições, garantir essa independência?

ILUSÕES

Entre Setembro de '74 e Março de '75, a situação ficou indefinida. A força do PC aumentava, embora muita gente não acreditasse ainda que seriamente pretendia instalar em Portugal um regime soviético. O PS e o PPD estavam no governo e começavam a criar uma organização nacional. Spínola, retirado e em silêncio, era uma esperança e ameaça pendente. Corriam as noções mais disparatadas. Como de costume, o indígena, na sua fertilidade, ia buscar lá fora os «modelos» da moda: o regime militar, e corria que socialista, do Peru; o «compromisso histórico» com PC, à italiana; o gaullismo com Spínola; a Jugoslávia sem Tito. De qualquer maneira, havia o sentimento de que se devia passar do provisório ao definitivo. Mas, significativamente, não se pensava em resolver a questão com uma campanha eleitoral e com eleições.

Porquê? Porque a «revolução» pertencia aos «revolucionários» (ao MFA, ao PC, à Extrema-Esquerda e até a uma franja do PS) e os «revolucionários» (por razões conhecidas) se recusavam a deixar «tudo na mesma» e sensatamente suspeitavam que, com eleições, não mudariam nada ou não mudariam aquilo que pretendiam mudar. Assim, e por paradoxal que pareça, não podia haver eleições sem uma prévia «mudança» em ditadura e, para haver essa mudança, era necessário primeiro decidir aproximadamente qual, ou seja, que houvesse uma espécie qualquer de entendimento entre os partidários do «socialismo» e os partidários (na altura, envergonhados) da «democracia burguesa». Daqui nasceu o «Plano Melo Antunes».

Melo Antunes, um homem sem formação académica ou outra, que lera o marxismo de rigor na época (principalmente, a intrujice francesa), era o «intelectual» do MFA. Fechado num hotel de Sesimbra, com uma dúzia de «notabilidades», começou diligentemente o trabalho de estabelecer que reformas levariam a sociedade portuguesa a um «socialismo» democrático. Só a atmosfera política do tempo e uma infinita presunção explicam este exercício sem precedente conhecido. O espírito do «25 de Abril» está todo nele: a ilusão de omnipotência, o desprezo pela realidade do mundo, o autoritarismo, a irresponsabilidade. O «Plano» em si próprio não vale o papel em que foi escrito e nem sequer como tentativa de conciliação serviu. Poucos dias depois de ter sido finalmente publicado, veio o «11 de Março».

O «11 DE MARÇO»

O «11 de Março» é um episódio misterioso, que ninguém até hoje esclareceu. Convém por isso relembrar os factos sem especulação: na manhã de 11 de Março de '75, houve um pequeno grupo de unidades que se insurreccionou; uma delas (de resto, nada impressionante) apareceu em frente de um quartel de Lisboa, estabeleceu conversa com um oficial que por acaso lá estava e um ajuntamento ocasional de populares e acabou por se render (tudo isto se viu em directo na RTP); entretanto, um avião obsoleto metralhou o quartel e um soldado morreu; à noite, o general Spínola, sem se explicar, fugiu para Espanha num helicóptero militar. Esta aventura, desmiolada, confusa e frouxa, foi imediatamente promovida a «contra-revolução fascista» pelo MFA e o PC. Existem duas teses sobre o episódio. Primeira, que Spínola era suficientemente insano para ter organizado e desencadeado a coisa (o que, dada a sua história pregressa, não exige uma especial credulidade). E, segunda, que Spínola caiu numa armadilha do PC e da ala radical do MFA (o que, à superfície, é verosímil). Claro que Spínola não tinha um motivo tão forte como o MFA e o PC, porque naquele momento a sua simples presença em Portugal pesava a favor de que se fizessem eleições, que lhe iriam com certeza dar uma influência decisiva (mas não se pode conceder uma presunção de racionalidade a Spínola). Pelo contrário, o PC e os radicais do MFA precisavam desesperadamente de liquidar o «Plano Melo Antunes», liquidando com ele o compromisso com a «burguesia», e, caso não conseguissem evitar eleições, precisavam, pelo menos, de as tornar inócuas.

De qualquer maneira, depois de cenas de histerismo na televisão, em que o primeiro--ministro (o coronel Gonçalves) em especial se distinguiu, e de uma purga no exército e no MFA, os «revolucionários» chegaram aos seus fins. A «reforma agrária» permitiu ocupar os «latifúndios»: «latifúndios» que o «povo» por si só não ocuparia. E, de Lisboa, o governo nacionalizou a banca, os seguros, parte da indústria e centenas de empresas, que resolveu achar incompatíveis com o socialismo que se anunciava. Fora meia dúzia de excepções (nos redutos do PC e da Extrema-Esquerda), esta operação, executada a frio, não respondeu ao mais vago sentimento ou vontade popular. No terreno, a gente do PC e afim bastou para intimidar os gestores (e o resto do pessoal), que passaram a trabalhar para o «socialismo» com o mesmo zelo com que antes trabalhavam para o «capital». Com o tempo, muitos deles viriam naturalmente a ser ministros do PSD e ferozes defensores das «privatizações». Em '75, diziam o que hoje não se atreve a dizer a Extrema-Esquerda.

O «socialismo» português não passou assim de um «estado de coisas», determinado por decreto e, no vale do Tejo e Ribatejo, provocado e dirigido por activistas do MFA e do PC, sem mandato formal ou informal. Tirando a miséria e o atraso a que levou a economia, a «revolução» não tocou no país.

MÁRIO SOARES

Os «capitães» de Abril, que sobreviveram com voz, criaram o mito de que o MFA cumpriu honrada, livre e voluntariamente a sua promessa de fazer eleições. Nada mais falso. Se o fez foi apenas por duas razões: o seu interesse e Mário Soares. Comecemos por Mário Soares. Em toda a Esquerda, que se opunha ao regime mas recusava ser subordinada ou absorvida pelo PC, só ele percebeu que não existia independência possível sem apoio internacional, como sem apoio internacional não existiriam instituições democráticas. Vinte anos de experiência tinham mostrado que o PC era um inimigo sem escrúpulos de qualquer força anti-salazarista (ou antimarcelista), que não controlasse. Sem aliados, ninguém se aguentaria contra ele. E, por isso, enquanto as facções da Esquerda se divertiam com disputas teológicas, Soares criou o PS, com a ajuda do SPD (Partido Social-Democrata Alemão), do Partido Socialista Francês e do Partido Trabalhista. Além do dinheiro, obviamente indispensável, estas ligações (que em absoluto faltavam ao PPD e a Sá Carneiro) permitiram que Soares (não o PS, naquele tempo uma entidade duvidosa) aparecesse aos portugueses como o representante por excelência da Europa, ou seja, da espécie de sociedade em que eles gostariam de viver. Mais: se o PC e a facção radical do MFA decidissem de prescindir de eleições, Soares podia convocar contra eles forças consideráveis. Portugal não é uma ilha como Cuba, é uma parcela da Ibéria com fronteiras porosas, que em '75 tinha um milhão e tal de emigrantes (de primeira geração) em França e na Alemanha. A ideia de uma ditadura soviética, com o país fechado, roçava o delírio. Até Cunhal preferia uma fachada, como, por exemplo, um regime meio militar, em que ele mandasse. Mas, sem a passividade ou a colaboração de Soares, esse caminho estava fechado; e Soares queria eleições.

Por outro lado, também no MFA havia gente que apreciava o perigo, para si e para o país, de não pôr qualquer limite à «revolução» de Cunhal. O exército português, embora derrotado em África e dizimado por sucessivas purgas, não se tornara ainda um ersatz de Exército Vermelho, nem achava a perspectiva agradável. Em última análise, preferiu eleições e uma facção inventou mesmo a obtusa habilidade do «voto em branco», que era supostamente um voto MFA. Mas, mesmo assim, o MFA exigiu garantias e obrigou os partidos a subscrever um «Pacto», em que se comprometiam a respeitar as «conquistas» de «Abril», tanto passadas como futuras; e também a instituir como órgãos de soberania uma Assembleia do MFA e um Conselho da Revolução. Com estas precauções, os «capitães» autorizaram que o país votasse. Os resultados foram devastadores. Com 12,5 por cento para o PC e 7 por cento para o «voto em branco», a «revolução» era clamorosamente rejeitada e Soares, com 38 por cento, era, de facto, o representante do país.

A CONSTITUINTE

A eleição punha agora, e apesar do «Pacto», um problema crucial ao PC e ao MFA: além de mostrar o seu relativo isolamento, criava uma legitimidade nova, a legitimidade democrática, igual ou superior à legitimidade espúria a que chamavam «revolucionária». Em bom princípio, perante ela, não existia, ou devia existir, qualquer outra legitimidade. Quem lera a cartilha sabia muito bem que do sufrágio saía sempre a «contra-revolução». Lenine avisara. Só que Lenine tinha dissolvido à mão armada a Constituinte dele e a situação em Portugal exigia mais subtileza. De qualquer maneira, para a Esquerda e a Extrema-Esquerda era imperativo anular o efeito do voto. A história dos meses seguintes foi a história do esforço para que a vontade do «povo progressista» prevalecesse sobre a vontade dos portugueses. O MFA e o PC insistiram logo, invocando o «Pacto», que a revolução não acabara. O que eventualmente decidissem os representantes do país não podia prejudicar o «avanço» triunfal da «revolução», nas direcções que determinasse a sua vanguarda civil e militar. A Constituinte não devia ir além do seu mandato, ou seja, devia produzir uma Constituição e, sobretudo, não se devia imiscuir na vida política corrente, exercendo o seu direito de vigiar o PC e o MFA. Em S. Bento - e para tornar absoluto este interdito - até o período dito «antes da ordem do dia» suscitou a fúria do PC, que terminantemente o recusava, não se lembrasse alguém de falar na Assembleia sobre o que se sucedia cá fora.

Entretanto, a televisão e os jornais condenavam a própria ideia da Constituinte como inútil e «reaccionária» e ridicularizavam na prosa grosseira do PC, na altura em moda, as sessões que se iam fazendo numa atmosfera de constrangimento. O jornalismo (depois, democrático) desceu sem dificuldade ao fundo da subserviência e da sordidez. Pior: foram muitas vezes jornalistas que instalaram na RTP e na imprensa «comissões de censura» para zelar pela pureza «revolucionária» ou denunciaram quem achavam incapaz de se «adaptar» ao «processo em curso». Isto, como de costume, copiava a táctica de Lenine. E não se trata aqui de uma figura de estilo: apareciam artigos fielmente plagiados do cânone comunista. Cunhal, que ordenara este exercício, seguia as regras.

Além destas pressões directas, também vários grupos militares tentaram insistentemente que a Constituinte alargasse o seu poder para além do «Pacto». Corriam de mão em mão Constituições que davam ao MFA um terço dos lugares numa putativa assembleia unicamaral (os deputados seriam escolhidos por eleição interna) ou criavam uma espécie de Senado, exclusivamente extraído do MFA, para vigiar a câmara baixa e, através dela, como se calculará, os portugueses. Não admira. A eleição de '75 confirmara as piores suspeitas dos «capitães de Abril» e transformara em pânico o já vasto medo de represálias. Claro que esse pânico talvez se viesse a transformar - como se transformou - num desesperado desejo de compromisso. Em Maio de '75, no entanto, ainda não chegara o momento. O objectivo principal era liquidar Soares, porque sem Soares nem a legitimidade eleitoral, nem a Constituinte valiam nada.

ATAQUE E RESISTÊNCIA

Com a imprensa, a rádio e a televisão controladas por fanáticos da Extrema-Esquerda e do PC, e apesar da sua medíocre tiragem, A República do PS, como único jornal comprovadamente livre, simbolizava a determinação de resistência ao plano de instalar em Portugal um regime soviético. A 19 de Maio, a Extrema-Esquerda convenceu os trabalhadores (mas não os redactores) a «demitir» a direcção. A 20, indiferente a algumas manifestações de protesto, uma unidade militar evacuou e fechou as premissas. Injustificável e provocatória, esta operação (a que o PC, no fundo aprovando, ficou pudicamente alheio) suscitou um escândalo na Europa e esclareceu a opinião socialista, que admirava os «capitães de Abri» e desconfiava de Soares, sobre a genuína natureza do «processo revolucionário» português. Da usual peregrinação de «intelectuais» maravilhados (entre eles, como sempre, Sartre e Beauvoir, no seu último espectáculo de indigência e má fé), o clima foi mudando para um apoio cada vez mais largo e mais convicto à resistência do PS.

Com o assalto à República, Soares perdeu a imprensa. Mas já o PC, a 30 de Abril, cinco dias depois da eleição que revelara a sua impopularidade e a sua fraqueza, se preparava para lhe tirar, por decreto, os sindicatos. O decreto em causa, aprovado pelo governo e pelo Conselho da Revolução estabelecia que só houvesse um sindicato por ramo de actividade - a «unicidade sindical» - coisa que, em princípio, permitiria ao PC penetrar e controlar os sindicatos da «classe média». Cunhal voltava com isto a exibir a sua incompreensão do país moderno. Nem os sindicatos tinham a importância e o peso que ele supunha, nem a classe média tencionava engolir o PC em paz. Pelo contrário, a oposição do PS à «unicidade sindical», inaugurada com um discurso de Salgado Zenha, contribuiu decisivamente para tornar a classe média militante e a fazer aceitar a direcção política de Mário Soares. Foi nessa altura que se inventou o slogan «PC escuta, o PS está em luta» e que o anti-comunismo desceu à «rua». A partir de Julho, a «rua», que antes pertencia à Esquerda e à Extrema-Esquerda, passou para o PS e para inumerável multidão que o seguia.

Este era um fenómeno novo para que a cultura «intelectual» vigente não preparara os «revolucionários». Segundo os manuais, os «moderados», uma excrescência da «burguesia», de resto numérica e politicamente sem significado, ficavam sempre entre a obediência e o exílio. Os mitos em que a Esquerda se educara eram taxativos. Em Paris, a «moderação» não marchara em defesa do rei, nem contra Robespierre. Em Moscovo e Petrogrado, emigrara para a Alemanha ou fora vender móveis na rua. Mas, surpreendentemente, em Lisboa e no Porto, andava em manifestações (cada vez maiores), berrando contra a «revolução». Como explicar esta inconcebível extravagância e, sobretudo, como a explicar aos militares, a quem fora garantida a infalibilidade do «marxismo» e de Lenine? Entre Junho e Julho, embora ninguém tivesse ainda consciência disso, a fantasia de «Abril» já se estava a dissolver. O PC, o MFA e a Extrema-Esquerda tinham perdido sem remédio a iniciativa. Soares estava senhor da situação. Só faltava o delírio final da «revolução».

Esse delírio, que, incidentalmente, custou a sofrer, veio mostrar o abismo da miséria e da ignorância portuguesa. Os desvarios do MFA (que se torcia e retorcia para tornar meter o génio na garrafa) atingiram os limites do indescritível. As facções, que ora se juntavam, ora se afastavam, iam publicando «planos» para a salvação da Pátria. Um deles declarava o MFA o «Movimento de Libertação do Povo Português»: entidade «suprapartidária», que se destinava a conduzir «o processo de descolonização interna» e a «construir uma sociedade socialista». Os meios desta obra variavam entre o «pluralismo», a «democracia directa» e, ajuizadamente, a censura. Outro «plano», o «Documento-Guia Povo-MFA», ideia do PC e de Otelo, achava melhor um sistema de «sovietes», como se julgava que existira na Rússia (não existira), enfeitado com uma Assembleia Popular Nacional (isto com a Constituinte em funções). À capa da legitimidade da G3, não houve cretinismo ou torpeza em que não se pensasse, para grande deleite da «inteligência» indígena. Felizmente, o exercício era na essência assobiar no escuro.

A 10 de Julho, A República reabriu com um coronel a director e uma redacção de Extrema-Esquerda e o PS saiu do governo. A 16, saiu o PPD. A 18, no Porto, e a 19, em Lisboa (na «Fonte Luminosa»), dois comícios do PS com centenas de milhares de pessoas ( seguramente, em conjunto, mais do que um milhão) pediram que o primeiro-ministro, e agora general, Gonçalves fosse demitido. Pior ainda para o PC e o MFA: a 17 de Julho (na Lourinhã e no Cadaval) começou uma ofensiva contra as «casas de trabalho» (as sedes) do Partido Comunista, que, semana a semana, alastrou para norte, com apedrejamentos, com incêndios, com a agressão de militantes. Por detrás deste movimento, em grande parte espontâneo, estava a Igreja, com o seu prestígio, a sua experiência e, principalmente, com um padre em cada paróquia. De repente, o mundo «revolucionário», o mundo triunfante da «verdadeira» Esquerda, tremia em Lisboa; e ficava reduzido às suas dimensões reais: o reino comunista do sul (excepto o Algarve) com a capital em Almada.

Perante o país sublevado, o MFA, esse dilecto «movimento de libertação», percebeu (com dificuldade) o que o PC e o radicalismo militar esperavam dele: muito simplesmente que ele se tornasse um «movimento» de ocupação e repressão como o fora na Guiné, em Moçambique ou em Angola. Desta vez, por azar, em Portugal. Mesmo os «capitães de Abril» eram capazes de entender que, se aceitassem esse extraordinário papel, correm à sua perdição. E o medo do que se preparava anulou instantaneamente o medo de retribuição pela fuga de África pelo caos de «Abril». Até ao Verão de '75 o MFA fugira para a Esquerda, dali em diante fugiria com igual entusiasmo para a Direita. Só a lógica não mudou. Em 7 de Agosto, um manifesto, o «Documento dos Nove» (Melo Antunes, Lourenço e sete sócios), que apesar da sua retórica «revolucionária» e socialista (e da condenação já litúrgica da social-democracia) rejeitava um regime soviético, condenava as divagações de Otelo e se decidia pelo «pluralismo», foi assinado por 80 por cento da oficialidade do Exército (com certeza por mais na Força Aérea). Acabara a «festa». Numa reunião em Almada, o próprio Cunhal reconheceu a derrota. E depois de uns dias de negociação e trapalhada, a 5 de Setembro, em Tancos, uma Assembleia do Exército expulsou seis comunistas (incluindo Gonçalves) do Conselho da Revolução e os «moderados» (evidentemente, os «nove») tomaram o poder.

OTELO E A GUERRA CIVIL

Quando o PS e o PSD saíram, caiu o IV Governo Provisório, que foi substituído por um V, em que Gonçalves continuava como primeiro-ministro. O V Governo, um ajuntamento fortuito de gente sem estatuto ou qualificação, caiu com Tancos. E veio a seguir outro (o VI), em substância do PS, com um almirante excêntrico à cabeça. Das «forças revolucionárias», restava o COPCON, sob o comando de Otelo e de Extrema-Esquerda. E o PC que, sem se querer arriscar a um confronto aberto com o Exército «moderado», queria, pelo menos, contribuir para a expeditiva remoção do VI Governo e explorar o vácuo, que se havia de seguir. Mas, para compreender esta nova situação, é preciso compreender um ponto básico: o COPCON (Otelo) e o PC não tinham meios para ocupar duravelmente o Estado e, sobretudo, não tinham um modelo de acção. O modelo jacobino de Lenine, e Cunhal, falhara. Da «democracia directa» não decorria manifestamente uma teoria revolucionária e era tarde para a inventar. Uma certa reserva e uma certa oscilação do PC nos meses que precederam o «25 de Novembro», indicam que Álvaro Cunhal, sem uma estratégia clara, improvisava: meteu um comunista no Governo; ajudou a promover a agitação em Lisboa; colaborava com o PS. Não sabia para onde ir. Principalmente, porque não tinha para onde ir. E talvez também porque não ignorava que um regresso do PC ao poder implicava uma repressão de massa, em si própria perigosa e de resultados duvidosos. Em Otelo, um mitómano pouco inteligente, que muitas vezes roçava o patológico, é escusado procurar um pensamento racional. A sua própria ideologia, aliás (se meia dúzia de slogans merecem o nome) o encorajava a esperar a salvação da iluminada iniciativa do «povo» e do tumulto «criador» que ela eventualmente produzisse. De Setembro em diante, Otelo foi uma força anárquica: entregou armas ( 3000 G3), sem razão ou desculpa, aos civis do PRP; indisciplinou e politizou a parte do Exército que lhe estava entregue; não mexeu um dedo para eliminar uma associação secreta de soldados (os SUV) ou para evitar que um grupúsculo de Esquerda ocupasse a Rádio Renascença; assistiu sem intervir a um cerco ao Governo (em S. Bento) e ao assalto à Embaixada de Espanha; permitiu um segundo cerco, agora à Constituinte; protegeu manifestações do PC e da Extrema-Esquerda ; deixou, pelo silêncio, que se inventassem boatos de «golpes» da Direita e que o PRP apelasse à insurreição armada, na mais total impunidade. Mas tudo isto não levava a nada, mesmo com a fraca resistência do Governo. Em Novembro o poder de Otelo não era maior do que em Setembro. Se alguma coisa, era menor. O seu único aliado, o PC, nunca o aceitaria como parceiro permanente e tencionava dispor dele na primeira ocasião. Horrorizado, o país, aqui e ali armado e activo, estava à beira de um levantamento. Otelo ia caminho de um paroxismo de violência e desordem de consequências quase incalculáveis.

Não é de qualquer maneira provável que, ganhando, tivesse levado Portugal a guerra civil: com o Norte contra o Sul e a Esquerda contra a Direita. Não havia dos dois lados nem tropas, nem dinheiro, para conduzir uma guerra por mais de uns dias, excepto com intervenção estrangeira; e é literalmente inconcebível que a América, a Europa e a URSS, em 1975, se envolvessem num conflito caro e perigoso, por vagos motivos de estratégia (Kissinger, por exemplo, achava que não havia nenhum) ou simples motivos de prestígio. Uma vitória militar de Otelo talvez desse oportunidade a uma matança, a uma larga matança, e a operações de polícia de tropas da NATO para «varrer» as ruas e restabelecer a autoridade do Estado: não parece que nessa eventualidade Brejnev viesse em socorro de Cunhal. Quanto a Otelo e aos seus camaradas «revolucionários», não existia no mundo quem os defendesse.

Foi este isolamento e este desespero político de Otelo e do PC que determinaram o modo e a conclusão do «25 de Novembro». A campanha contra o VI Governo precisava de um desfecho qualquer: muito simplesmente, não era possível viver assim. Ou caía o governo, ou Otelo se insurreccionava. Otelo hesitou, tanto mais que PC não se queria arriscar directa e ostensivamente na aventura. Esta hesitação convidava os militares «moderados» a enfraquecer ou disciplinar as unidades em que não confiavam. Uma delas, os pára-quedistas de Tancos, presumivelmente por causa do clima geral de ansiedade e suspeita, decidiu por sua conta inaugurar a insurreição. Prevenido tarde, o COPCON ainda conseguiu tomar algumas medidas de apoio. Mas, no momento crucial, Otelo resolveu abandonar o posto de comando e ir pacatamente para casa. Mais tarde, tentou explicar este acto em muito pormenor, sem convencer ninguém. Não podia evidentemente dizer, nem a si próprio, que uma política absurda e a frivolidade da insurreição o tinham paralisado. Também Álvaro Cunhal e o PC se conservaram em sossego, para não pagar o preço da derrota de Otelo, que uma parte da Direita (não tão insignificante como isso) lhes tencionava exigir.

O tardio realismo dos chefes, no entanto, não ajudou os peões. Decapitado o COPCON e com os comunistas passivos, Ramalho Eanes enterrou rapidamente a «revolução». Ou enterrou o seu cadáver visível, porque a Esquerda a transformou num mito, que persiste em viver.

UMA REVOLUÇÃO?

O «25 de Abril» foi uma revolução? Não foi. O pronunciamento militar liquidou o antigo regime e dali em diante tudo o resto sucedeu com a protecção e com frequência o incitamento do MFA ou parte dele. Os «revolucionários» (do PS ou de qualquer grupúsculo) agiram sempre em liberdade e completa segurança, pessoal e colectiva. Em '74 e '75 nunca tiveram de enfrentar uma oposição séria e, quando encontraram a mais leve resistência (um fenómeno raro) o Exército resolveu o problema. A sua acção não passou em geral de um exercício de pura prepotência. Nenhum morreu, nenhum esteve na cadeia (durante o PREC, claro), nenhum perdeu o seu emprego. Não por acaso os mais fanáticos continuam a falar da «festa de Abril». Só que não há revoluções sob o alto patrocínio do poder político.

Mas, tirando isto, e não é tirar pouco, transformou a «revolução», como alguns pretendem, a sociedade portuguesa? Não transformou. Não se muda uma sociedade com ocupações seja do que for ou «saneamentos» seja de quem for. Um dos grandes mitos da Esquerda radical a ocupação (de terra ou de uma empresa) é um exercício absurdo que se derrota a si próprio (eliminando o patrão, o capital e o crédito leva fatalmente à falência e ao desemprego). Quanto aos «saneamentos», para durarem, exigem a instauração e consolidação de um novo regime e que esse regime exclua sistematicamente a elite da véspera (uma coisa impossível que nem Estaline tentou). Não admira que em cinco anos restasse vestígio de qualquer ocupação e que os «saneados» voltassem tranquilamente aos seus lugares, quando não ao governo. A agitação «revolucionária» produziu ruído e conseguiu incomodar muito gente. De importante e de permanente não trouxe nada.

Falta falar da «reforma agrária» e das nacionalizações. Se não existem, como não existiam movimentos de massa que as reclamem e defendam, cedo ou tarde, quem a título de «reforma agrária» se apropria de terra alheia, devolve a terra; e as nacionalizações são invertidas por privatizações (tanto mais que, no caso da indústria e da banca, o pessoal dirigente trabalhou para o «socialismo» como trabalhara e depressa tornaria a trabalhar para o capitalismo). Até o PC que observou que a «reforma agrária» e as nacionalizações não eram por si a revolução. De facto. Foram, isso sim, a ruína da economia portuguesa e presumo que irritaram muito, sem consequência de maior, algumas famílias. Como resultado, não se recomenda.

Ainda se diz que Portugal deve agradecer a sua presente «liberdade» aos «capitães de Abril». Não se vê por que razão. A liberdade nunca ocupou o primeiro lugar no seu «pensamento» ou na sua política. E, se hoje há um regime democrático, o responsável é Mário Soares, que precisamente o impôs contra a vontade dos militares. A verdadeira revolução foi a dele.

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CUIDADO COM AS COMPANHIAS!

Li aqui que uma delegação do PND (para quem não saiba: Partido da Nova Democracia - a publicidade é de borla...) se apresta a participar no próximo Congresso do ELDR, o partido político europeu que, no Parlamento Europeu, agrupa os deputados ditos «liberais» e afins. Até aqui tudo muito bem e muito lógico, à sombra do liberalismo recém-descoberto, não se desse a pequena circunstância (que convém sempre recordar para quem o tenha esquecido ou lembrar para quem não saiba) de o ELDR ser o agrupamento político idealizado por um senhor chamado Valéry Giscard d'Estaing (esse mesmo, ex-Presidente da República de França e Presidente da Convenção Europeia e, nessa qualidade, «pai» da dita Constituição Europeia) e onde pontifica, actualmente, entre outros, um senhor chamado Pat Cox, irlandês, actual Presidente do Parlamento Europeu e, nessa qualidade, também um dos mais fervorosos defensores da tal auto-denominada Constituição Europeia. Ora, de quem tão acerrimamente, em Portugal, proclama a pureza dos princípios e a verdade e transparência na vida política, se bate contra a revisão da nossa Constituição e diaboliza a tal Constituição Europeia, esperar-se-ia tudo menos que alinhasse ao lado de tais expoentes do pensamento constitucional europeu. As vozes mais ingénuas irão dizer que o ELDR aceitará a pluralidade de opiniões no seu seio, a propósito do texto constitucional europeu. Ou, então, que se trata apenas de uma presença num Congresso com a qualidade ou o estatuto de simples observador e sem qualquer outro compromisso político. É a ocasião de relembrar, a quem tal diga, o velho adágio popular, muito português e muito verdadeiro: diz-me com quem andas.... As vozes menos ingénuas irão recordar que o PND é dirigido por quem conseguiu o feito notável e raro (senão mesmo único na Europa!) de fazer com que o seu anterior Partido tenha sido expulso do partido europeu em que estava integrado - o PPE - podendo assim, se necessário for, vir a aderir agora ao ELDR para dele poder vir a ser expulso no futuro. Agora, que no mínimo é engraçado ver lado-a-lado o PND e o ELDR, lá isso é!

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abril 23, 2004

APITO DOURADO (VIII)

A montanha vai parir mais um rato?

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DEMOCRACIA LIBERAL NUMA PERSPECTIVA DE DIREITA

Uma visão De Direita sobre a Democracia Liberal e as suas (in)coerências - que vai no sentido do já aqui postado diversas vezes e em diversos momentos. A ler!

Publicado por JPDIAS em 12:11 AM | Comentários (0) | TrackBack

abril 22, 2004

INSISTÊNCIA E PERSISTÊNCIA

São hoje os mesmos que eram ontem.

Protestaram contra o Acto Único Europeu. Protestaram contra o Tratado da União Europeia. Protestaram contra o Tratado de Amesterdão. Protestaram contra o Tratado de Nice. Protestaram contra os Acordos de Schengen. Protestaram contra a abolição de fronteiras e a livre circulação de pessoas. Protestaram contra a moeda única. Só não protestaram contra os Tratados de Paris e de Roma por nessa altura não serem nascidos.

Mas os Tratados de Paris e Roma estão em vigor. O Acto Único Europeu também. O Tratado de Amesterdão também. E Schengen. E as quatro liberdades. E a moeda única.

Hoje reclamam contra a revisão da Constituição. E clamam que Portugal foi vendido como se Portugal estivesse à venda. Não está! No cúmulo do desespero agarram-se a tudo - nem que seja clamando ao Presidente da República para vetar a referida revisão constitucional. Nâo vai vetar, obviamente. Também essa batalha vão perder.

Definitivamente ultrapassados pelos acontecimentos e pela realidade resta-lhes agarrarem-se aos fantasmas que eles mesmos criam: o anátema do federalismo como se de federalismo se estivesse a falar! Para assim sobreviverem e terem com que se entreter. De caminho, alguns, ofenderão, confundirão, cometerão imprecisões. Nada disto é novo. Tudo já se viu.

Publicado por JPDIAS em 10:59 PM | Comentários (2) | TrackBack

abril 21, 2004

APITO DOURADO (VII)

Do Controversa Maresia, com a devida vénia:

«Quando o ilustre mandatário do sr. major afirma que nem ele nem o seu cliente sabem do que este é acusado ou quais os crimes pelos quais está indiciado e que terão motivado a detenção, mente.
Porque o sr. major, no momento em que foi formalmente detido pela P.J., terá seguramente lido (presumo que saiba ler) um papelinho que lhe foi entregue e que assinou (tendo guardado para si uma das cópias).
No documento em questão, chamado mandado de detenção, consta seguramente a ordem de um magistrado do ministério público (ou de um juiz - o que não me parece o caso) para que as autoridades policiais procedam, num determinado espaço de tempo, à detenção do sr. major, porquanto existirão indícios suficientes de que este terá praticado os crimes tais e tais.
É sempre assim que se faz, não só porque a lei a tanto obriga, mas porque todo o cuidado posto numa detenção de alguém que se presume inocente, é sempre pouco.
Para que não restem dúvidas, transcrevo aqui a parte do art.º 258º do Código de Processo Penal que interessa ao caso:
"1 - Os mandados de detenção são passados em triplicado e contêm, sob pena de nulidade:
a) A assinatura da autoridade judiciária ou de polícia criminal competentes;
b) A identificação da pessoa a deter; e
c) A indicação do facto que motivou a detenção e das circunstâncias que legalmente a fundamentam.
(...)
3 - Ao detido é exibido o mandado de detenção e entregue uma das cópias. (...)"

Devem pensar que somos todos parvos».

Pois é - devem pensar que somos todos parvos!

Publicado por JPDIAS em 11:55 PM | Comentários (1) | TrackBack

GONDOMAR = FELGUEIRAS?

Vejo uma manifestação «expontânea» de gondomarenses à porta do Tribunal local onde está a ser ouvido Valentim Loureiro. Lembrei-me de Felgueiras. Da terra e de uma tal Fátima.... Porque será? Em ambos os casos, promiscuidade entre política e futebol, em ambos os casos a pressão popular a tentar influenciar e manipular a justiça, em ambos os casos sintoma de subdesenvolvimento e atraso puro.

Publicado por JPDIAS em 01:14 PM | Comentários (2) | TrackBack

abril 20, 2004

APITO DOURADO (VI)


Publicado por JPDIAS em 11:04 PM | Comentários (6) | TrackBack

APITO DOURADO (V)

NOTÍCIA DO DIÁRIO DIGITAL: «A Polícia Judiciária iniciou esta terça-feira buscas em casa do presidente da Câmara Municipal do Marco de Canavezes, Avelino Ferreira Torres, e na edilidade. O autarca, segundo avança a edição online do Expresso, está ausente em parte incerta. As investigações, de acordo com a mesma fonte, terão a ver com a operação «Apito Dourado» que levou à detenção de, entre outros, Valentim Loureiro. Segundo fonte da edilidade adiantou ao Expresso online, os três inspectores permaneceram nas instalações do município até depois do almoço. O vereador Norberto Soares, a chefe da secretaria e outros quadros superiores da autarquia foram impedidos de abandonar o edifício até à saída dos agentes. Os agentes da PJ retiraram da Câmara, para posterior análise, uma grande quantidade de documentos relativos a subsídios atribuídos pelo executivo presidido por Ferreira Torres ao Futebol Clube do Marco. A edição online do semanário refere que a documentação recolhida abrange ainda as relações com as empresas de construção civil «Vieira & Esposa» e «Ferraz & Teixeira», cujos responsáveis, além de terem sido directores do FC do Marco, mantêm fortes conexões com a câmara marcoense. Avelino Ferreira Torres poderá ser um dos alvos da «operação apito dourado» dadas as suas ligações à arbitragem nacional. Além de ter sido longos anos o principal responsável pelo FC do Marco, nos finais da década de 80 e início de 90 presidiu ao Conselho de Arbitragem da Associação de Futebol do Porto, chefiada por Adriano Pinto. Ferreira Torres está a ser julgado por ter disponibilizado pessoal e materiais da autarquia para umas obras na residência de Adriano Pinto em Vila do Conde. O julgamento prossegue na quarta-feira, a partir das 9h30 horas, e face ao sucedido, avoluma-se a expectativa quanto à comparência, ou não, do réu Ferreira Torres na sala de audiências».

Publicado por JPDIAS em 09:19 PM | Comentários (0) | TrackBack

APITO DOURADO (IV)

O inteligente: «Todos somos suspeitos até prova em contrário» - Azevedo Duarte, ex-árbitro de futebol e membro do Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol, à porta da Polícia Judiciária, hoje.

Publicado por JPDIAS em 08:56 PM | Comentários (2) | TrackBack

APITO DOURADO (III)

Como sempre - quem se lixa é o mexilhão. É preciso introduzir alguma racionalidade e algum bom-senso na interpretação dos factos que estão a ocorrer a propósito da detenção para interrogatório de alguns «cartolas» do nosso futebol. O que está em causa são, apenas, as competições não profissionais de futebol. II Divisão B e III Divisão. Na Superliga e na Liga de Honra alguém ousará tocar? Ou nestas divisões profissionais não há corrupção nem suspeições da dita? Ou, à boa maneira portuguesa, tudo ficará pelo nível dos «mexilhões»? Aguardemos...

Publicado por JPDIAS em 04:48 PM | Comentários (0) | TrackBack

APITO DOURADO (II)

Enquanto a Polícia Judiciária não revela publicamente o nome de todos os detidos, PP - POLÍTICA PURA está em condições de adiantar, de fonte fidedigna, que, no leque dos 16 detidos, se encontram:

1 - O Presidente da Liga Portuguesa de Futebol Profissional.

2 - O Presidente da Câmara Municipal de Gondomar.

3 - O Presidente da Junta Metropolitana do Porto.

4 - O Presidente do Conselho de Administração do Metro do Porto.

5 - O Presidente honorário do Boavista FC.

6 - Um Major na reserva do exército português.

7 - O cônsul honorário da Guiné-Bissau no Porto.

8 - O cidadão e empresário Valentim Loureiro.

Assim, já só falta, mesmo, conhecer a identidade dos restantes 8 detidos. Considerando que a imprensa já divulgou os nomes de Pinto de Sousa, do Vice-Presidente da Câmara de Gondomar e de Azevedo Duarte..... a lista dos detidos está praticamente identificada!

Publicado por JPDIAS em 03:29 PM | Comentários (0) | TrackBack

E VIVA A VELHA

Uma crónica de fino recorte do meu amigo Manuel Pinto Machado, Presidente do IDL - Instituto Amaro da Costa, publicada também no Diário de Notícias de hoje, e que me permito transcrever com a devida vénia ao DN e um abraço ao Autor:

«Uma tia minha, que vive o ano inteiro em Oostende, no noroeste belga, olhando para o mar, numa tarde nostálgica, resolveu telefonar-me para me encarregar de investir parte das suas poupanças neste cantinho que a viu nascer.
Ainda me fez uma série de preocupantes perguntas sobre a nossa Constituição, que ao que ouviu dizer, pois era só o que faltava perder tempo a ler aquele calhamaço, só tinha direitos dos trabalhadores e nenhuns deveres e que ainda cheirava a PREC, mas eu acalmei-a.
Também me inquiriu sobre os sindicatos, que eram dirigidos pelos mesmos sujeitos faz décadas e que continuavam com aquela linguagem que já ninguém tem pachorra de ouvir. Mas eu sosseguei-a.
Igualmente me matraqueou com as dificuldades que advêm do Código do Trabalho em Portugal e dos chamados direitos adquiridos da revolução dos cravos, mas eu disse-lhe que estava enganada.
E pronto, avancei, procurando uma coisa pequena mas que, conforme ela desejava, tivesse algum parâmetro social.
Uma meia dúzia de miniautocarros, especialmente preparados, para transporte de crianças ou deficientes, para irem de casa à escola (sei lá , nas aldeias ou mesmo aqui na cidade), ou, em tempo de férias, à praia, campo, zoológicos, castelos...
Penso que tinha garantido um subsídio vultoso num ministério que me recebesse, cobertura nos jornais e quem sabe, com uma cunha, pois não mete escândalos nem facadas, na televisão e, sem dúvida, da totalidade da classe política.
Tinha até uma breve esperança que a minha tia viesse a ser condecorada num próximo 10 de Junho.
Orçamentados os veículos escolhidos, a sua manutenção, postos de recolha, trânsitos e toda a restante parte operacional, restava o recrutamento de pessoal.
Eu estava contente, pois daria oportunidade de trabalho a uma série de gente, sobretudo jovens, porque teríamos um motorista e um auxiliar por cada unidade em viagens simples e dois em excursões mais prolongadas.
Anúncio em três jornais, comunicado ao Instituto de Emprego ...
Mas o que é isto?
O meu nome na SIC?
Uma reportagem chamando-me discriminador, alarve, xenófobo, fascista!!!
E mais um oficio do Ministério do Trabalho a dizer que era inconstitucional o que eu estava a fazer e tinha que anular os anúncios.
Nem pensar, pois Portugal não era o Uganda!!!
O meu crime era dizer no anúncio o que me parecia óbvio, isto é, que não aceitava pessoas com doenças contagiosas, com registos criminais de penas por actos violentos, incluindo violação, pedófilos ou pessoas que manifestamente não soubessem lidar com crianças.
Inconstitucionais.
O anúncio, eu e a minha tia.
Portugal é um país porreiro, não percebeu ainda, Tia Maria?»

Publicado por JPDIAS em 03:20 PM | Comentários (2) | TrackBack

APITO DOURADO

É a notícia do dia: 16 estão detidos para interrogatório pela Polícia Judiciária, neste momento. Entre eles o celebérrimo Major. É caso para dizer - já nem a tropa é respeitada! Mas eu prefiro perguntar: 16 - então e os outros? Então e «aquele» que «por engano» pagou umas feriazitas no Brasil a um árbitro? Também está detido, vai ser o próximo, ou nesse ninguém se atreve a tocar?

Publicado por JPDIAS em 02:55 PM | Comentários (1) | TrackBack

abril 17, 2004

TAMBÉM TU, BRUTUS?

O selecto e distinto FUMAÇAS, do meu amigo JCF, que me habituei a ver como uma referência da blogosfera nacional, sem nunca me ter citado, honrou-me com uma prosa mordaz a propósito de um post aqui colocado e no qual critiquei a participação de Manuel Monteiro no Congresso da Democracia, que está a ser organizado pela Associação 25 de Abril (de Vasco Gonçalves, Vasco Lourenço, Otelo Saraiva de Carvalho e outros exemplares de idêntico jaez e finíssimo recorte democrático).

Contemos a história de início: ao tomar conhecimento da referida participação achei-a tão despropositada e tão falha de senso, que me dispensei de a criticar directamente, optando antes por evidenciar dois aspectos laterais - a questão de a notícia não ter sido dada pelo Democracia Liberal e a questão de saber se Monteiro iria discursar de cravo vermelho na lapela. Pois bem, esta prosa foi, pelo meu amigo JCF, tida como evidenciando uma postura de extrema-direita - verdade essa que, como o azeite, acabou, em sua opinião, por vir ao de cima.

Bom - que qualquer um «Liló da vida», prosador da arruaça e mestre da fussanguice, qual arrumador de automóveis presumido em opinion maker de duvidosa cultura (com expresso pedido de desculpas aos arrumadores de automóveis por os estar a comparar a tais personalidades tão sinistras), venha sustentar isso, percebe-se: está ao nível dos Lilós. Agora o JCF? Valha-nos Deus!

Expliquemos as coisas - sustentar que se é de extrema-direita pelo facto de se criticar a participação de Manuel Monteiro no Congresso da Democracia (da democracia, veja-se o alcance da designação!) organizado pela Associação 25 de Abril (de Vasco Gonçalves, Vasco Lourenço, Otelo Saraiva de Carvalho e outros exemplares de idêntico jaez e finíssimo recorte democrático) leva, por simples aplicação do mesmo raciocínio, a que tenhamos de considerar de extrema-esquerda quem defende essa participação! Ora, ao JCF eu não farei a injustiça de o considerar de extrema-esquerda. Apesar de defender que Monteiro enfileire ao lado da Associação 25 de Abril (de Vasco Gonçalves, Vasco Lourenço, Otelo Saraiva de Carvalho e outros exemplares de idêntico jaez e finíssimo recorte democrático). Já quanto aos «Lilós da vida», coitados, esses não os considero em lado nenhum pelo simples facto de que nunca se sabe onde estão. Estão onde o chefe estiver; pensam o que o chefe quiser que eles pensem; fazem o que o chefe quiser que eles façam; em suma, estão em todo o lado o que significa que nunca estão em lado nenhum. Pura e simplesmente - não existem! Por muito que gritem, esperneiem, escrevam ou - até - pretendam ofender.

Noutro ponto a argumentação de JCF improcede em absoluto: invoca a falta de coragem deste modesto escriba para criticar abertamente a referida iniciativa, atendo-me apenas ao acessório do problema. Pois bem, também aqui uma precisão deve ser feita: há actos e factos que se criticam a si mesmo, tal o ridiculo que envolvem, dispensando quaisquer críticas directas e suplementares que apenas iriam fazer aumentar esse mesmo ridículo. Não são necessárias. Criticam-se a si mesmo. Por isso preferi realçar os aspectos acessórios. Porque os principais nem merecem que sobre eles percamos tempo. Não se trata, pois, de qualquer falta de coragem. Numa apreciação benigna, não pretendi contribuir mais para o ridiculo da situação, detendo-me sobre a participação de Monteiro no Congresso organizado pela Associação 25 de Abril (de Vasco Gonçalves, Vasco Lourenço, Otelo Saraiva de Carvalho e outros exemplares de idêntico jaez e finíssimo recorte democrático).

O JCF termina a sua prosa dizendo que muitos ainda haverão de ir a correr para participarem no tal Congresso. Não sei se não serão mais os que quererão, também a correr, sair dele e da foto em que estão a figurar, quando se aperceberem do ridiculo em que estão a cair!

Em síntese, desta vez a verdade não veio, nem pode ter vindo, ao de cima pelo simples facto de que .... não é verdade! O JCF sabe - e até já o escreveu aqui, no seu ilustre blog, onde me tratou por democrata-cristão assumidissimo (sic) - que este modesto escriba não é de extrema-direita, nunca foi de extrema-direita, nem pretende ser de extrema-direita! É um democrata-cristão, conservador e europeísta, que já escreveu e investigou sobre a democracia-cristã, que ajudou - dentro das suas possibilidades - a que o partido em que milita se tivesse transformado em Partido Popular porque essa foi, desde sempre, a denominação histórica que a democracia-cristã assumiu, logo nos seus primórdios. Agora, que fique bem claro - o mesmo escriba modesto também não descobriu agora o liberalismo ou o pensamento liberal, depois de muitos anos a militar num partido que de liberal nada tinha, para nele (no liberalismo e nesse pensamento) ir a correr assentar arraiais, só porque era o único espaço político que em Portugal estava, semanticamente, livre e desocupado. Já o conhecia antes e nunca o perfilhei. Outros só agora o descobriram e se renderam aos seus encantos, respirando liberalismo por todos os poros!

Publicado por JPDIAS em 07:28 PM | Comentários (2) | TrackBack

abril 16, 2004

DESACORDOS

Seria muito mau sinal que o Senhor Javier Solana, espanhol e Senhor PESC (em rigor: Alto Representante da União Europeia para a Política Externa e de Segurança Comum), estivesse de acordo com Durão Barroso sobre as afirmações de discordância que o Primeiro-Ministro fez relativamente às posições do novo governo espanhol que pretende retirar as suas tropas do Iraque. PP - POLÍTICA PURA ousa deixar daqui um conselho ao Senhor Javier Solana - e que tal preocupar-se mais em edificar a tal política externa e de segurança comum que lhe compete ajudar a construir e comportar-se menos como um socialista espanhol? Talvez ficassemos todos a ganhar um bocadinho mais.

Publicado por JPDIAS em 04:36 PM | Comentários (1) | TrackBack

abril 15, 2004

AS TRÉGUAS

Parece ter sido um dia de tréguas..... começou com a proposta de bin Laden oferecendo três meses de tréguas à Europa. Terminou com um almoço de Durão Barroso com Saramago, pondo fim a 12 anos de incompatibilidade do escritor de Lanzarote com o poder político português. Fez mal Durão Barroso em ter assinado tais tréguas. A experiência mostra que em democracia a coragem compensa e que quando se assinam tréguas destas, normalmente somos «nós» que cedemos e «eles» que se vangloriam da vitória. Ora, a política pura faz-se com clareza e separação de águas. Nós cá; eles lá. Nós defendendo umas coisas; eles defendendo outras. Nós aceitando a tradição greco-judaico-cristã e as nossas raízes ancestrais; eles brincando com os nossos valores. Nòs respeitando; eles desrespeitando; Em suma - em questões fundamentais não pode haver tréguas mas clareza. Tréguas significam, por regra, pântano. O tal que convém evitar. E que já fez caír um Primeiro-Ministro.

Publicado por JPDIAS em 10:18 PM | Comentários (3) | TrackBack

abril 14, 2004

MARKETING POLÍTICO É....

.... a imaginação dos mentores da campanha eleitoral da coligação PSD-CDS/PP para as próximas eleições europeias, ao escolher o slogan «FORÇA PORTUGAL» para lema de campanha. Senão vejamos: na véspera das eleições, a 12 de Junho, o país futebolístico estará a gritar, a plenos pulmões «FORÇA PORTUGAL» - lema da selecção nacional de futebol no Euro 2004 - no jogo de abertura do Campeonato da Europa contra a Grécia.
Percebo que Ferro Rodrigues demonstre irritação e «comixão». A estratégia foi bem bolada! Creio, todavia, que o líder do PS deveria canalizar as suas irritações para dentro de casa, para quem não teve a arte e o engenho para se lembrar de fazer igual. Ou alguém duvida que, se se tivesse lembrado, o PS não faria rigorosissimamente a mesma coisa?

Publicado por JPDIAS em 08:24 PM | Comentários (5) | TrackBack

abril 12, 2004

ISALTINO MORAIS

No Fumaças, JCF analisa com clara lucidez a entrevista patética de Isaltino Morais ao Independente da última semana - exemplo típico do princípio de Peter, ou de «como um bom autarca não tem necessariamente de dar um bom Ministro». Vale a pena ler. A entrevista e a análise.

Publicado por JPDIAS em 06:54 PM | Comentários (0) | TrackBack

abril 07, 2004

A POLÉMICA

Vale a pena ir Ao sexo dos anjos e ao Último reduto, lugares de paragem obrigatória na peregrinação diária pela blogosfera, ler o O pé e a chinela e o Vai pô, me escreve - qualquer deles comentando, ainda, a polémica MM (Marcelo/Monteiro) e a carta que este último escreveu ao Professor de Direito e comentador desafiando-o a explicar-se sobre as comparações entre o PND e a FN de Le Pen

Publicado por JPDIAS em 12:34 PM | Comentários (0) | TrackBack