
John Kerry acaba de anunciar a sua escolha para Vice-Presidente: o senador John Edwards. A escolha é unanimemente considerada como acertada, no sentido de permitir a constituição de uma lista forte e credível. No credível Arte de Opinar! (de onde se pirateou a foto deste post) está disponível uma boa síntese curricular do candidato a Vice de Kerry.
Até ao momento, nunca por aqui se havia reflectido sobre as presidenciais norte-americanas - muito por se esperar para querer ver quem escolhia Kerry para o acompanhar na lista eleitoral: uma personalidade forte e carismática, eventualmente saída da ala direita democrática, ou uma personalidade fraca mas mediática, cedendo ao populismo fácil da ala esquerda do Partido Democrata. Pois bem - JK escolheu e optou pelo primeiro caminho! Está de parabéns.
Assim, ao ticket «Bush-Cheney» opor-se-á o ticket «Kerry-Edwards».
Tendencialmente, diria naturalmente, deixando falar apenas a emoção e o coração, a nossa preferência deveria centrar-se na dupla «Bush-Cheney». Representa a «direita», a «ordem», a «autoridade», essas coisas todas. Mas representa, também, pasme-se (!), o despesismo que conduziu ao maior défice orçamental norte-americano que «rebentou» com os excedentes orçamentais gerados por Clinton; representa igualmente a visão imperialista norte-americana, afastada das instituições internacionais e da cultura do multilateralismo, privilegiando o unilateralismo que nunca deu bons resultados; representa, ainda, o apoio a figuras tenebrosas de que Rumsfeld ou Perle não são mais do que as figuras de proa por detrás das quais se esconde uma não menos tenebrosa rede de «neo-cons» que pretendem redimir-se - dizem eles que à direita - dos excessos que cometeram no seu passado esquerdista e pacifista; representa, ainda, a mentira «pura e dura» a propósito da guerra do Iraque e da sua fundamentação em torno das armas de destruição em massa, quando não faltariam outros pretextos mais razoáveis que justificassem a acção militar empreendida. Enfim, a dupla «Bush-Cheney» também representa tudo isto. E muito mais.
Ora, se o coração «mandaria» aplaudir este ticket, a razão não está para aí virada. A razão diz que para mal já basta assim; a razão diz que o mundo precisa de uma América economicamente forte e que a actual administração debilitou a economia dos EUA; a razão diz que o mundo precisa de uns EUA fortes mas cooperantes e colaborantes, sem tentações imperiais e hegemónicas, exactamente o contrário do que foi feito e protagonizado pela actual administração (para mais, num cenário futuro onde já se anunciou que Powell, garante mínimo da diplomacia no Departamento de Estado, será substituído nas suas funções actuais).
Por tudo isto, não parece que nem os EUA nem o Mundo precisem de um segundo mandato de George W. Bush. Nem dele nem - sobretudo - de quem o acompanha.