julho 27, 2004

ESTRANHO TEMPO

A merecer reflexão mais um post no Reflexão Política - sobre o recente tempo que passa.

Publicado por JPDIAS em 07:37 PM | Comentários (1) | TrackBack

julho 25, 2004

LANCE ARMSTRONG


Como já havíamos previsto e desejado aqui, Lance Armstrong escreveu hoje mais ums página histórica no desporto mundial. Seis vitórias consecutivas no Tour é proeza apenas ao alcance de atletas de excelência e de excepção. E, como tal, feito até hoje nunca conseguido nem logrado por qualquer outro atleta. O que só vem reforçar a importância do feito que hoje pudémos presenciar.

Publicado por JPDIAS em 08:20 PM | Comentários (2) | TrackBack

julho 24, 2004

A DESLOCALIZAÇÃO DO GOVERNO

RB analisa aqui, de forma pertinente, o processo anunciado de «deslocalização» de algumas Secretarias de Estado. Merece ser lido e reflectido com cuidado. A ideia é boa e seria bom que provasse, funcionasse e fosse desenvolvida. Mas os perigos também são muitos...

Publicado por JPDIAS em 12:26 AM | Comentários (0) | TrackBack

julho 23, 2004

DÊEM-LHES UMA MEDALHITA...

.... que eles também querem ser comendadores!!!!!!!

Publicado por JPDIAS em 06:38 PM | Comentários (2) | TrackBack

O GRAU ZERO DA BAIXA POLÍTICA

Foi protagonizado - sabe-se agora - por José Maria Aznar que manipulou lobbies e grupos de pressão, dispendendo dois milhões de dólares do erário público, para que lhe fosse atribuída a Medalha de Ouro do Congresso Norte-Americano. Confrotado com o facto e com a notícia, o ex-Presidente do governo espanhol retorquiu dizendo que a mesma lhe causava «desprezo». Talvez o mesmo desprezo que as opiniões públicas, cada vez mais, vão sentindo pelos políticos que nos governam.

A nós, neste jardim à beira-mar plantado, resta-nos a consolação de sabermos que não é só em Portugal que as comendas e prebendas se desvalorizam e se prostituem.

Publicado por JPDIAS em 05:13 PM | Comentários (3) | TrackBack

O POETA ALEGRE

Afinal havia outro..... Manuel Alegre candidata-se à liderança do PS, em nome e representação da respectiva ala esquerda. Ninguém, por certo, considera a hipótese, seriamente, de Manuel Alegre ser candidato a primeiro-ministro pelo PS. O próprio, de resto, também tem disso tanta consciência que já se apressou a dizer que é apenas candidato a Secretário-Geral do Partido e que a escolha do candidato à liderança do governo ficará para mais tarde - dando claramente a entender que não será ele próprio. É, assim, o retorno em força do «velho» PS, republicano, socialista, laico e maçon. Do PS que faz falta - em nome da clareza e da transparência do debate político. Porque o PS de Sócrates - menos radicalizado à esquerda, mais aberto ao centro e mais cultor da terceira via - em pouco se distingue das práticas sociais-democratas que tipificaram o consulado de Guterres e que serviram de caldo de cultura para o pântano político que se lhe seguiu, com as manifestações que se lhe conhecem. Se, numa reacção imediata, podemos ser inclinados a pensar que o país ganhará muito mais com um PS socrático do que com um PS alegre, o debate político, esse sairá sempre muito mais empobrecido porque será todo ele mais igual, mais indiferente. É bom que, primeiro no PS, seja reactivado o debate político em torno de causas e valores. E que, num segundo momento, esse diálogo se possa prolongar no país e estender aos restantes partidos do arco constitucional.

Publicado por JPDIAS em 04:54 PM | Comentários (2) | TrackBack

julho 22, 2004

DURÃO BARROSO ELEITO PRESIDENTE DA COMISSÃO EUROPEIA

A maioria alcançada no Parlamento Europeu acabou por ser mais ampla do que se esperava. Com razoável facilidade Durão Barroso foi eleito Presidente da Comissão Europeia. Ninguém de boa-fé negará que se trata de um prestígio para o País. Fruto da época que vivemos (em que se confunde o ser com o ter) uns quantos vieram logo dizer que Portugal não iria ganhar nada com esta eleição. Decerto: não vai ganhar materialmente, não vai ganhar mais fundos comunitários, mais funcionários, mais apoios, mais prebendas. Mas a vida não é só feita de ter. Também é feita de ser. E por isso Portugal vai ganhar: mais prestígio, mais visibilidade, mais respeitabilidade e - espera-se - pode a União Europeia ser mais promovida e mais divulgada entre nós. Claro - nada disto tem que ver com o resto. E o resto é o estado em que o país ficou a partir do momento em que Durão Barroso optou por ser candidato a Presidente da Comissão. Isso são contas de outro rosário. No que às questões europeias diz respeito, prefiro ver a Comissão Europeia presidida por um português do que por um nacional de qualquer outro Estado. Mas à face da moral política vigente - a moral do políticamente correcto - deve ser incorrecto ser-se nacionalista. Deve ser incorrecto ser-se defensor dos valores nacionais. O que - para eles - está na moda é mesmo criticar e clamar que é indiferente a nacionalidade do Presidente da Comissão Europeia. Talvez por ele se chamar Barroso. Chamasse-se ele Vitorino, por exemplo, e o orgulho, a honra e o mérito seriam enormes. Coerências....

Publicado por JPDIAS em 06:21 PM | Comentários (0) | TrackBack

REFLEXÃO POLÍTICA

Um novo blog de reflexão política de que acabamos de tomar conhecimento e iremos continuar a seguir, por enunciar princípios coincidentes com os que são expressos neste blog.

Publicado por JPDIAS em 01:37 AM | Comentários (7) | TrackBack

julho 21, 2004

A SENHORA CANDIDATA

Será ela o candidato da ala esquerda de quem se fala no Partido Socialista para defrontar José Sócrates?


No Expresso on line diz-se que sim. Depois dos nomes de Manuel Alegre e de Augusto Santos Silva, será eventualmente Maria de Belém a protagonizar a ala esquerda socialista. Talvez haja, assim, oportunidade de finalmente se fazer o balanço do seu mandato à frente do Ministério da Saúde.

Publicado por JPDIAS em 07:21 PM | Comentários (2) | TrackBack

O GOVERNO (ÚLTIMA PARTE)

Elenco final do XVI Governo Constitucional, incluindo já os Secretários de Estado que tomarão posse:

Primeiro-Ministro: Pedro Santana Lopes. Ministro de Estado, das Actividades Económicas e do Trabalho: Álvaro Barreto. Secretário de Estado-Adjunto e do Trabalho, Luís Paes Antunes Secretário de Estado do Desenvolvimento Económico, Manuel Correa de Barros de Lencastre. Secretária de Estado da Indústria, Comércio e Serviços, Graça Proença de Carvalho. Ministro de Estado e da Defesa Nacional: Paulo Portas. Secretário de Estado para os Assuntos do Mar, Nuno Fernandes Thomaz. Ministro de Estado e da Presidência: Nuno Morais Sarmento. Secretário de Estado-Adjunto do Ministro da Presidência, Feliciano José Barreiras Duarte. Ministro das Finanças e da Administração Pública: António Bagão Félix. Secretário de Estado do Orçamento, Manuel Teixeira. Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Orlando Caliço. Secretário de Estado do Tesouro e das Finanças, Miguel Morais Leitão. Secretária de Estado da Administração Pública, Sofia Galvão. Ministro dos Negócios Estrangeiros e das Comunidades Portuguesas: Embaixador António Monteiro. Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, Henrique de Freitas. Secretário de Estado dos Assuntos Europeus, Mário David. Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Carlos Gonçalves. Ministro da Administração Interna: Daniel Sanches. Secretário de Estado-Adjunto do ministro da Administração Interna, Paulo Pereira Coelho. Secretário de Estado da Administração Interna, Nuno Magalhães. Ministro da Justiça: José de Aguiar Branco. Secretário de Estado-Adjunto do Ministro da Justiça, Paulo Castro Rangel. Secretário de Estado da Justiça, Miguel Macedo. Secretário de Estado da Administração Judiciária, António Rodrigues Ribeiro. Ministro da Saúde: Luís Filipe Pereira. Secretário de Estado-adjunto do Ministro da Saúde: Patinha Antão. Secretária de Estado da Saúde, Regina Bastos. Ministro da Segurança Social, da Família e da Criança: Fernando Negrão. Secretária de Estado-Adjunta do Ministro da Segurança Social, da Família e da Criança, Maria do Rosário Águas. Ministro da Agricultura, Pescas e Florestas: Carlos da Costa Neves. Secretário de Estado-Adjunto do Ministro da Agricultura, Pescas e Florestas, Carlos Oliveira. Secretário de Estado da Agricultura e Alimentação, David Sousa Geraldes. Secretário de Estado das Florestas, Luís Pires Pinheiro. Ministra da Educação: Maria do Carmo da Costa Seabra. Secretário de Estado-Adjunto e da Administração Educativa, José Manuel Canavarro. Secretário de Estado da Educação, Diogo Feio. Ministra da Ciência e Ensino Superior: Maria da Graça da Silva Carvalho. Secretário de Estado da Ciência e Inovação, Pedro Nunes. Ministro das Cidades, Administração Local, Habitação e Desenvolvimento Regional: José Luís Arnaut. Secretário de Estado da Administração Local, José Cesário. Secretário de Estado do Desenvolvimento Regional, José Eduardo Martins. Ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações: António Mexia. Secretário de Estado-Adjunto e das Obras Públicas, Jorge Costa. Secretário de Estado dos Transportes e Comunicações, Jorge Borrego. Ministro da Cultura: Maria João Bustorff Silva. Secretário de Estado dos Bens Culturais, José Amaral Lopes. Secretário de Estado das Artes e Espectáculos, Teresa Caeiro. Ministro do Ambiente e do Ordenamento do Território: Luís Nobre Guedes. Secretário de Estado-Adjunto do Ministro do Ambiente e do Ordenamento do Território, Jorge Moreira da Silva. Ministro do Turismo: Telmo Correia. Secretário de Estado-Adjunto do Ministro do Turismo, Carlos Martins. Ministro-Adjunto do Primeiro-Ministro: Henrique Chaves. Secretário de Estado da Juventude, Pedro Duarte. Secretário de Estado do Desporto, Hermínio Loureiro. Ministro dos Assuntos Parlamentares: Rui Gomes da Silva. Secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros: Domingos Jerónimo

Publicado por JPDIAS em 05:49 PM | Comentários (1) | TrackBack

julho 20, 2004

O ESTADO DO ENSINO SUPERIOR PRIVADO EM PORTUGAL

Esta notícia, a par de várias outras recentemente saídas, fez-me pensar que cada vez se torna mais urgente um debate sério sobre o estado do ensino superior privado em Portugal. Ninguém duvida que o ensino superior privado é um segmento indispensável do nosso sistema de ensino. É, ademais, um garante da liberdade constitucional de aprender e de ensinar. Mas também poucos duvidarão de que precisa muito de se credibilizar. Necessita de despir o anátema economicista que sobre si tem recaído. Necessita de escolher os melhores para o dirigirem e não apenas os que têm dinheiro para investir ou criar estabelecimentos de ensino superior. Curiosamente, esse debate continua por fazer na sociedade portuguesa. Poucas dúvidas haverá que o mesmo não convém a alguns. Mas seguramente será do interesse de muitos.

Publicado por JPDIAS em 05:38 PM | Comentários (1) | TrackBack

BAGÃO FELIX SUBSTITUI DIRECTOR-GERAL DOS IMPOSTOS

Anuncia-se aqui que o recentemente nomeado Director-Geral dos Impostos irá ser exonerado pelo novo Ministro das Finanças e Administração Pública, Bagão Felix, que nele não vê competência ou perfil para o cargo e acha excessivo o vencimento que aufere, para além de expressar dúvidas sobre o respectivo processo de recrutamento. É uma boa notícia, que repõe em su sitio uma situação que tinha todos os contornos de imoralidade. Espera-se, agora, que aqueles que tanto criticaram a escolha de Manuela Ferreira Leite tenham a humildade suficiente para aplaudirem a decisão do novo Ministro. Decisão que, sendo Bagão Felix um dos nomes que transitaram do anterior para o actual governo, está à vista que estava longe de ser consensual no anterior executivo.

Publicado por JPDIAS em 11:43 AM | Comentários (1) | TrackBack

julho 19, 2004

A FUNDAÇÃO DO CDS. IN MEMORIAM

FOI HÁ 30 ANOS....



Diogo Freitas do Amaral lendo a Declaração de Princípios do novo Partido na presença, entre outros, do malogrado Adelino Amaro da Costa

(Com a devida vénia ao Blog do Caldas donde se pirateou a foto apresentada)

Publicado por JPDIAS em 05:47 PM | Comentários (2) | TrackBack

julho 18, 2004

UMA DUPLA DE SUCESSO NO TOUR

O campeoníssimo Lance Armstrong, a caminho da sua sexta vitória consecutiva no Tour, tem beneficiado do apoio indispensável de José Azevedo. A vitória do primeiro na escalada pirenaica para o Plateau de Beille ficou a dever-se, em grande parte, ao trabalho do segundo.


Publicado por JPDIAS em 06:39 PM | Comentários (0) | TrackBack

julho 17, 2004

A SURPRESA DE PAULO PORTAS....

..... indisfarçável e bem visível na reportagem televisiva quando ouve a designação do seu cargo como Ministro de Estado, da Defesa Nacional e dos Assuntos do Mar. Assuntos do Mar????!!!!

Publicado por JPDIAS em 06:37 PM | Comentários (6) | TrackBack

RECUSEI SER MINISTRO

Agradeço a honra que o Buíça me concedeu aqui, nomeando-me para o seu governo, mas não posso aceitar a pasta que me atribuiu.

Publicado por JPDIAS em 05:59 PM | Comentários (5) | TrackBack

O GOVERNO (PENÚLTIMA PARTE)

Primeiro-Ministro: Pedro Santana Lopes
Ministro de Estado, das Actividades Económicas e do Trabalho: Álvaro Barreto
Ministro de Estado e da Defesa Nacional: Paulo Portas
Ministro de Estado e da Presidência: Nuno Morais Sarmento
Ministro das Finanças e da Administração Pública: António Bagão Félix
Ministro dos Negócios Estrangeiros e das Comunidades Portuguesas: Embaixador António Monteiro
Ministro da Administração Interna: Daniel Sanches
Ministro da Justiça: José de Aguiar Branco
Ministro da Saúde: Luís Filipe Pereira
Ministro da Segurança Social, da Família e da Criança: Fernando Negrão
Ministro da Agricultura, Pescas e Florestas: Carlos da Costa Neves
Ministra da Educação: Maria do Carmo da Costa Seabra
Ministra da Ciência e Ensino Superior: Maria da Graça da Silva Carvalho
Ministro das Cidades, Administração Local, Habitação e Desenvolvimento Regional: José Luís Arnaut
Ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações: António Mexia
Ministro da Cultura: Maria João Bustorff Silva
Ministro do Ambiente e do Ordenamento do Território: Luís Nobre Guedes
Ministro do Turismo: Telmo Correia
Ministro-Adjunto do Primeiro-Ministro: Henrique Chaves
Ministro dos Assuntos Parlamentares: Rui Gomes da Silva
Secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros: Domingos Jerónimo.

A última parte (lista completa de Secretários de Estado) - as soon as possible.

Publicado por JPDIAS em 05:35 PM | Comentários (0) | TrackBack

julho 16, 2004

MIGUEL SOUSA TAVARES VS PSL

Seria particularmente credível a crítica de MST a PSL ínsita no post anterior se entre ambos não existisse o «partis-pris» de que a Visão de ontem dava conta. São as razões pessoais que obnubilam o juízo crítico e retiram legitimidade e credibilidade a quem faz a crítica. E o comentador, em nome da isenção e da transparência, tinha o dever de assumir a divergência prévia. Só lhe ficava bem. E assim, já poderíamos dar o devido desconto à sua prosa.

Publicado por JPDIAS em 03:27 PM | Comentários (2) | TrackBack

E PORTUGAL SEGUE DENTRO DE MOMENTOS

Miguel Sousa Tavares, n'O Público de hoje e aqui, a merecer ser lido (bold da nossa responsabilidade)

Nestas coisas do amor à pátria tenho uma noção um bocado antiquada e simplista: acho que o amor à pátria consiste em estar disposto a servi-la em caso de necessidade sem perguntar primeiro "quanto?", em declarar tudo o que se ganha ao fisco, em votar nas eleições, nem que seja em branco, em defender, por palavras e actos concretos, o seu património histórico, natural e cultural. A onda de histeria patriótica que invadiu o país a propósito do Euro deixou-me meio perplexo, como no dia 26 de Abril de 1974, ao descobrir, igualmente nas ruas, que, afinal, todo o país era composto de resistentes à ditadura. O patriotismo das emoções e das multidões é certamente mais fácil do que o patriotismo dos deveres serenamente cumpridos. Até porque o primeiro dura o espaço de um acontecimento e o segundo a vida toda.

Cavalgando a onda de emoção patriótica, o Presidente Sampaio, lágrima ao canto do olho, condecorou como heróis nacionais e símbolo do tal "patriotismo moderno" que ele propõe os jogadores e técnicos da selecção nacional, que, jogando com todas as vantagens do seu lado, cometeram a proeza de ganhar três jogos à tangente, empatar um e perder dois. E muita gente que inesperadamente se deixou contaminar por essa onda do patriotismo das bandeirinhas acordou passados uns dias para o pesadelo real da moscambilha política cozinhada por Barroso e Santana e consentida por Sampaio. Portugal regressou assim, de um só golpe, à sua triste realidade.

O que há de comum entre Barroso, Santana e Sampaio é que todos três são emanações do mundo partidário, sem correspondência no mundo dos cidadãos. Salvaguardando o passado profissional e o percurso de resistente de Sampaio no antigo regime (que nunca é de esquecer), todos três atingiram o cume da carreira política por sobretudo terem sabido estar no lugar certo e na posição partidária certa, no momento adequado. E, enfim, todos três mostraram estar imediatamente disponíveis para abandonar as funções públicas para as quais haviam sido eleitos, quando no horizonte lhes surgiu a oportunidade de qualquer coisa de melhor ou mais grandioso. Talvez por isso, por essa origem comum no mundo partidário, nenhum dos três terá verdadeiramente percebido a genuína e instintiva revolta surda que os respectivos desempenhos nesta tragicomédia geraram entre tanta gente de bem.

Muitos dos votantes de Sampaio - e até muitos outros que, não tendo votado nele, estavam contudo indignados com o negócio privado que Barroso e Santana lhe propunham - quiseram iludir-se até ao fim, acreditando que o Presidente não caucionaria uma solução que, sendo embora possível e constitucional, era politicamente ilegítima e eticamente chocante. Quiseram acreditar que Sampaio não cederia a esquecer as razões dos que nele haviam votado, sob pena de esvaziar para o futuro qualquer sentido político da eleição presidencial por sufrágio universal. E que não premiaria a indecente deserção do primeiro-ministro, que, saindo de uma demolidora derrota eleitoral, havia jurado publicamente, semanas antes, que entendera a mensagem e iria redobrar esforços ao serviço de uma boa governação. Quiseram acreditar que Sampaio não se tinha comprometido previamente com Durão Barroso - como este deixou bem implícito -, que o primeiro-ministro poderia ir à sua vida sem problemas, que ele ali estaria para aceitar a solução dinástico-partidária que lhe apresentassem, mesmo que ela não tivesse qualquer sustentação, real ou presumida, na vontade dos governados.

Eu - confesso-o com toda a sinceridade - nunca esperei de Sampaio outra coisa que não aquilo que ele acabou por fazer. A sua decisão foi a única condizente com todo o seu passado político em democracia, de homem temente das rupturas, das clarificações, dos conflitos regeneradores. Foi assim o seu mandato na Câmara de Lisboa, tem sido assim o seu mandato em Belém. E se o primeiro acabou porque lhe surgiu a oportunidade da Presidência, o segundo acabou já também, de facto, com o seu suicídio político de sexta-feira passada. O "droit de regard" que diz manter sobre a governação de Santana Lopes não passa de uma tentativa de se iludir a si próprio e mais ninguém. Tudo o que daqui para diante ousar contra esse Governo terá sempre a imagem cruel de uma tardia emenda e de uma inútil tentativa de sossegar retroactivamente a sua consciência. Nunca um Presidente se havia colocado assim nas mãos de uma maioria e de um governo. Sampaio entregou literalmente o jogo; deixou-se destrunfar e destrunfou-nos a nós todos. Com uma agravante: é que o cidadão Jorge Sampaio, que eu sempre respeitei e respeito, independentemente de discordâncias políticas, sabe que caucionou perante o país uma solução que representa o triunfo do oportunismo, do caciquismo partidário e da mediocracia. Ele acaba de entregar a gestão do país e do Estado a quem nunca deu provas de respeitar a gestão da coisa pública, a quem nunca mostrou noção de serviço público e, pelo contrário (basta ter lido os artigos semanais de Santana Lopes no "Diário de Notícias" para o perceber), sempre entendeu o desempenho de cargos públicos como sucessivos trampolins para a sua carreira pessoal.

Ou seja, o mesmo Presidente que, quinze dias atrás, apelava ao patriotismo das bandeirinhas, convoca-nos agora para continuarmos de bandeiras ao alto, a acreditar que a pátria pode ser servida por quem obteve o seu mando pelas piores razões e por quem esgota os seus méritos políticos conhecidos na longa e insidiosa sedução dos "lobbies" e das estruturas partidárias, movidas pela mediocridade e pela ambição.

Leio que dos 109 conselheiros nacionais do PSD, dois fugiram a dar a cara, dois abstiveram-se e 105 votaram a favor de Pedro Santana Lopes para primeiro-ministro. Dezenas ouvi eu num passado recente prometerem guerra sem tréguas à insaciável ambição de poder de Santana Lopes: mas, ou desistiram e se conformaram, aceitando que há momentos em que o partido pode ser mais importante que o país, ou estão já prontos a servir-se das benesses do poder, sob as suas múltiplas e cada vez mais explícitas formas. Leio que o próprio Santana Lopes jurou na RTP que um dos seus vícios é "trabalhar muito" e que deixou "obra feita" em Lisboa. Leio que Durão Barroso anda a seduzir os Verdes europeus jurando que sempre foi ambientalista e a seduzir os sociais-democratas jurando que é contra "a arrogância e o unilateralismo americano" (tê-lo-á dito ao seu amigo George?). Constato, pois, que já vale tudo e tudo será perdoado: as solenes promessas quebradas sem qualquer pudor; os cargos confiados pelos eleitores que se abandonam à primeira oportunidade de benefício pessoal; as mentiras, públicas e notórias, ditas com a maior desfaçatez; a ascensão partidária, rumo ao poder, alicerçada nas promessas feitas a todos os "lobbies" e sustentadas nos dinheiros dos pagadores de impostos; a mais venal confusão entre o Estado, o partido, os escritórios de advogados e os interesses clientelares do orçamento público. Estamos a um passo, a um passo apenas, da fronteira final do "fartar vilanagem".

E constato que vou ter a governar-me na Câmara de Lisboa alguém que nem sei quem é; a primeiro-ministro alguém que apenas se candidatou à Câmara de Lisboa; na presidência da Comissão Europeia alguém que foi o maior derrotado das eleições europeias, alguém que na hora decisiva se pôs ao lado da "arrogância e do unilateralismo" americano contra a Europa e alguém que jurou aos portugueses que não fugia, como o seu antecessor. E na Presidência da República alguém que se esqueceu de quem e porquê o elegeu. Ou seja: ninguém, de facto, me representa e, todavia, eu votei em todas as eleições. Entre mim e esta democracia há qualquer coisa que não bate certo. Ou será entre mim e o "patriotismo moderno"?

Publicado por JPDIAS em 03:08 PM | Comentários (1) | TrackBack

NA VÉSPERA

Vasco Pulido Valente, no DN de hoje e aqui, a merecer ser lido (bold da nossa responsabilidade)

Em 1995, depois de um longo Governo, Cavaco saiu serenamente, e deixou o País de maneira geral próspero e em ordem. Saiu farto do PSD, da imprensa e da televisão. Com ele acabou uma era. Professor de Economia, Cavaco vinha do Banco de Portugal e tinha sido um excepcional ministro das Finanças. Valia por si próprio no mundo «normal» entre gente «normal». Em 2002, a meio do segundo mandato, Guterres resolveu fugir e deixou o País num estado deplorável. Em 2004, fugiu Barroso, com uma desculpa que absurdamente passou por «honrosa», e deixou o País mais pobre, mais confuso e sem esperança numa adiada e sempre duvidosa «retoma». E, agora, veio o dr. Santana Lopes. Por muito estranho que pareça, num ponto essencial Guterres, Barroso e Lopes não se distinguem: são os três puros produtos partidários. Na vida civil nenhum deles vale coisíssima nenhuma. Tirando um ou outro emprego aos vinte anos, todo o dinheiro que ganharam foi ganho na política ou pela política. Pior: nem na política fizeram nada de notável, antes de chegarem ao poder. Guterres nunca sequer passou pelo Governo; Barroso é o autor do inominável acordo de Bicesse; e Lopes protegeu o «teatro de revista», plantou umas palmeiras na Figueira da Foz (não exactamente um acto heróico) e legou a Lisboa um saco de sarilhos. Sem excepção, os três só mostraram talento para a intriga e a manobra partidária. A partir de Cavaco, Portugal ficou entregue a pequenos conspiradores de pequenas seitas. Ninguém se deve admirar com a irresponsabilidade e o essencial oportunismo que eles constantemente mostraram. Ou com a contínua degradação do País, que eles consentiram, quando não promoveram. Hoje há um ar de irrealidade no advento de Santana Lopes. Ninguém acredita que está a suceder o que está a suceder. É um sentimento comum em véspera de catástrofe.

Publicado por JPDIAS em 02:52 PM | Comentários (1) | TrackBack

O GOVERNO (PARTE III)

Ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações - António Mexia
Ministro da Justiça - José Pedro Aguiar Branco
(a confirmar)
Ministro da Agricultura - Salter Cid (a confirmar)
Ministro da Administração Interna - Daniel Sanches
(a confirmar)

Novas partes do filme - as soon as possible.

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julho 15, 2004

O GOVERNO (PARTE II)

Ministro de Estado e dos Assuntos Económicos - Álvaro Barreto

Novas partes do filme - as soon as possible.

Publicado por JPDIAS em 09:25 PM | Comentários (1) | TrackBack

FREITAS DO AMARAL....

...anuncia na revista Visão de hoje que vai de férias e não voltará tão cedo. O desagrado com a decisão presidencial de nomear PSL primeiro-ministro fê-lo aborrecer-se com o país e interromper a sua participação cívica e política por algum tempo. Onde é que já vimos algo semelhante?

Publicado por JPDIAS em 02:58 PM | Comentários (2) | TrackBack

O GOVERNO (PARTE I)

Primeiro Ministro - Pedro Santana Lopes
Ministro da Defesa Nacional (e de Estado?) - Paulo Portas
Ministro dos Negócios Estrangeiros - António Monteiro
Ministro das Finanças - António Bagão Félix


Novas partes do filme - as soon as possible

Publicado por JPDIAS em 12:47 AM | Comentários (2) | TrackBack

julho 14, 2004

BAGÃO FÉLIX NAS FINANÇAS!


Uma boa escolha de PSL. Bagão Félix, homem estruturalmente sério, é daqueles políticos que, o que faz, faz bem. Democrata-cristão convicto, vai ser um bom Ministro das Finanças - e garante de que a política financeira do Estado não entrará em «roda livre». Aqui, uma boa síntese curricular do novo Ministro das Finanças.

Publicado por JPDIAS em 10:15 PM | Comentários (1) | TrackBack

O TACHO

Vale a pena atentar no certeiro post de Rui A. aqui.

Publicado por JPDIAS em 05:30 PM | Comentários (1) | TrackBack

ANTÓNIO VITORINO



Demonstrou indisponibilidade para se candidatar a Secretário-Geral do Partido Socialista alegando falta de motivação. Muito em breve saber-se-á aquilo que o motiva!

Publicado por JPDIAS em 05:22 PM | Comentários (1) | TrackBack

O ESTADO DA NAÇÃO....

..... nesta altura: sem governo (o que existe está apenas em funções de gestão) e sem oposição (o principal partido da oposição está sem liderança e atolado nas suas questiúnclas internas). Alguém sentiu a falta?

Publicado por JPDIAS em 04:30 PM | Comentários (0) | TrackBack

julho 13, 2004

ANTÓNIO VITORINO...

... voltou a virar as costas ao Partido Socialista. Mais uma vez! E outra vez quando o Partido precisava dele. No futuro, quando quiser e se quiser «chegar lá», não faltarão os «amigos» que se encarregarão de recordar estas «negas».

O caminho fica, assim, aberto para José Sócrates. Do mal.... o menos (na perspectiva do interesse nacional).

Publicado por JPDIAS em 07:22 PM | Comentários (2) | TrackBack

OUTRA BOA NOTÍCIA!

Este acórdão de hoje do Tribunal de Justiça da União Europeia, anulando a deliberação do Conselho que decidira «perdoar» a instauração de um processo por défice excessivo contra a França e a Alemanha. Só assim se pode construir uma União Europeia em que o direito comunitário seja o mesmo e igual para todos os Estados, independentemente da sua dimensão. Sem dúvida - uma boa notícia!

Publicado por JPDIAS em 06:52 PM | Comentários (3) | TrackBack

ELES PEDEM, ELES PERDEM (OUTRA VEZ!)

Como já aqui havíamos previsto, o Presidente da República promulgou a última lei de revisão da Constituição.

Obviamente não a vetou nem a sujeitou ao Tribunal Constitucional.

Mais uma vez, a extrema-esquerda, a esquerda comunista e a extrema-direita pediram e perderam.

Publicado por JPDIAS em 06:35 PM | Comentários (1) | TrackBack

UMA BOA NOTÍCIA

Via DN, de hoje, uma boa notícia:

«O CDS/PP reingressou ontem no Partido Popular Europeu (PPE) por unanimidade, numa reunião daquela família política em Bruxelas. O CDS/PP, representado pelos eurodeputados Luís Queiró e Ribeiro e Castro, fica assim integrado no mesmo grupo político europeu do seu parceiro de coligação, o PSD.

O CDS/PP foi afastado do PPE em 1992, sob a liderança de Manuel Monteiro, por se considerar que não tinha suficientes credenciais europeias. O partido integrou desde então o grupo da Europa das Nações. Mas Luís Queiró lembrou que, «desde 1998», existia o «objectivo estratégico» de regresso «à família originária, onde nascemos como partido europeu e como partido democrático». Ribeiro e Castro salientou a coincidência do regresso ao PPE com a celebração do trigésimo aniversário do CDS-PP, a 19 de Julho.

Os centristas portugueses relançam assim a sua imagem europeia, podendo reforçar o peso da aliança com o PSD. Para o cabeça-de-lista da coligação, João de Deus Pinheiro, «poderemos almejar ocupar um ou outro posto que potencie mais os interesses portugueses».

O Parlamento Europeu (PE) distribui na próxima semana os cargos de coordenação política, para o que conta o peso de cada grupo. O líder do PPE, Hans-Gert Poettering, classificou o regresso do PP como «um facto positivo» que abre um bom ambiente de cooperação.

A decisão ocorreu na véspera do início das audições a Durão Barroso pelos grupos políticos europeus e que precedem a votação do PE sobre a sua nomeação para a presidência da Comissão Europeia.

Se Barroso não espera (amanhã) problemas de maior com o PPE, a audição de hoje com o Partido Socialista Europeu (PSE) tem contornos delicados devido às reservas ali sentidas à sua nomeação. O seu líder, Martin Schulz, disse esperar conhecer melhor as ideias de Barroso sobre a forma como pretende conduzir a Comissão. Mas descreveu o PSE como «não muito entusiasmado» com a escolha de Durão.

Para o líder do CDS/PP, Paulo Portas, a decisão do PPE é «histórica» e permite manter «a nossa liberdade e a nossa identidade quanto à posição de questões importantes na área europeia, numa linha, como tenho dito há vários anos, que é europeísta e protectora do interesse de Portugal».

Curiosa a reacção de Manuel Monteiro à notícia em causa:

«O ex-presidente Manuel Monteiro disse ao DN que «a reentrada do CDS no PPE é demonstrativa da falta de coluna vertebral que caracteriza a actual liderança do partido».

Não tendo desmentido categoricamente isto, em matéria de coluna vertebral (ou de falta dela) há quem fale de cátedra!

Publicado por JPDIAS em 06:13 PM | Comentários (0) | TrackBack

julho 12, 2004

AS MANIF'S ESPONTÂNEAS CONTRA SANTANA

Via Razão das Coisas, as primeiras imagens em directo e ao vivo das manifestações de desagrado contra a indigitação de PSL para primeiro-ministro. Convocadas pelo BE via sms. Confiram aqui.

Publicado por JPDIAS em 08:20 PM | Comentários (0) | TrackBack

CORRER ATRÁS DO TACHITO

Estes estavam especialmente apressados. Não perderam tempo a tratar do tachito. Sampaio também lhes trocou as voltas. Não foi só à esquerda e à extrema-esquerda. Foi também à extrema-direita.

Publicado por JPDIAS em 08:02 PM | Comentários (0) | TrackBack

A MAROSCA ESTAVA MESMO PREPARADA!

Então não é que a «marosca» denunciada aqui e a que havíamos já feito referência aqui, parece que estava mesmo preparada? Ora leiam isto! Ao que chegou o despudor e a falta de vergonha!

Publicado por JPDIAS em 02:43 PM | Comentários (0) | TrackBack

julho 10, 2004

OS EXTREMOS TOCAM-SE

Extrema-esquerda e extrema-direita queriam eleições.

Extrema-esquerda e extrema-direita perderam.

Portugal não terá ganho muito.

Portugal teria perdido muito mais se a vontade da extrema-esquerda e da extrema-direita tivessem tido sucesso.

Publicado por JPDIAS em 08:05 PM | Comentários (2) | TrackBack

COLIGAÇÃO PS - BE - PND?

Este sítio, além de ser um Reduto selecto, costuma andar bem informado. Mas esta notícia é estranha. Será que a «marosca» estava preparada?

Publicado por JPDIAS em 07:33 PM | Comentários (0) | TrackBack

julho 09, 2004

FRANCISCO LOUÇÃ

Vejo agora na TV as trombas do dito reagindo à decisão de Sampaio. Destila ódio. Sinto o mesmo que já senti a propósito da Ana Gomes! Há muito que a política portuguesa não me deixava tão contente. Se a extrema-esquerda está furiosa, eu só tenho mesmo é que estar feliz, não é mesmo?

Publicado por JPDIAS em 11:58 PM | Comentários (0) | TrackBack

UM SACO DE GATOS CHAMADO PS

A demissão de Ferro Rodrigues veio confirmar plenamente o que já se suspeitava - a paz no Partido Socialista era uma paz podre. Ou, se quisermos, uma paz conseguida pelos piores motivos: pelo «cheiro» a poder, pela proximidade a que acreditavam que estava o regresso ao poder. Em nome disso, calavam as divergências, cerravam fileiras em torno do Secretário-Geral que sabiam fraco e fragilizado. Bastou a certeza que não chegavam ao poder tão cedo para que a tal unidade se evidenciasse e viesse ao de cima! Bela unidade. Bela coesão.

Daí que, apesar de se ter considerado aqui que a solução PSL para a liderança do governo não era uma boa solução, qualquer solução que pudesse conduzir este PS ao poder tivesse sido, inquestionavelmente, uma solução muito pior para o país.

Publicado por JPDIAS em 11:32 PM | Comentários (0) | TrackBack

ANA GOMES

Há muito tempo que a vida política portuguesa não me dava uma alegria tão grande como a que tive ao ver as «trombas» da dita senhora ao comentar a decisão de Sua Excelência! Que diferença relativamente à postura de outros membros do seu próprio partido.

Publicado por JPDIAS em 11:16 PM | Comentários (0) | TrackBack

A DECISÃO

Jorge Sampaio decidiu. Como já tínhamos evidenciado aqui, tratou-se de uma decisão. A menos má que poderia ter tomado.

Publicado por JPDIAS em 11:09 PM | Comentários (2) | TrackBack

O DISCURSO DE SAMPAIO



Para memória futura, aqui fica o texto integral da comunicação que Jorge Sampaio acaba de proferir - a comunicação que deixou a esquerda à beira de um ataque de nervos!

Portugueses,
Fui confrontado com a demissão do Governo como consequência da aceitação por parte do Sr. Primeiro-Ministro do convite que lhe foi endereçado para presidir à Comissão Europeia. Ou seja, com a interrupção do mandato do Governo por sua própria iniciativa.

Entendi e entendo que a presença de um português à frente da Comissão Europeia é um factor positivo e prestigiante para Portugal.

O Senhor Primeiro Ministro sabia que não podia fazer depender a sua opção pessoal do modo como fosse resolvido o problema criado pela sua demissão. A decisão do Presidente da República, perante essa circunstância, é sempre uma decisão autónoma e livre.

A alternativa é conhecida de todos: ou o Presidente da República nomeia um novo Primeiro Ministro, indicado pelo partido maioritário na Assembleia da República, ou dissolve a Assembleia da República, e convoca eleições gerais antecipadas.

Ponderei, sempre e até ao fim, ambas as possibilidades.

E nesse processo, mesmo antes de ouvir os partidos políticos com representação parlamentar e o Conselho de Estado, entendi consultar um conjunto de personalidades, incluindo os antigos Presidentes da República e Primeiros Ministros.

Foi uma decisão complexa, dada a controvérsia sobre a melhor forma de resolver o problema. Qualquer das alternativas comportava custos. A opinião pública tinha a percepção destes custos e, por isso, dividiu-se entre os dois caminhos para resolver a crise. Acresce que, ao contrário do que aconteceu quando da demissão do Primeiro-Ministro António Guterres, na sequência das últimas eleições autárquicas, onde então se verificou consenso partidário, regista -se agora uma forte divergência.

Nestas circunstâncias, o Presidente da República tem de avaliar e decidir, de acordo com a Constituição e com a sua interpretação do interesse nacional.

Tenho reafirmado, ao longo dos meus dois mandatos, a importância da estabilidade política enquanto factor de desenvolvimento nacional e de regular funcionamento das instituições democráticas.

A estabilidade política associada ao regular funcionamento das instituições significa:

- em primeiro lugar, que os cidadãos, quando são chamados a eleger os seus representantes na Assembleia da República, têm, por essa via, a possibilidade de escolher, indirectamente, um Governo para os quatro anos seguintes;

- em segundo lugar, que, ao longo desses quatro anos, o Governo, com respeito das regras constitucionais, deve ter a possibilidade de realizar, livre e responsavelmente, o programa sufragado nas eleições;

- finalmente, que, no termo da legislatura, os eleitores julgarão a actividade do Governo.

Não compete ao Presidente da República governar. Mas já lhe compete garantir as condições de regularidade, legitimidade e autenticidade democráticas de todo este processo.

Se estas condições estiverem garantidas, entende o Presidente da República que o mandato do Governo não deve ser interrompido antes do fim da legislatura, pese embora o resultado de outras eleições entretanto verificadas.
Desde que o Governo saído das eleições parlamentares continue a dispor de consistência, vontade e legitimidade políticas, a demissão ou impedimento permanente do Primeiro-Ministro não é motivo bastante para, por si só, impor a necessidade de eleições antecipadas.

Posto isto, a minha avaliação concentrou-se, naturalmente, na análise das consequências para a situação política e parlamentar da demissão do Primeiro Ministro.

Será que mudou algo de essencial que possa justificar uma interrupção do mandato da Assembleia da República?

Ou, ao invés, tanto quanto é possível avaliar neste momento, existem condições para garantir um novo Governo, com uma maioria estável na Assembleia da República, que possa assegurar a sua permanência nos dois últimos anos da legislatura?

Na sequência das audiências dos partidos políticos, a actual maioria garantiu-me poder constituir um novo Governo, que permita dar continuidade e cumprir o Programa do anterior; e que essa maioria se comprometeu assegurar, até ao final da legislatura, o mesmo apoio que deu ao governo cessante.

Nestas condições a dissolução da Assembleia da República teria de ser considerada a solução que mais se afastaria da estabilidade política.

Um quadro de continuidade das políticas essenciais, onde, além do mais, se incluem a Europa, a política externa, a defesa, a justiça, bem como as políticas de consolidação orçamental, são fundamentais para que possa optar-se pela constituição de um novo Governo.

Muito especialmente, quero ainda chamar a atenção para a proximidade de um novo ciclo eleitoral, que inclui as eleições regionais e as autárquicas, com que quaisquer Governos estariam sempre defrontados, para sublinhar que os critérios de austeridade, de sobriedade e de orientação estratégica dos investimentos do Estado, não vinculam só o Governo e a administração central. Devem ser obrigatórios para todas as administrações e entidades públicas, a par, naturalmente, da isenção política que perante aqueles actos eleitorais deverão manter.

Resta, assim, a questão da legitimidade da actual maioria para formar um novo Governo.

Nas últimas eleições parlamentares, os partidos políticos submeteram ao eleitorado diferentes programas e candidatos, sem que nenhum tivesse obtido uma maioria absoluta.

Nesse contexto, a legitimidade para formar Governo adveio, num primeiro momento, do voto popular e da representação parlamentar obtida, que, logo a seguir, deu lugar à formação de uma nova coligação maioritária na Assembleia da República, que garantiu a aprovação do Programa de Governo.

Ora um e outro factor, garantem-me, permanecem inalterados.

Os resultados de referência continuam a ser os verificados nas eleições parlamentares de 2002; a possibilidade de acordo parlamentar maioritário em torno do Programa de Governo permanece válida.

Nesse sentido, decidi dar oportunidade à actual maioria de formar um novo Governo, pelo que endereçarei o correspondente convite ao Presidente do Partido Social Democrata, agora que, neste quadro, estão esgotadas outras possibilidades.

Justifica-se reiterar aqui que tem de ser rigorosamente respeitada a continuidade das políticas essenciais – repito, a Europa, a política externa, a defesa, a justiça, bem como as políticas de consolidação orçamental.

Fique claro que é por estas vias de continuidade e pelo rigor indispensável que passarão os critérios permanentes da minha avaliação das condições de manutenção da estabilidade governamental; e utilizarei a plenitude dos meus poderes constitucionais para assegurar que esses critérios serão respeitados. Sempre terei por inaceitáveis viragens radicais nestas políticas, pois foram elas as sufragadas pelo eleitorado

Portugueses,

O Presidente da República permanece fiel à sua obrigação constitucional de garantir o regular funcionamento das instituições democráticas e mantém intactos todos os seus poderes constitucionais, incluindo o poder de dissolução da Assembleia da República. Continuo, finalmente, a poder garantir os princípios em nome dos quais fui eleito e em nome dos quais tenho pautado a minha actuação como Presidente da República.

Ouvi todas as opiniões.

Todos entenderão, porém, que preze a coerência com a minha interpretação dos poderes presidenciais e a preservação do estatuto de Presidente da República como Presidente de todos os Portugueses.

Sei bem que muitos portugueses e seus representantes políticos propunham que tomasse outra decisão. Considerei e considero inteiramente compreensíveis e legítimas as suas posições. Estou certo de que, mau grado a minha diferente opção, entenderão os argumentos que me levaram a escolher o caminho da indigitação de um novo Primeiro-Ministro.

Não tomei esta decisão de ânimo leve. Ponderei profundamente as consequências de ambas as decisões. Procurei ser fiel ao meu passado, às minhas convicções políticas e ao programa com que duas vezes me apresentei ao eleitorado. Decidi apoiado numa longa experiência política e no profundo conhecimento do país que hoje tenho. Pesei, com rigor, os caminhos que melhor servem Portugal, nas circunstâncias concretas em que ele se encontra.

Não posso ignorar que as exigências da nossa situação económica e financeira, com uma retoma ainda incipiente, uma consolidação orçamental longe de estar garantida e uma situação social particularmente gravosa, me aconselham também este caminho.

E, assim, por convicção e coerência, decidi.

Tenho consciência de que Portugal atravessa um momento difícil que impõe ao Presidente da República a máxima ponderação dos riscos das diversas alternativas e a necessidade de assegurar a continuidade do regime constitucional.

Nesse regime - que não fiquem dúvidas - a nossa opção é pela democracia representativa, de que não sou o notário, mas sim o garante; e que, por isso, não há razões de oportunidade, por mais compreensivas que sejam, que possam abrir caminho e criar um precedente para futuros desvios plebiscitários.

Sei que posso contar com todos para, com serenidade e uma visão de futuro, ultrapassar esta situação e para defender os valores essenciais da democracia portuguesa.

Muito obrigado.

Publicado por JPDIAS em 10:35 PM | Comentários (0) | TrackBack

julho 08, 2004

FREQUÊNCIAS, EXAMES, ORAIS.....

.... recomeçou a sina. Frequências e exames para elaborar. Depois corrigi-los. A seguir as inevitáveis orais. O blog vai entrar em fase de serviços mínimos. Valores mais altos se levantam. Noblesse oblige.

Publicado por JPDIAS em 11:10 PM | Comentários (3) | TrackBack

A RAZÃO DAS COISAS...

... completou 1 ano de razões muitas e de coisas várias. Parabéns ao Afonso que mantém um dos meus blogs de referência, consulta diária e obrigatória, com tão elevado nível.

Publicado por JPDIAS em 10:44 PM | Comentários (0) | TrackBack

HENRIQUE MENDES. IN MEMORIAM


(1931 - 2004)


Publicado por JPDIAS em 07:52 PM | Comentários (2) | TrackBack

LANCE ARMSTRONG


O mais completo ciclista de todos os tempos, Lance Armstrong, rola nas estradas francesas em busca da sexta vitória consecutiva no Tour de France. Realça-se o estoicismo do atleta e curvamo-nos ante o seu exemplo: há anos foi dado como quase perdido para a vida e totalmente perdido para o desporto, vítima de cancro que aparentava ser imparável. A força de vontade do homem e a coragem do atleta fizeram com que a doença fosse debelada, a vida preservada e o espírito de campeão reforçado. Nestes dias, nas estradas de França, Armstrong palmilha metro a metro o percurso sinuoso de um traçado exigente, rumo a inscrever o seu nome a letras de ouro nos anais do Tour e do desporto mundial. Mais do que qualquer outro, Armstrong merece a sexta vitória consecutiva na prova francesa - feito até aqui por ninguém alcançado e dificilmente repetido. Força Lance!

Publicado por JPDIAS em 04:21 PM | Comentários (0) | TrackBack

COM AMIGOS (APOIOS) DESTES, QUEM PRECISA DE INIMIGOS?



Publicado por JPDIAS em 11:40 AM | Comentários (4) | TrackBack

julho 07, 2004

POR QUE MUDÁMOS O NOME DO BLOG?

O leitor atento terá percebido que, de há dias a esta parte, o título do blog mudou. Este espaço deixou de se chamar PP - POLÍTICA PURA, passou a ter o nome do escriba que o mantém e alimenta - sabe-se lá com que sacrifício, porque isto de se manter um blog individualmente e com alguma regularidade tem muito que se lhe diga.... Os bloggers individuais sabem bem do que falo! Bom, mas registando-se a mudança de nome, impõe-se justificar o porquê da mesma. Em primeiro lugar a razão do abandono de um nome. Depois a razão da escolha de outro. Vamos por partes.

Quando o blog foi criado, a designação escolhida remetia, directamente e sem subterfúgios, para um projecto e para uma realidade em que tivémos a honra e oprivilégio de participar e com que pudémos colaborar entre os idos de 1992 e de 1998: a transformação do «velho» CDS no «novo» PP. Foram 6 anos de muita ilusão, de muito sonho, de muita vivência, em que - na medida das nossas possibilidades - com uma liderança então forte e assizada, ajudámos a dar corpo a um projecto de causas e de valores, de princípios e de ideias.

Acontece que, lentamente, a partir de meados de 1998 esse projecto começou a definhar até morrer definitivamente algures pelos alvores do novo século. E, paradoxo dos paradoxos, por morrer às mãos de quem o criou e de quem ajudou a criá-lo... A história não deixará de identificar os coveiros do projecto, aqueles que o enterraram quer por terem debandado e fugido, mudado ou simplesmente ..... «evoluído». A mesma história acabará por registar que, infelizmente, o projecto não foi sólido o suficiente para resistir a uma «zanga de comadres», por mais importantes que as ditas fossem ou sejam. O projecto das causas e dos valores, reconheça-se hoje ainda que a muito contragosto, foi incapaz de resistir a quezílias e questiúnclas pessoais. Começou por definhar; acabou morrendo.

Mas a nostalgia do PP enquanto Partido Popular ficou. Sobretudo para os que nele se empenharam desinteressadamente mas com muita convicção. E ficou, sobretudo, porque a designação escolhida era aquela que historicamente foi a dos partidários da doutrina social que preconizamos para designarem as forças políticas que tiveram de fundar quando quiseram intervir politicamente. «Populares» foram, historicamente, as democracias-cristãs. Mas hoje isso já pouco importa. O significado dos termos passou à história, morreu e está enterrado. E, quando alguém se lembra de o evocar, é para o associar a fenómenos populistas. Ora, politica e historicamente, nada mais distante do que o significado partidário do termo «popular» e a noção política de «populismo».

Infelizmente, por falta de rigor e conveniência de oportunidade (a que alguns chamarão oportunismo) não vai faltando quem confunda e associe os dois termos. Pois bem, porque as coisas são mais importantes do que o nome que as coisas têm, o blog deixa a sua designação inicial para se poder manter fiel aos princípios que, desde o primeiro dia, sufraga (esses sim - imutáveis). O PP já morreu no plano partidário. No maravilhoso mundo da blogosfera acaba de morrer agora, quando termina o blog que, humildemente, pretendia evocá-lo e homenageá-lo, honrar esse projecto e evocar essas causas.

Explicado o termo do nome, qual a razão da nova denominação? Não se trata de nenhuma necessidade de afirmação pessoal. Nem de nenhuma manifestação de narcisismo tardio. Tão-só e apenas uma razão de facilidade e de puro comodismo. À semelhança do que acontece, por exemplo, no nosso Registo Nacional de Pessoas Colectivas - em que é dificilimo o registo do nome de uma nova pessoa colectiva, seja uma simples associação ou uma sociedade comercial - também a nossa blogosfera está pulverizada e recheada de denominações já usadas e já utilizadas. As que interessavam já tinham dono; as que estavam disponíveis, não interessavam. Logo, e por uma questão de puro facilitismo, nada melhor do que o nome do escriba para identificar o escrito. Directamente e sem subterfúgios. E também sem o problema e o perigo de haver registado outro igual. A tudo acrescendo - razão suplementar mas não desprezível - o facto de se estar a preparar uma reformulação geral do espaço ocupado na rede com a home page pessoal e outros espaços lá existentes que, possuindo também uma finalidade académica e profissional irão ser reformulados e, passarão, além de estarem interligados, a albergar este espaço, assim se conseguindo uma convergência que tem andado perdida e tem sido inexistente.

A explicação que os leitores mereciam está dada. Aos amigos e blogs que nos linkaram agradece-se a gentileza de corrigirem o nome do blog.

O blog morreu; mas viva o blog!

Publicado por JPDIAS em 11:23 PM | Comentários (2) | TrackBack

AS ELEIÇÕES AMERICANAS


John Kerry acaba de anunciar a sua escolha para Vice-Presidente: o senador John Edwards. A escolha é unanimemente considerada como acertada, no sentido de permitir a constituição de uma lista forte e credível. No credível Arte de Opinar! (de onde se pirateou a foto deste post) está disponível uma boa síntese curricular do candidato a Vice de Kerry.

Até ao momento, nunca por aqui se havia reflectido sobre as presidenciais norte-americanas - muito por se esperar para querer ver quem escolhia Kerry para o acompanhar na lista eleitoral: uma personalidade forte e carismática, eventualmente saída da ala direita democrática, ou uma personalidade fraca mas mediática, cedendo ao populismo fácil da ala esquerda do Partido Democrata. Pois bem - JK escolheu e optou pelo primeiro caminho! Está de parabéns.

Assim, ao ticket «Bush-Cheney» opor-se-á o ticket «Kerry-Edwards».

Tendencialmente, diria naturalmente, deixando falar apenas a emoção e o coração, a nossa preferência deveria centrar-se na dupla «Bush-Cheney». Representa a «direita», a «ordem», a «autoridade», essas coisas todas. Mas representa, também, pasme-se (!), o despesismo que conduziu ao maior défice orçamental norte-americano que «rebentou» com os excedentes orçamentais gerados por Clinton; representa igualmente a visão imperialista norte-americana, afastada das instituições internacionais e da cultura do multilateralismo, privilegiando o unilateralismo que nunca deu bons resultados; representa, ainda, o apoio a figuras tenebrosas de que Rumsfeld ou Perle não são mais do que as figuras de proa por detrás das quais se esconde uma não menos tenebrosa rede de «neo-cons» que pretendem redimir-se - dizem eles que à direita - dos excessos que cometeram no seu passado esquerdista e pacifista; representa, ainda, a mentira «pura e dura» a propósito da guerra do Iraque e da sua fundamentação em torno das armas de destruição em massa, quando não faltariam outros pretextos mais razoáveis que justificassem a acção militar empreendida. Enfim, a dupla «Bush-Cheney» também representa tudo isto. E muito mais.

Ora, se o coração «mandaria» aplaudir este ticket, a razão não está para aí virada. A razão diz que para mal já basta assim; a razão diz que o mundo precisa de uma América economicamente forte e que a actual administração debilitou a economia dos EUA; a razão diz que o mundo precisa de uns EUA fortes mas cooperantes e colaborantes, sem tentações imperiais e hegemónicas, exactamente o contrário do que foi feito e protagonizado pela actual administração (para mais, num cenário futuro onde já se anunciou que Powell, garante mínimo da diplomacia no Departamento de Estado, será substituído nas suas funções actuais).

Por tudo isto, não parece que nem os EUA nem o Mundo precisem de um segundo mandato de George W. Bush. Nem dele nem - sobretudo - de quem o acompanha.

Publicado por JPDIAS em 06:08 PM | Comentários (3) | TrackBack

À ATENÇÃO DO SENHOR PRESIDENTE DA REPÚBLICA

Na longa feira de vaidades e interminável desfile de entidades ou pseudo-entidades que tem calcorreado o Palácio de Belém para dar o seu douto parecer e avisado conselho ao Senhor Presidente da República sobre a melhor forma de resolver a actual crise política, este modesto escriba da blogosfera nas horas vagas não foi convocado nem contemplado para opinar. Em todo o caso, porque opinião existe, aí fica a mesma consignada confiante em que alguma mão amiga a faça chegar ao seu eminente destinatário.

Parece evidente que o Presidente da República enfrenta um dilema sério e grave. O referido desfile de «conselheiros», porém, em nada deve ter contribuído para melhor formar o juízo de Sua Excelência - antes deu à dita crise uma dimensão «apalhaçada» que era bem dispensável. Que poderão tais ilustres personalidades ter ido dizer a Sua Excelência, que Sua Excelência e os seus mais próximos conselheiros - incluindo os de Estado, que também os há para isso mesmo, para aconselharem Sua Excelência - não lhe pudessem transmitir? Nada. Absolutamente nada.

E o dilema de Sampaio, reduzindo as coisas à sua maior simplicidade, resumir-se-á a isto: Sampaio sabe, ou tem obrigação de saber, que nenhuma das atitudes que tome - nomear PSL primeiro-ministro ou convocar eleições antecipadas - é boa para o País. Mas Sampaio também sabe, também tem obrigação de saber, que se a decisão final lhe pertence por inteiro, nos cenários existentes ele não pode interferir em nada. Estão para além dele e das suas competências. O que significa que, na prática, Sampaio sabe-se refém sempre de uma má decisão. Qualquer que venha a ser a decisão que tome - será sempre má e nefasta para o país. Dispenso-me de invocar os prós e os contras de cada uma das soluções - já enunciados à exaustão pelos militantes de cada uma delas. Pela minha parte, limito-me a constatar o evidente - Sampaio, por muito que apregoe que a decisão é dele (e é-o!) está refém de cenários para os quais não contribuiu e que antecipadamente se sabe que serão cenários negativos.

Não é, pois, fácil, a decisão presidencial a tomar em breve. Entrámos num caminho sempre perigoso, do qual se conhece o princípio mas do qual nunca se pode conhecer antecipadamente o fim - o caminho da escolha entre não uma boa e uma má decisão, mas o caminho da escolha entre duas más decisões. Numa palavra, a escolha do mal menor. Mas nem por ser menor deixa de ser um mal.

Por isso, baixem-se as expectativas dado que, de Belém, nunca poderá sair uma boa decisão. Sairá, sempre, uma má decisão. Qualquer que ela seja.

Publicado por JPDIAS em 05:21 PM | Comentários (1) | TrackBack

julho 06, 2004

E POR CÁ - QUEM NOS PEDE PARA REFLECTIR ANTES DE VOTAR A CONSTITUIÇÃO EUROPEIA?

Via LIBERTAD DIGITAL - com a devida vénia:

AZNAR PIDE A LOS ESPAÑOLES QUE "REFLEXIONEN" ANTES DE VOTAR LA CONSTITUCIÓN EUROPEA

El ex presidente del Gobierno se ha desmarcado de la línea oficial del PP y ha advertido de que los los españoles "harían muy bien en reflexionar qué van a hacer antes de tomar una decisión". Unas declaraciones que han provocado desconcierto entre algunos compañeros de partido. También alertó sobre el peligro de reformar la Constitución española. Respecto las elecciones del 14-M, Aznar recordó que el PSOE llegó al poder gracias a los atentados de Madrid. "Y ellos lo saben y los demás también", añadió.

Aseguró que en materia de política exterior y de seguridad, "salir corriendo no es una política, es sencillamente la mejor fórmula para perder la confianza de los amigos y el respeto de los adversarios", y subrayó que, en la negociación de la Constitución europea, España se fue voluntariamente de la "mesa de los grandes" a la "mesa de los niños, donde no se decide nada", y subrayó que "lo peor es que no nos han echado, nos hemos ido voluntariamente". Sobre esta cuestión, y a diferencia de la línea marcada por Mariano Rajoy, Aznar cree que los españoles "harían muy bien en reflexionar qué van a hacer antes de tomar una decisión. Reflexionar y después tomar una decisión".

Según ha podido saber Libertad Digital, estas declaraciones han provocado desconcierto entre algunos dirigentes del PP, sorprendidos por el desmarque del todavía presidente de los populares. Palabras que contrastan con la opinión de R